28/04/06

METEOROLOGIA PARA O FIM DE SEMANA

1x2
F.C.Porto-V.Guimarães: 50% 20% 30%
Benfica-V.Setúbal: 70% 20% 10%
Rio Ave-Sporting: 20% 30% 50%

27/04/06

G10 (Actualização)

Após as meias finais da Liga dos Campeões, o ranking de sempre da competição fica assim ordenado:

1º REAL MADRID 947 pts
2º Bayern de Munique 613 "
3º AC Milan 610 "
4º Juventus de Turim 529 "
5º SL Benfica 477 "
6º Ajax de Amsterdão 468 "
7º FC Barcelona 450 "
8º Manchester United 437 "
9º Liverpool FC 420 "
10ºInter de Milão 350 "

Critério: presença na prova 1 pt; vitória 3 pts; empate 1 pt; eliminatória passada 1 pt; presença na final 10 pts; título 20 pts

Se o Barcelona ganhar a final fará mais 13 pontos (3 da vitória e mais 10 do título, pois os 10 da final já estão contabilizados), pelo que a ordenação dos clubes já não sofrerá alteração esta época.
Curiosamente, se o Milan tem ganho ontem ultrapassaria o Bayern no segundo posto.

BARÇA EM FRENTE

Apesar de não se ter visto qualquer golo (em quatro jogos das meias finais apenas se marcaram dois), o jogo de Nou Camp foi mais um excelente espectáculo desta edição da Champions League.
O Milan não se entregou, e discutiu a eliminatória com as armas que tinha (e não são poucas), criando vários lances de perigo e obrigando o Barça a um retraimento que não lhe é comum. Mas foi um jogo equilibrado, e não fosse o desacerto de Eto’o por um lado, e Inzaghi por outro, o resultado teria sido certamente diferente, e o espectáculo teria ficado abrilhantado com o sal que o bom futebol pede.
De qualquer modo, acabou por passar à final a melhor equipa, como havia ficado demonstrado na primeira mão, e agora, apesar da eficácia de Henry, não se vislumbra facilmente forma deste Barcelona desperdiçar a oportunidade de se sagrar campeão europeu pela segunda vez na sua história.

É SEMPRE A MESMA CANTIGA

Não me chocaram particularmente os cânticos dos jogadores portistas entoados durante as comemorações do título. Para dizer a verdade, enquanto benfiquista, até me sinto de algum modo orgulhoso pelo facto de o meu clube nunca ser esquecido, quer se esteja a disputar uma final da Liga dos Campeões em Gelsenkirchen, quer se jogue a vitória na Uefa em Sevilha ou em Alvalade, quer se jogue qualquer competição de qualquer modalidade em qualquer recinto do país, algo que dificilmente seria possível com outro qualquer clube mundial.
Deixando de lado estas observações, feitas sob uma perspectiva clubista, importa dizer que os jogadores de futebol são jovens, e que aqueles momentos proporcionam sempre alguns excessos. Há que aceitar estas coisas como parte integrante do futebol e não as dramatizar.
Assim como achei por bem não crucificar Cristiano Ronaldo pelas suas atitudes na Luz, também não me parece que os benfiquistas devam agora “tomar de ponta” Ricardo Quaresma, que não deixa de ser um jogador de selecção, e que pode muito bem dar-nos (também aos benfiquistas) grandes alegrias dentro de menos de dois meses na Alemanha, se for convocado para o mundial.
Na minha opinião, não seria pois de dar grande importância a este incidente, muito embora ache que são os próprios jogadores (neste caso Quaresma, o único que vi a cantar veementemente a conhecida cantiga) que saem prejudicados destas ocorrências, pois além de nunca se saber o dia de amanhã (e a verdade é que nem me importaria que Quaresma viesse um dia a ser jogador do Benfica), estes jovens são hoje um apetecido produto publicitário, aspecto com o qual esta não é decididamente a melhor forma de lidar.

26/04/06

DRAMA NO EL MADRIGAL

Foi cruel a forma como os espanhóis do Villareal se viram afastados da final da Champions League.
Depois de um jogo que dominaram por inteiro e durante o qual criaram diversas ocasiões de golo, acabaram por desperdiçar uma grande penalidade a um minuto dos noventa, que permitiria levar a decisão para um prolongamento no qual poderiam fazer valer a vantagem anímica do factor casa. Quis o destino que fosse a sua mais cintilante estrela, o argentino Riquelme (fabulosos pés mas alguma lentidão), a falhar o penálti. É assim o futebol.
Não podemos esquecer contudo, que o Villareal na primeira mão em Highbury Park demonstrou algum défice de ambição, defendendo estranhamente um venenoso resultado de 0-1 até final do jogo, o que, como agora se viu, se lhe revelou fatal. No conjunto das duas mãos as equipas acabaram portanto por se equivaler, sobressaindo o factor sorte.
Ainda assim, fica uma nota francamente positiva para este pequeno clube de uma pequena povoação perto de Valência que, impulsionado pelos euros da Pamesa de Roig e por um rigoroso e circunspecto técnico chileno, apresentou à Europa, entre jogadores já consagrados como o referido Riquelme, Sorin ou Diego Forlán, alguns outros até agora pouco mais que anónimos no futebol internacional como Javi Venta, Marcos Senna, Arruabarena ou o mexicano Guillermo Villa, que Portugal terá de enfrentar no mundial da Alemanha.
Tal como o Benfica, este Villareal caiu bem de pé nesta edição da Liga dos Campeões.

APITO ABAFADO

Ironicamente, na véspera do 32º aniversário da revolução dos cravos, a justiça portuguesa voltou a dar um claro sinal de que alguns dos mais nobres ideais de Abril, permanecem em larga medida por concretizar.
Segundo um triste despacho do ministério público, uma das partes do processo Apito Dourado, onde se encontravam Jacinto Paixão e Pinto da Costa, foi arquivada por falta de provas.
Mas o que se passa em concreto ?
Segundo o que se pode concluir do referido despacho, fica absolutamente provado pelas escutas efectuadas, que o árbitro e seus auxiliares estiveram num hotel com prostitutas, que as mesmas foram pagas pelo empresário, então ligado ao F.C.Porto, António Araújo, que foi Reinaldo Teles que lhes pagou o jantar que antecedeu os encontros, e que existiram erros desse árbitro que favoreceram o F.C.Porto no jogo nesse dia disputado frente ao Estrela da Amadora.
O arquivamento dá-se então porque supostamente foi impossível traçar objectiva e materialmente uma ligação entre os serviços prestados à equipa de arbitragem, e os seus erros no referido jogo.
Ora, triste justiça a deste nosso pobre país...
Há pouco tempo, Portugal esteve em risco de assistir à absolvição de uma mãe (?!?) capaz de espancar a filha de oito anos até à morte, apesar de todas as evidências, e mesmo confissões, precisamente por não existirem materialmente provas do crime. Ao que sei, o processo ainda se encontra pendente de recurso, e não me admiraria nada que se acabasse por chegar a um desfecho absolutamente desfasado de uma realidade que qualquer leigo observa facilmente. Pior que isso, tenho a certeza de que se se tratasse de alguém com poder económico, político ou mediático, a absolvição e libertação seria já um facto consumado. Alguém tem dúvidas ?
Salvaguardando as distâncias entre a gravidade de um e outro caso, o comportamento da justiça parece ser semelhante, patenteando um completo autismo face a uma realidade exterior com a qual parece ter cada vez menos a ver, deixando ao invés a sensação que corre por conta de poderes externos, quer a nível económico, quer mesmo político (é incrível como certas investigações decorrem ao ritmo das alterações do panorama político-governamental, de que a Casa Pia será o caso mais paradigmático, mas de cuja fama este Apito Dourado também não se consegue livrar).
Não sou jurista, e prezo muitíssimo o princípio da presunção de inocência. Mas há casos e momentos em que o mesmo se parece confundir perigosamente com a iniquidade mais cruel, e com um afastamento entre a realidade da vida de todos nós e um sistema de justiça entorpecido, obtuso e, perdoe-se-me o pleonasmo, nada justo.
Este arquivamento por falta de provas, prova inequivocamente, isso sim, uma de três coisas: incompetência da investigação, falta de meios para a mesma ou, pior ainda, falta de vontade de a prosseguir, pois quem acompanha de perto o futebol, e parte do testemunho de quem o vive por dentro, sabe que todas as situações levantadas no caso Apito Dourado eram usuais e frequentes, estão muito para além dum simples F.C.Porto-Estrela da Amadora, atingiram o seu auge no início dos anos noventa - com o sinistro consulado de Lourenço Pinto, agora advogado de Pinto da Costa neste processo, no conselho de arbitragem da FPF, e com árbitros como Carlos Calheiros, José Silvano, José Guímaro, Francisco Silva ou Fortunato Azevedo, e com casos como as viagens ao Brasil, o “penafielgate”, os “quinhentinhos”, o abatimento de Marinho Neves, a “compra” do guarda-redes Acácio do Beira-Mar, o very-light na baliza do Farense, etc - e foram responsáveis por dezenas de resultados adulterados, perante a complacência de observadores, delegados e poderes federativos cúmplices activa ou passivamente, permitindo ao F.C.Porto, seu principal (não único, diga-se) beneficiário, a conquista de alguns títulos nacionais em condições absolutamente escandalosas, de onde destacaria os de 1989-90 e sobretudo os de 1991-92 e 1992-93.
Deste moribundo processo, que seguramente apenas irá condenar um qualquer seccionista do Gondomar (cada processo tem sempre o seu Bibi), resta apenas a consolação de a sua abertura ter acabado por possibilitar ao Benfica a conquista de um título, do qual andava arredado havia uma década, pois sem Apito Dourado, e todo o circunstancialismo derivado do mesmo, duvida-se seriamente que um sistema tão eficaz e oleado deixasse um clube de fora do seu arco dominante, conquistar um título num campeonato tão equilibrado como o de 2004-05.
Até quando o nosso país se terá de debater com o cancro que representa esta justiça tão cruel,tão ignóbil e tão injusta, que vai minando corrosivamente as entranhas do estado democrático?

25/04/06

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Em Alvalade houve muito mais fumo do que fogo, como já vem sendo habitual.
Ainda assim, o lance da mão do defensor da equipa figueirense parece ser de grande penalidade, pelo que atribuo os três pontos aos leões.
O penálti marcado em Penafiel deveu-se provavelmente à intenção de Augusto Duarte também participar na festa portista.
A classificação ficaria então assim:

F.C.PORTO 73
Benfica 69
Sporting 60

VEDETA DA JORNADA

CO ADRIAANSE: Após se sagrar campeão nacional na primeira época em Portugal, e depois de toda a contestação que enfrentou, a figura deste fim de semana não podia ser outra.

A LUTA CONTINUA

Se no aproveitar é que está o ganho, bem se pode dizer que os dois rivais da segunda circular deram neste domingo mostras de como desaproveitar ao máximo.
O Benfica deixou fugir uma vitória importante no último minuto de um desafio que tinha completamente controlado, perante um adversário para quem perder ou empatar era rigorosamente a mesma coisa, e que dava mostras de estar absolutamente acomodado ao resultado. Quase de seguida, o Sporting, não querendo ficar atrás, perdeu soberana ocasião de resolver em definitivo a questão do segundo lugar, cedendo um empate em casa perante o modesto Naval, e completando um negro período de quase trezentos minutos sem marcar qualquer golo (Liedson, desde que renovou o contrato, apenas marcou dois golos em doze jogos).
Quase se poderia dizer que, com tanta cerimónia, a maior justiça seria se nenhum deles se qualificasse directamente para a Liga dos Campeões.
O Benfica jogou mal. Na primeira parte jogou mesmo muito mal. Com o golo obtido logo a abrir o segundo tempo, num momento em que não o havia justificado, conseguiu algum ascendente, acabando por chegar aos minutos finais com absoluto controlo da bola e do jogo, mais por inércia do adversário que por méritos próprios. Num pontapé de canto, mesmo ao cair do pano, deitou tudo a perder, sofrendo um golo que ainda pode vir a custar bem caro.
Só Miccoli, Moretto e Beto não mereciam o empate, mas segundo Koeman, a culpa desta vez terá sido do pobre do Manduca, que falhou um cabeceamento à boca da baliza num momento em podia fazer o 0-2. Já estamos habituados. Todos são sempre culpados, ora Quim, ora Mantorras, ora Luisão, ora o árbitro, ora a chuva. Todos menos um: ele próprio, o sobranceiro técnico holandês.
Na recolha de opinião promovida pelo VEDETA aqui mesmo ao lado, no momento em que escrevo estas linhas, dá-se um absoluto empate entre os que desejam a continuidade de Koeman no Benfica, e aqueles que o querem ver rapidamente pelas costas. Seria curioso averiguar quais as cores clubistas dos participantes que optaram por uma e outra hipótese...
Se no Benfica os culpados dos pontos perdidos vão variando de conferência de imprensa para conferência de imprensa, já em Alvalade nunca ninguém tem dúvidas. A culpa é sempre do árbitro.
Chega a ser incrível a forma como, mais do que os próprios adeptos (nisso todos são iguais), os dirigentes e técnicos do Sporting pressionam e procuram condicionar a arbitragem, fabricando “escândalos” quase todas as semanas, ou pelo menos naquelas em que não ganham. Já não é desta época, e a verdade é que, olhando a nossa classificação “real”, parecem dar-se bem com a estratégia.
Em Alvalade houve alguns lances polémicos, e terá ficado por assinalar uma grande penalidade contra a Naval em lance no qual Fernando ajeitou a bola com a mão. Não é um lance claro, pelo menos não tão claro como aquele em que Léo foi derrubado na área da mesma equipa, a oito minutos do final de um jogo disputado há semanas atrás na Luz e que também terminou a zero. Quem ouvir apenas as declarações do final do jogo não ficará seguramente com essa ideia.
Mas seja como for, a verdade é que esta luta vai continuar a animar o campeonato até final. O Sporting continua a ser favorito, pois até pode perder mais dois pontos. Mas neste momento o calendário passou a favorecer o Benfica, que nesta jornada tinha o jogo teoricamente mais difícil, enquanto o Sporting ao invés teria o mais fácil enfrentamento das três jornadas que faltavam. O Rio Ave-Sporting da próxima semana será crucial para esta disputa.
É curioso observar que o Sporting perde pontos devido ao excesso de ansiedade, enquanto o Benfica os desperdiça dada a confrangedora indolência que parece atingir todo o plantel desde o jogo de Nou Camp. Venha um cházinho de camomila para os leões, e um bom café em dose dupla para os encarnados...

24/04/06

CRÓNICA DE UM TÍTULO ANUNCIADO

Conforme se esperava, o F.C.Porto carimbou o seu título nacional no sábado passado em Penafiel. Diga-se desde já que se trata de um justo campeão.
Normalmente não há campeões injustos, pois qualquer equipa que seja capaz de obter mais pontos que os adversários em trinta e quatro jogos, merece sempre um título que é, acima de tudo, uma prova de regularidade.
Terá sido o F.C.Porto um campeão brilhante ? Talvez não, como o Benfica também o não tinha sido na época passada, como o Boavista também o não foi no seu ano, e como muitos outros vencedores o dispensam ser (na última década somente o Porto de Mourinho terá selado com brilho a conquista dos seus títulos). Isso nada tem que ver com justiça, nem diminui o peso das vitórias.
O F.C.Porto foi a equipa que teve menos períodos baixos, e os que teve foram menos intensos e duradouros que os dos principais adversários. Além disso teve alguns jogadores em elevadíssimo plano, destacando-se em diferentes fases da temporada, Ricardo Quaresma, Lucho Gonzalez, Pepe e Paulo Assunção. Não vacilou no momento decisivo que enfrentou em Alvalade, realizando aí, talvez, a melhor exibição da época.
Neste momento toda a gente, portistas ou não, aparece unanimemente a colocar Co Adriaanse nos píncaros, mesmo aqueles que o vilipendiaram ao longo de toda a temporada. É assim o futebol, ou como dizia Koeman, a história do boi preto e do boi branco.
Como pessoa, simpatizo muito com Adriaanse. É um indivíduo extremamente educado, nunca ataca ninguém, e reagiu com enorme civilidade e elevação a todos os problemas por que passou, e lhe foram colocados sobretudo pelos próprios adeptos (?) do clube. Trata-se de um cavalheiro, a fazer de certa forma recordar Eriksson.
Penso também que nalguns aspectos de jogo, as suas ideias por vezes teimosas, acabaram por vingar. Fez de Quaresma um jogador melhor, transformou Pepe, Assunção e Raul Meireles em importantes activos do clube, e acabou por conseguir um espírito muito positivo dentro do grupo, mau grado todas as transformações que empreendeu. Apreendeu com inteligência todas as vicissitudes do futebol luso, adaptando-se bem a ele.
Todavia, não retirando mérito ao técnico holandês, continuo convencido que com Vítor Baía, Jorge Costa, Nuno Valente, Diego, Postiga, e um sistema de jogo mais tradicional o F.C.Porto teria possivelmente chegado mais longe na prova europeia, e teria certamente, com as baldas que Benfica e Sporting foram dando, conquistado o título de igual modo. É uma opinião que a próxima temporada vai seguramente confirmar ou desmentir.
Por ora resta-me, através deste espaço, de endereçar os meus parabéns a todos os portistas pelo 21º título do seu clube, que deixando-o ainda longe dos trinta e um do Benfica, o cimenta no segundo posto do ranking nacional de sempre, cada vez mais distante dos dezoito títulos do Sporting e dos singulares troféus alcançados por Boavista e Belenenses.

21/04/06

METEOROLOGIA PARA O FIM DE SEMANA

1x2
Penafiel-F.C.Porto: 10% 20% 70%
Nacional-Benfica: 30% 30% 40%
Sporting-Naval: 70% 20% 10%

19/04/06

SAI UM STROMP PARA LUCÍLIO

O árbitro setubalense Lucílio Baptista, envolvido no caso Apito Dourado, e nomeado para o Naval-Gil Vicente do passado sábado, conseguiu a curiosa façanha de deixar três jogadores da equipa da Figueira da Foz fora do confronto com o Sporting no próximo domingo. O mesmo juiz havia já esta temporada possibilitado aos leões jogarem com um Boavista amputado de cinco titulares, após vários cartões mostrados a eito no jogo Boavista-Sp.Braga, uma semana antes dos axadrezados se deslocarem a Alvalade.
Se Olegário Benquerença tudo tem feito desde há já muito tempo para merecer um Dragão de Ouro, que aliás lhe assentaria com inteira justiça, bem se pode dizer que um Prémio Stromp também não cairia nada mal a um tão esforçado Lucílio Baptista, sobretudo se nos lembrarmos que ele também esteve em Guimarães, onde não viu, nem um lance de Anderson Polga sobre Saganowski, nem um desvio de Marco Caneira com o braço, e que foi o árbitro do célebre Sporting-F.C.Porto das camisolas rasgadas e dum penalty “à” Liedson.

SONATA EM "RO" MAIOR

Embora já sem equipas portuguesas em prova, a Liga dos Campeões continua a ser um deslumbrante espectáculo para quem gosta de futebol. Tal tivemos oportunidade de comprovar ainda ontem, tanto sobre o relvado como, segundo se percebia, nas bancadas do mítico San Siro.
Naquela que era considerada a final antecipada, o carrasco do Benfica demonstrou uma vez mais que neste momento não tem rival no futebol europeu. Depois de uma primeira parte equilibrada em que as melhores oportunidades até foram dos transalpinos, o Barça arrancou para um segundo tempo de altíssimo nível, durante a qual foi capaz, em certos momentos, de vulgarizar o Milan na sua própria casa, à semelhança do que já havia feito esta temporada em Stanford Bridge, em Chamartin e na generalidade dos estádios por onde foi passeando a sua enorme classe.
Para além dos seus brilhantes artistas, este Barcelona de Frank Rijkaard tem também um modelo de jogo extraordinariamente bem articulado, com uma defesa rápida e segura, um meio campo sólido, robusto, pressionante e criativo (Van Bommel e Iniesta estão-se a revelar craques de primeira água), e um ataque eficaz e esmagador. Se nos recordarmos que ontem estava desfalcado de Deco, Messi, Larsson e Xavi, todos impedidos de jogar, verificamos o quanto este Barcelona vale, tendo tudo para poder fazer história no futebol europeu.
Durante o melhor período dos catalães, no qual a sua perfeita e sumptuosa circulação de bola colocou o adversário à beira da humilhação absoluta, dei comigo a vasculhar a memória, questionando-me que equipas teria visto jogar com tamanha qualidade. Não sou do tempo do Ajax de Cruyff e, deixando de lado selecções nacionais, as únicas formações que me consegui lembrar foram o Liverpool de Dalglish, Souness e Rush, e depois o Milan, o próprio Milan, de Van Basten, Gullit, Ancellotti e...Rijkaard.
Como qualquer orquestra de qualidade, esta também tem um grande maestro. Ronaldinho Gaúcho até começou o jogo de forma algo intermitente, mas na segunda parte abriu o livro, e que livro !
Se este Barça é das melhores equipas que me lembro de ver jogar, Ronaldinho, não tenho dúvidas, é o maior jogador do mundo desde Diego Maradona. O seu passe para o único golo do jogo é uma delícia, o lance em que remata ao poste um regalo. Vale bem a pena pagar um bilhete só para ver este homem jogar futebol, para apreciar o seu toque de bola, os seus dribles, os seus passes, a sua arte e todo um repertório de magia só ao alcance de verdadeiros deuses dos relvados, como Pelé ou o já referido Dieguito. O próximo mundial promete.
Por fim, gostaria de salientar o quão reconfortante é pensar que o Benfica conseguiu impor um empate a este colossal conjunto e discutir com ele a eliminatória até aos últimos instantes do segundo jogo, algo de que nem Chelsea, nem ao que parece o Milan, se poderão gabar. Quem pedia uma postura mais afirmativa aos encarnados nessa eliminatória, deve agora reflectir sobre a injustiça de tal grau de exigência perante tão poderoso opositor.

18/04/06

É SÓ ESCOLHER

Numa altura em que os dois rivais de Lisboa disputam o segundo lugar da nossa liga, e o consequente acesso directo à próxima edição da Champions League, convém actualizar os hipotéticos adversários que um deles poderá encontrar na pré-eliminatória daquela competição, tendo em conta que, quer um, quer outro, deverão entrar no sorteio como cabeças de série.
O lote de possíveis adversários terá uma configuração semelhante a esta: Galatasaray, Austria de Viena, Slovan Liberec, Fenerbahce, Fiorentina, Osasuna, Dinamo de Bucareste, Spartak de Moscovo, Dinamo de Zagreb, Estrela Vermelha, Hearts, Légia Varsóvia, Artmédia, Slavia de Praga, Salzburgo e Ujpest.
Não é fácil...

17/04/06

O SALÁRIO DE ROBERT

Noticiava o “Expresso” desta semana, que o francês Laurent Robert do Benfica estaria a receber mensalmente um valor de 190 mil euros, e que isso estaria a causar um enorme mal estar no balneário da Luz.
Sabendo-se que o semanário em questão se insere num grupo empresarial cuja relação com a actual direcção do Benfica não é a melhor, e que integra na sua equipa dirigente um jornalista como José António Lima, de um anti-benfiquismo absolutamente doentio e demonstrado cabalmente todas as quartas feiras na sua coluna de “A Bola”, é de manter alguma reserva acerca do teor da notícia.
Todavia, ainda que o valor seja verdadeiro, partindo do princípio que o mesmo engloba um prémio de transferência, e tomando cerca de 75 mil euros como um salário razoável de mercado para um jogador internacional, ficaríamos com um remanescente mensal de 115 mil euros, que multiplicado pelos dezoito meses de contrato totalizaria um prémio total de transferência de 2.070 mil euros, cerca de 415 mil contos em moeda antiga.
Independentemente do rendimento em campo do jogador, parece não estarmos propriamente perante montantes absurdos, como o “Expresso” pretende fazer crer.
O resto parece ser meramente especulativo. O ambiente no balneário benfiquista poderá de facto não ser o melhor, mas isso deve-se a um conjunto de circunstâncias que estarão muito para além do salário de um jogador. É algo a ser corrigido cuidadosamente neste defeso, pois há que retomar rapidamente o rumo que levou o clube ao título de campeão, e que passa por recentrar a política futebolística em torno dos seus principais jogadores, e estes, partindo do princípio que Simão Sabrosa será vendido, são fundamentalmente Moreira, Luisão, Petit, Nuno Gomes, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, Geovanni, Mantorras e...Quim.

LEMBRAR 1995

Maio de 1994, Manuel Damásio, presidente do Benfica, embriagado por um título conquistado numa época muito peculiar e por uma bem sucedida campanha de angariação de novos sócios, decidiu afastar o técnico campeão Toni e contratar aquele que era, na altura, um autêntico “Rei Midas” do futebol português, o circunspecto e sofisticado Artur Jorge.
A uma equipa campeã, que primava pela coesão e camaradagem (além do talento de Rui Costa, João Pinto, Isaías ou Paneira) não seria necessário adicionar muita gente, até porque a situação financeira era calamitosa. Ainda assim entraram (já com aval do novo treinador) Preud’Homme, Caniggia, Tavares, Nelo, Stanic, Edilson, Rui Esteves, Amaral, Clóvis, Paulo Bento e Paulo Madeira (uns muito bons, outros nem tanto).
Artur Jorge levou a equipa aos quartos de final da Liga dos Campeões, sendo derrotado pelo Milan, com quem perdeu em San Siro por 0-2 (num jogo que levou o técnico a dizer que aquela era a pior equipa que alguma vez havia orientado), empatando depois na Luz a zero.
No campeonato, o Benfica ficou em terceiro lugar, e desde cedo afastado da luta pelo título, sendo também afastado da taça pelo Vitória de Setúbal no Bonfim, num jogo após o qual Artur Jorge decidiu abandonar os seus jogadores e seguir sozinho de taxi para Lisboa. Já nessa altura havia sinais claros de instabilidade no balneário, causada, quer pela problemática integração dos novos elementos, quer pelo relacionamento dos principais jogadores do plantel com o treinador.
No verão de 1995 Manuel Damásio, ainda convicto da sua aposta, não só manteve a confiança na equipa técnica, como lhe deu amplos poderes para restruturar a equipa. Artur Jorge dispensou então jogadores como Neno, Veloso, Mozer, William, Vitor Paneira, Isaías e César Brito, para sugerir a contratação de, entre outros, King, Paredão, Marcelo, Luíz Gustavo, Mauro Airez, Hassan ou Paulão.
Ao fim da terceira jornada o Benfica apenas tinha dois pontos, resultantes de dois empates em casa com V.Guimarães e Salgueiros, obrigando Manuel Damásio, já fortemente pressionado, a tomar uma decisão.
O Benfica ficou então sem treinador (viria a ser Mario Wilson a pegar nas pontas e salvar a época na célebre taça do very-light), e sem a maioria dos seus principais jogadores (além dos dispensados, Rui Costa e Schwarz haviam sido vendidos, e os russos Kulkov, Yuran e Mostovoi saíram em litígio com toda a gente).
O clube mergulhou então na maior crise da sua história, esteve mais dez anos sem ser campeão, durante os quais as convulsões directivas e a falta de qualidade das dezenas de jogadores que por lá foram passando, acabaram por ser as notas mais salientes.
Quando se coloca a hipótese de o clube da Luz manter o holandês Ronald Koeman no comando da sua equipa de futebol, é bom que dirigentes, sócios e adeptos se recordem do que se passou em 1994 e 1995.
Todos temos obrigação de aprender com a história e, embora ela não se repita, há verdades que são eternas. Pior do que cometer um erro é insistir nele.

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Mais cartão, menos cartão, um único lance deixou dúvidas nos jogos dos grandes. A carga de Nelson dentro da área sobre um boavisteiro podia ter sido entendida de outra forma. De qualquer modo, num resultado de 0-2, um lance duvidoso nada muda em termos de pontuação.

F.C.PORTO 72
Benfica 68
Sporting 57

Os lugares na liga milionára já deveriam pois estar entregues...

VEDETA DA JORNADA

MANTORRAS: De quase proscrito por Koeman, Mantorras conseguiu mais uma vez emergir para uma situação de destaque, marcando golos importantes nesta recta final da temporada. Talvez não seja, talvez nunca viesse a ser, jogador para muitos milhões, mas a sua alma é única, traz consigo alegria, faz vibrar as bancadas, e o seu atípico modo de se movimentar em campo acaba por desorganizar as defesas contrárias.
Não é, de todo, jogador para ser emprestado.

A JORNADA PASCAL

Com a questão do título praticamente definida, a luta pelo segundo lugar ganhou este fim de semana um novo fôlego.
A três jornadas do fim, o Sporting continua a ter o pássaro na mão, até porque dispõe de vantagem no confronto directo e tem um calendário teoricamente mais favorável. Todavia, se nos lembrarmos do que aconteceu nas últimas duas temporadas, primeiro com Fernando Santos (três derrotas nos últimos quatro jogos) e depois com José Peseiro (duas derrotas nos últimos três), verificamos que tudo pode afinal ser possível.
No jogo da Amadora, os leões demonstraram uma grande apatia, sobretudo na primeira parte, certamente devido a algum desencanto em virtude da frustrante derrota da semana anterior. Pode mesmo afirmar-se que o Sporting acabou por ganhar um ponto, pois o Estrela fez o suficiente para merecer a vitória. Ficou claro que Paulo Bento tem pela frente um trabalho psicológico de monta, se quiser mesmo levar a equipa à qualificação directa para a Liga dos Campeões.
No Bessa, o Benfica ganhou bem, mesmo sem deslumbrar, num jogo em que o Boavista manifestou uma grande fragilidade. Depois de uma primeira parte mais equilibrada (e muito fraca de parte a parte), o Benfica apareceu melhor após o intervalo, e então o resultado podia ter mesmo atingido números mais elevados, se Simão e Miccoli não tivessem desperdiçado claras ocasiões de golo.
Destaques individuais positivos para Luisão, Manuel Fernandes, Simão, Mantorras e Manduca. Pela negativa é de salientar a prestação do grego Karagounis, que insiste numa irregularidade exibicional impressionante.
Havia dez anos que o Benfica não ganhava no Bessa, e que melhor altura para matar um borrego que o fim de semana da Páscoa.
O F.C.Porto cumpriu a sua obrigação, ainda que com uma exibição muito aquém daquilo que seria de esperar de uma equipa quase campeã (falta-lhe agora apenas uma vitória). Mas o que é certo é que, jogando bem ou mal, leva sete vitórias consecutivas sem sofrer qualquer golo (e treze jogos sem sofrer golos de bola corrida...).
A luta pela manutenção continua ao rubro, com Belenenses, Marítimo e Académica a darem passos importantes este fim de semana. Rio Ave e Naval complicaram muito as suas contas.
Mas a nota dominante desta liga continua a ser o mau futebol.
Ao contrário da temporada passada, a maioria dos jogos (pelo menos os dos grandes) são enfadonhos, mal jogados e previsíveis. A média de golos em jogos de Benfica, F.C.Porto e Sporting desceu para 2,2 enquanto na temporada passada era, na mesma altura, de 2,5, o que parece ser sintomático.
Nivelamento por baixo é isto mesmo. Ou não ?

12/04/06

CENTO E CINQUENTA MIL

O Sport Lisboa e Benfica atingiu ontem os 150 mil sócios, tornando-se o segundo clube do mundo neste particular, apenas ultrapassado em dois mil pelo Manchester United.
Apesar da meta ambicionada –extremamente ambiciosa – não ter ainda sido atingida, o que se tem de dizer objectivamente é que a campanha de angariação de novos sócios permitiu ao clube da Luz quase duplicar o número dos seus associados (após a renumeração de há um ano, teria cerca de oitenta mil sócios).
Os proveitos resultantes desta rubrica ascenderam já a mais de dez milhões de euros (só a simples venda dos Kits andará perto de quatro milhões) e não é difícil de imaginar que possam no corrente exercício vir a ultrapassar os quinze milhões, ou seja mais do que o total das receitas televisivas e mais do que todas as verbas acumuladas na presente edição da Champions League.
Pode-se teorizar ou mesmo glosar as afirmações do presidente encarnado acerca do número de Kits vendidos, mas a verdade é que a iniciativa tem sido um sucesso retumbante, ao qual seguramente muito contribuíram a conquista do título na época passada e a extraordinária carreira na liga milionária deste ano.
É um facto que qualquer gestão só pode ser devidamente avaliada no final do respectivo mandato, mas o que se percebe, mais afirmações menos afirmações, mais título menos título, mais Koeman menos Koeman, é que Luís Filipe Vieira está a caminho de se tornar um dos maiores presidentes da história desta centenária instituição.
Outra verdade que fica desta notícia é que, mesmo numa conjuntura fortemente marcada pela mercantilização de quase todos os quadrantes da vida, a força do Benfica continua a ser o seu povo.

METEOROLOGIA PARA O FIM DE SEMANA

Desta vez um pouco mais cedo, dada a quadra pascal

1x2
Boavista-Benfica: 30% 40% 30%
E.Amadora-Sporting: 20% 30% 50%
F.C.Porto-U.Leiria: 85% 10% 5%

10/04/06

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Em Alvalade, mau grado a confrangedora arbitragem de Duarte Gomes, não houve casos passíveis de influenciar directamente o resultado do jogo. Todavia na Luz, um empurrão pelas costas a Ricardo Rocha, obriga a ressarcir dois pontos ao Benfica.

Nova ordenação:

F.C.PORTO 69
Benfica 65
Sporting 56

VEDETA DA JORNADA

JORGINHO : Um jogador que marca um golo que vale um título merece sempre o destaque. Se a esse golo junta uma excelente exibição, no regresso a uma titularidade de onde saíra pela porta do fundo, temos a escolha reforçada. Jorginho foi o homem do jogo em Alvalade, e vai ficar a marcar a época (e o título) dos azuis e brancos.

UM TIRO NO PÉ

O Benfica, perante mais de quarenta e cinco mil pessoas, desaproveitou de forma quase suicida a oportunidade que se lhe deparava de aproximação ao Sporting, na luta pelo acesso directo à Liga dos Campeões.
Koeman pediu desculpa aos adeptos pelos primeiros quarenta e cinco minutos, mas a verdade é que podia tê-la pedido também por um largo período do segundo tempo, pois só após o 0-2 e a entrada de Manduca, os encarnados jogaram um futebol capaz de justificar o amplo favoritismo que traziam para esta partida. Ainda foram a tempo do empate, mas os dois pontos perdidos não deixam de ser um rude golpe na esperança de aceder directamente à próxima edição da Champions League, que a derrota do Sporting na véspera proporcionara.
O técnico holandês, antes de lançar o anátema da culpa em cima dos seus jogadores, podia também reflectir sobre o seu desempenho à frente de uma equipa que era campeã quando ele lhe pegou, mas passado um ano, muitos reforços depois, e mau grado algumas excelentes prestações internacionais, a verdade é que continua a denotar uma incrível desorganização e falta de imaginação em campo, não tendo ainda encontrado, à 30ª jornada, a receita para ultrapassar defesas rigorosas e povoadas como são as da maioria das equipas que visitam a Luz na competição nacional. Devia também repensar certas opções que tem tomado e que, mais do que fragilizarem a performance técnico-táctica da equipa – de onde ressaltam os paradigmáticos casos de Marcel e, sobretudo, Laurent Robert – têm fragilizado a coesão do grupo, que se tem apresentado nos jogos domésticos sistematicamente sem alma de campeão, deixando a quem assiste a constante e incómoda sensação de desunião entre jogadores, e entre estes e o seu técnico.
A direcção do clube da Luz deve equacionar muito bem no final desta época, se um técnico com o perfil deste holandês, proveniente de uma cultura de matriz eminentemente nórdico-protestante, por norma um tanto negligenciadora de aspectos de índole psicológica, será o mais adequado para gerir um plantel onde abundam latinos e sul-americanos, cujas idiossincrasias comportamentais requerem seguramente um estilo de liderança muito mais afectuoso e estimulador. Na minha opinião, apesar da gratidão a que os bons resultados europeus obrigam, não me parece que o Benfica tenha muito a ganhar com a continuidade de Koeman no comando da equipa. Um renascer da filosofia da época passada, começada a edificar dois anos antes por José António Camacho, seria quanto a mim o caminho mais próximo para a reconquista duma hegemonia nacional, sem a qual as eventuais boas prestações e vitórias europeias acabam por ficar de algum modo descalças de uma sustentabilidade efectiva.
Mas deixando este tipo de análise para o final de um campeonato que ainda não acabou, o que se pode dizer do jogo de ontem é que, apesar de todas as críticas que se possam fazer, o Benfica até podia e devia ter ganho. Em primeiro lugar porque criou várias oportunidades (além dos dois golos teve, pelo menos, mais quatro ocasiões flagrantes); em segundo porque o Marítimo - à imagem do seu técnico e daquilo que havia feito no mesmo local ao leme da equipa do Gil Vicente logo na segunda jornada – nada fez para ganhar o jogo, e passou grande parte dos noventa minutos tendo como única estratégia a queima de tempo e a irritação aos adversários e ao público; e em terceiro porque o árbitro não assinalou uma grande penalidade por empurrão pelas costas a Ricardo Rocha, que no momento em que sucedeu, podia ter ajudado a virar o jogo (além deste lance houve um outro com Miccoli, que no entanto é desculpável pois a bola não estava no local, e no estádio confesso que também não me apercebi da agressão).
Já referi acima que os últimos minutos do Benfica foram empolgantes, com Mantorras, Simão e Manduca muito activos e empenhados em evitar a derrota, e um Marítimo já desesperado, quase sem sair da sua área, e completamente incapaz de trocar dois passes sem perder a posse de bola. Julgo que, se o jogo durasse mais cinco minutos, o Benfica poderia chegar a uma vitória que os seus quarenta e cinco mil adeptos presentes bem mereciam. Paradoxalmente, esses momentos foram jogados com um esquema táctico de três defesas, que Koeman tentou implementar no início da época e ao qual entretanto nunca mais voltou.
Individualmente, além dos três casos referidos, gostaria de absolver também Léo, Manuel Fernandes, Ricardo Rocha e Petit, este apenas pelo golo marcado.
Pela negativa, além de um Marcel pesado, lento e complicativo, há que referir um Nelson claramente inferiorizado, e um inqualificável Laurent Robert, que sendo seguramente dos mais bem pagos do plantel, insiste em evidenciar uma indolência e uma apatia absolutamente incompreensíveis num jogador com as referências que este francês trazia (recordo as palavras de José Mourinho dizendo tratar-se de uma grande contratação). Luisão esteve mal no lance do segundo golo madeirense, enquanto que Moretto, depois da segura exibição da Catalunha, voltou aos seus piores momentos, com duas “morettisses" crassas (perdoem-me a expressão, que todavia acho ser a mais adequada para descrever os respectivos lances) que mais uma vez, para sua felicidade, não resultaram em golo (mas mesmo nos golos, o brasileiro podia ter feito mais).
Sobre o árbitro, além do que disse acima, será ainda relevante referir que a grande penalidade assinalada não oferece qualquer dúvida, tal como o golo bem anulado a Miccoli. No cabeceamento de Mantorras que Marcos defende sobre a linha, ficou a dúvida se a bola a teria ou não ultrapassado. Em consciência não poderei afirmar uma nem outra coisa, pelo que sou forçado a dar o benefício da dúvida ao árbitro assistente.
O segundo lugar não fica assim nada fácil para os da Luz, pois além dos quatro pontos de desvantagem, o Sporting leva a melhor no confronto directo, o que o obrigaria pelo menos, a perder um jogo e empatar outro, dos quatro que restam, tendo o Benfica que vencer todos os seus (entre os quais três deslocações ao Bessa, Choupana e Mata Real perante um dos mais aflitos), para haver um volte-face classificativo. Com uma vitória ontem, e a pressão que cairia sobre os leões, talvez fosse possível lá chegar. Assim não é crível que tal aconteça, pelo que teremos o Benfica, em ano de mundial, a ter de começar a época bastante mais cedo e a ficar dependente dos ditames de um sorteio para se saber que tipo de adversário terá que ultrapassar para entrar na elite do futebol europeu.

MAU GOSTO

Já sabemos que as rivalidades clubistas se sobrepõem ao patriotismo. Embora não seja uma situação desejável nem, diga-se, muito saudável, tem que se considerar normal, e o facto é que é comum assim ser em toda a Europa, entendendo-se por isso as provocações de adeptos aos seus rivais aquando de desaires europeus.
Aproveito para dizer que essa nunca será a postura do VEDETA DA BOLA, que sempre que estiver em jogo o nome de Portugal, procurará assumir, com maior ou menor entusiasmo (conforme os casos), um comportamento patriota. Entendo que outros blogs optem por outros caminhos, tal como aceito, com desportivismo, que amigos meus de outras cores possam lançar uma ou outra farpa quando vêm o Benfica fora das provas europeias.
Já não se compreende, nem se aceita, é quando essas provocações passam da esfera da conversa de café para o plano institucional.
Ao passar na aparelhagem sonora do Alvalade XXI a canção de Monserrat Caballé intitulada “Barcelona”, justamente antes de iniciar a discussão do título nacional frente ao F.C.Porto, o clube leonino deu uma cabal demonstração de um certo complexo de inferioridade face ao seu eterno e odiado rival, e de uma forma de se comportar perante o fenómeno futebolístico algo boçal e provinciana (sempre em torno da negatividade da sua relação de rivalidade com o Benfica), absolutamente nos antípodas daquilo que os seus responsáveis sempre têm feito crer defender.
Eventualmente, e sabendo-se o desfecho do jogo, cada um tem o castigo que merece, mas tenho a certeza que algo semelhante nunca se passaria noutros locais bem perto daquele. Nem que fosse por desdém ou altivez.
É justamente por aspectos como este, que uns são grandes e outros nem tanto.

MINUTO OITENTA E QUATRO

O fantasma do minuto oitenta e quatro voltou a atacar o Sporting.
Na época passada, em jogo decisivo para a atribuição do título, ao minuto oitenta e quatro o brasileiro Luisão marcou a Ricardo e deitou por terra as ambições da equipa leonina. Agora em Alvalade, no mesmo minuto e em jogo também decisivo, o brasileiro Jorginho marcou novamente na baliza de Ricardo, oferecendo praticamente o título aos dragões, e empurrando o Sporting para a desconfortável situação de mais uma temporada, a quarta consecutiva, sem conquistar qualquer trofeu.
Matematicamente nada está definido, mas todos sabemos que o campeão está, na prática, encontrado. E pode-se dizer, de forma justa.
Defendi neste espaço que o F.C.Porto de Adriaanse não era uma equipa muito convincente. Em Alvalade foi-o, fazendo uma das exibições mais sólidas que me recordo, e na qual, pela primeira vez nesta liga, foi capaz de dominar e vencer um adversário directo.
Mas independentemente dos méritos futebolísticos desta equipa, cujo plantel poderia apontar para uma época mais brilhante, sobretudo a nível internacional, a verdade é que foi até agora indiscutivelmente a mais regular do campeonato, aquela que vacilou menos vezes, e de forma menos drástica, sendo por isso um justo líder.
Embora nas provas por eliminatórias nem sempre seja assim, num campeonato com trinta e quatro jornadas, quem chega ao fim com mais pontos é sempre um campeão justo. Esta é uma verdade insofismável.
No sábado o F.C.Porto soube brilhantemente aproveitar uma enorme lacuna deste Sporting, que é a total ausência de flanqueadores. Ao colocar um elemento sobre Abel, primeiro Quaresma e depois Alan, Adriaanse manietou todo o jogo exterior dos leões, sendo simultaneamente capaz de garantir supremacia defensiva perante os dois pontas de lança adversários – Bosingwa, Pedro Emanuel e Pepe, para Liedson e Deivid – podendo reforçar o meio campo com um pivot defensivo a tempo inteiro (Paulo Assunção), e com um elemento mais livre e ofensivo (Jorginho), capaz de pressionar e condicionar a transição ofensiva do Sporting a partir do seu meio campo.
Na antevisão que fiz do jogo apontei para a utilização de Jorginho (que veio a ser o homem do jogo), mas não tive em conta que a sua colocação numa zona intermédia, juntamente com a subida de Paulo Assunção, fosse capaz de garantir superioridade em todo o campo. Por isso uns são treinadores, como Adriaanse, e outros são apenas curiosos e interessados, como eu.
Mas independentemente desta lição táctica do mal amado técnico holandês, tem que se dizer que houve duas unidades no Sporting que, pelo seu apagamento, acabaram por limitar a força colectiva da equipa, falo dos dois melhores jogadores dos leões, João Moutinho e Liedson. O brasileiro, algo limitado fisicamente, nunca foi capaz de afligir a defensiva nortenha, e Moutinho acabou enleado na teia que foi o meio campo portista, muito povoado e pressionante.
O risco assumido por Paulo Bento de, nos últimos minutos, defender com três homens (surgindo nessa fase o F.C.Porto já reforçado com Adriano), foi um tanto contraditório com o seu discurso, e também com o próprio perfil da equipa. Um resultado de 0-0 deixava tudo em aberto, ficando o Sporting com vantagem no confronto directo. Todavia é fácil elaborar teorias depois dos factos consumados.
O jogo não foi bom, como seria de temer num confronto absolutamente decisivo, mas a agravar contou ainda com uma arbitragem bem “à portuguesa”, sem influência no resultado (Quaresma podia ter sido expulso pelo segundo amarelo, embora na verdade o primeiro tenha sido forçado), mas com forte e decisiva influência no mau espectáculo, com constantes interrupções e cartões absurdos, que originaram inúmeras simulações, foram enervando e limitando os jogadores, e irritando todos aqueles que gostam de futebol fluído. Cinquenta e uma faltas e treze cartões num jogo normal e correcto definem a falta de categoria do árbitro, o mesmo que há uns anos estragou outro clássico, então na Luz um Benfica-Sporting, assinalando uma inacreditável grande penalidade sobre Jardel (curiosamente em lance com Marco Caneira, à época no Benfica), num dos erros de arbitragem mais absurdos que me lembro de ver num relvado português.
Neste clássico, individualmente, destacaram-se Jorginho, Raul Meireles e Pepe no F.C.Porto, enquanto que no Sporting Carlos Martins, até sair, estava a ser o mais batalhador e influente, não se entendendo portanto a sua substituição.
Ficou a justa vitória portista e assim praticamente terminou a luta pelo título, com imagens de desolação e lágrimas nas bancadas de Alvalade, algo recorrente nos últimos anos, pois após a perda do lugar na Champions em 2004 com Fernando Santos e três derrotas nas últimas jornadas (sofrendo também então um golo de um brasileiro Geovanni, nos últimos minutos em casa frente ao Benfica), após o golo de Luisão na Luz em Maio passado, após a derrota em casa na final da Uefa, após a eliminação pela Udinese, após a incrível saída da Uefa aos pés do Halmstad, após a eliminação por penaltys das duas últimas Taças de Portugal, e agora também perdendo o título em casa nos últimos instantes da partida, bem se pode dizer que o Sporting necessita de “ir à bruxa”. E veremos se as coisas ficam por aqui...

07/04/06

UMA VERDADEIRA FINAL

Joga-se o título em Alvalade.
Quem ganhar amanhã será certamente campeão. Qualquer outro cenário, embora possível à luz da imprevisibilidade que o futebol sempre acarreta, tornar-se-á absolutamente surpreendente.
Se o F.C.Porto conseguir a vitória poderá festejar desde logo, pois uma vantagem de cinco pontos (na verdade seis) a quatro jogos do fim será seguramente definitiva. Se o Sporting obtiver o triunfo, embora a prudência aconselhe a guardar as comemorações para mais tarde (um ponto é um ponto), dará também um passo firme e decisivo em direcção ao título, pois com a segurança e regularidade exibida em toda a segunda volta, fortalecida então pela vitória sobre o principal adversário, não parece crível poder vir a vacilar depois. O empate favorece o F.C.Porto, sobretudo se for com golos, e a verificar-se a igualdade, por certo que os dragões também não deixarão fugir o título.
Mas quem poderá então levar a melhor ?
Na minha opinião, o Sporting apresenta-se neste momento com uma considerável dose de favoritismo.
Na verdade o F.C.Porto de Adriaanse, mau grado algumas plasticamente bem conseguidas exibições, nunca convenceu em absoluto da sua consistência, a começar pelos seus próprios adeptos. É uma equipa com um modelo de jogo futurista, incorporando uma dose de aventureirismo táctico que não me parece capaz de se encaixar com muito sucesso na realidade do futebol actual, como ficou bem patente na sua tristonha presença na Liga dos Campeões. Mantém-se em primeiro lugar sobretudo graças ao talento individual de alguns dos seus jogadores e à variedade de soluções atacantes de que dispõe no plantel, tem também beneficiado de uma generalizada quebra de nível de muitas das equipas do principal escalão nacional, dos equívocos do Sporting de Peseiro, que iniciou a época muito mal, e da aposta mais ou menos assumida do Benfica na Champions. Mantém-se em primeiro lugar apesar das corrosivas opções de Adriaanse, e não devido a um qualquer incomum mérito do técnico holandês que, aliás, não ostenta ainda, aos cinquenta anos, qualquer título no seu palmarés. Tenho para mim que um F.C.Porto com Vitor Baía, Jorge Costa, Nuno Valente, Diego, Helder Postiga, quatro defesas e um modelo táctico equilibrado, seria muito mais forte que este. Mas os resultados são o que são, e o F.C.Porto tem ganho os seus jogos e comanda a classificação. Com alguma sorte até pode sair de Alvalade quase campeão.
Quanto ao Sporting, pode-se dizer que a sua segunda volta tem sido uma enorme surpresa. Quem diria, no intervalo do último Benfica-Sporting, com os leões a perderem e a correrem o risco de ficar a nove e doze pontos dos seus dois principais adversários, que nesta fase da época estariam em tão boa posição para se tornar campeões ?
O mérito desta imaculada caminhada vai inteiramente para Paulo Bento. O técnico do Sporting, sem formação nem experiência, tem demonstrado uma personalidade notável, um conhecimento do fenómeno futebolístico (sobretudo das especificidades da nossa liga)que está muito para além do que os holandeses de Porto e Benfica conseguiram apreender nos meses que levam de futebol português.
Disciplina, coesão, união, combatividade e alma, eram elementos praticamente ausentes do Sporting de José Peseiro, de tipologia bastante artística mas demasiado macio e desorganizado para as ambições que tinha. Paulo Bento limpou a cabeça dos jogadores, disciplinou-os, não hesitando em recorrer a represálias sempre que necessário, soube-os motivar fortemente, viu-se livre de alguns elementos a quem o clima no balneário não seria totalmente favorável, e foi capaz de identificar com grande perspicácia as lacunas técnico-tácticas da equipa, designadamente nas faixas laterais da defesa, acolhendo Abel e Caneira como reforços de inverno que dotaram a equipa de uma solidez defensiva que até então nunca havia patenteado. Teve ainda o mérito de re-implementar um esquema táctico que assenta como uma luva nas características dos jogadores do plantel leonino (carregado de criativos médios centro, sem extremos e com um pivot que se sente muito mais confortável só do que acompanhado), designadamente o meio campo em losango e dois pontas de lança, abandonando de vez as ideias de 4-3-3 que Peseiro procurava promover.
Na sequência da apreensão das suas simples mas eficazes ideias, o Sporting iniciou uma cavalgada impressionante de vitórias, pouco entusiasmantes em termos de beleza de jogo, mas extremamente seguras e convincentes.
Os leões aparecem assim a cinco jornadas do fim, a depender apenas de si próprios e, na minha opinião, como principais favoritos ao ceptro nacional.
Neste jogo, não será lícito esperar que venham a abandonar as premissas essenciais que lhes suportaram toda esta série de vitórias. Muito calculismo, muito rigor táctico e muita paciência, na expectativa que um erro defensivo ou um golpe de génio de Liedson possam resolver a contenda.
Os quatro elementos da linha defensiva, com o apoio de Custódio, serão certamente capazes de manter a superioridade numérica no processo defensivo perante todos os avançados do F.C.Porto. Na frente, Liedson e Deivid, juntamente com as entradas de Sá Pinto ou de um dos interiores, poderão ser suficientes para obrigar ao recuo permanente de Paulo Assunção para a posição de quarto central (partindo do princípio que Cech não recupera), despindo o meio campo dos nortenhos de um dos elementos mais versáteis nas transições defensivas.
No centro do terreno, o losango leonino terá, a meu ver, todas as condições para se superiorizar a um Lucho regressado de lesão, apenas acompanhado de Raul Meireles, permitindo assim ao Sporting um controlo de jogo capaz de impedir o caudal de jogo atacante com que o F.C.Porto consegue por vezes massacrar equipas mais frágeis.
Não terá então o F.C.Porto nenhumas hipóteses de sair de Alvalade com um resultado positivo ? Claro que tem!
Primeiro que tudo, começa o jogo em vantagem pois o empate favorece-o. Depois, está ainda por provar se a estratégia do Sporting, normalmente muito cautelosa e pouco audaz, também funciona contra equipas de maior quilate, e em jogos onde só a vitória lhe interesse (na Luz enfrentou um semi-Benfica), ou seja, se os leões, promovendo um controlo de jogo mais passivo do que afirmativo (matriz identitária do perfil futebolístico desta equipa), serão capazes de assumir o jogo e criar as situações de golo suficientes para alcançar a vitória, evitando um eventual 0-0. Por fim, resta sempre aos portistas a esperança de resolverem o jogo num golpe de génio de um dos seus artistas, e quando falamos em artistas todos nos lembramos de imediato de Ricardo Quaresma, que se Adriaanse for inteligente deverá tender a aparecer mais pelo lado esquerdo, evitando a forte marcação de Caneira, e limitando simultaneamente as acções ofensivas de Abel (o facto de o Sporting não dispor de extremos, e de Abel poder ficar manietado pela marcação a Quaresma, pode também permitir ao F.C.Porto uma articulação mais segura no seu estranho processo defensivo).
Os dados estão pois lançados, e agora resta-nos esperar um grande espectáculo. Um golo nos momentos iniciais pode ser a chave para o show. Caso contrário veremos seguramente uma partida muito táctica, onde o calculismo do resultado irá imperar sobre a criatividade dos jogadores.
As equipas deverão alinhar deste modo:
Sporting- Ricardo, Abel, Tonel, Polga, Caneira, Custódio, Carlos Martins, João Moutinho, Sá Pinto, Liedson e Deivid.
F.C.Porto-Helton, Bosingwa, Pepe, Paulo Assunção, Pedro Emanuel, Raul Meireles, Lucho Gonzalez, Quaresma, McCarthy, Adriano e Jorginho.

METEOROLOGIA PARA O FIM DE SEMANA

1x2
Sporting-F.C.Porto: 50% 30% 20%
Benfica-Marítimo: 70% 20% 10%

06/04/06

DE CABEÇA BEM ERGUIDA

Acabou-se !
O Benfica saiu da Liga dos Campeões, mergulhando na tristeza e na desilusão a sua gigantesca massa adepta, que bem lá no fundo do seu espírito, depois de várias e inesperadas alegrias, já ia começando a acreditar que a sua equipa se pudesse vir a transformar numa espécie de Grécia desta competição.
Observando a realidade com alguma frieza, constata-se que o destino do Benfica nesta Liga ficou traçado aquando do sorteio, no qual, de um lote onde figuravam equipas como o Villareal, Inter de Milão ou Arsenal, lhe saiu a melhor equipa do mundo da actualidade, aquela que ninguém queria apanhar. Foi este o azar do Benfica, tal como havia sido a sorte do F.C.Porto, há dois anos atrás, encontrar pela frente Lyon, Corunha e Monaco, a partir dos quartos de final da mesma prova, o que lhe permitiu fazer história no futebol português e internacional.
Mas a vida não é feita de “ses”, pois caso contrário poderíamos também estar agora a falar do penalty da primeira mão que ficou por assinalar, e que poderia ter transformado o cariz da eliminatória, ou da flagrante oportunidade de golo desperdiçada por Simão Sabrosa só com Valdés pela frente, já a meio da segunda parte do jogo de ontem.
A realidade objectiva, e que deve orgulhar todos os benfiquistas, é que o clube da Luz foi capaz de discutir a eliminatória até aos últimos minutos, obrigando o Barcelona, em sua própria casa, a reforçar a defesa, queimar tempo e manifestar alguma tremideira, sendo capaz de criar claras oportunidades de marcar um golo que lhe daria seguramente o acesso às meias finais. O Benfica sai assim pela porta da frente da liga milionária, com a noção de ter o seu dever cumprido, de ter proporcionado momentos inesquecíveis aos seus sócios e adeptos, de lhes ter permitido ver actuar em Lisboa as maiores estrelas do futebol mundial da actualidade, de ter reconquistado o respeito e o prestígio internacional, de ter enchido os cofres do clube, e de ter ganho uma experiência competitiva fantástica que poderá dar frutos nos próximos anos.
No jogo de ontem, a equipa entrou algo nervosa, e toda a primeira parte foi muito pouco conseguida, tal como já havia acontecido na primeira mão na Luz. O penalty cometido logo aos três minutos é prova desse desnorte, e nem a soberba defesa de Moretto ajudou o Benfica a acalmar a tensão. Diz uma máxima do futebol que qualquer equipa joga o que a outra deixa jogar, e isso não pode deixar de ser lembrado, sobretudo quando se joga com a melhor equipa do mundo. O Barcelona fez ao longo do primeiro tempo uma asfixiante pressão sobre os jogadores do Benfica, que mal conseguiam sair da sua zona intermediária. Marcou um golo com naturalidade, e podia ter aumentado a vantagem à beira do intervalo após uma inacreditável falha de Léo que permitiu a Van Bommel isolar-se e desferir um forte pontapé que Moretto defendeu com grande classe.
No segundo período, e sobretudo após a entrada de Karagounis (que possivelmente não apresentaria índices físicos para os noventa minutos), os encarnados libertaram-se da pressão, enervaram o Barcelona (um golo sofrido ser-lhe-ia fatal), e acabaram por construir as melhores ocasiões de golo dessa fase, designadamente no lance já referido, em que Simão, superiormente servido por Miccoli atirou a rasar o poste, e depois, através de um remate de meia distância de Karagounis que o guarda redes catalão defendeu com dificuldade, falhando depois Luisão a recarga, quando estávamos a apenas quatro minutos do fim.
O segundo golo do Barcelona deu-se já em momentos de ataque desesperado e de risco total, numa fase em que, se o Benfica marcasse resolveria a seu favor a eliminatória, pelo que tudo havia que tentar. Perder 1-0 ou 2-0 era praticamente igual.
Fica alguma mágoa pelo facto de os dois golos terem sido fruto de falhas individuais algo evitáveis, no primeiro caso de Beto, e no segundo de Petit e Anderson. Mas estes jogos são mesmo assim, um erro decide-os, e o que se tem de reconhecer é que o Barcelona mereceu passar a eliminatória, pois no conjunto dos dois jogos demonstrou ser inequivocamente melhor equipa que o Benfica.
Lyon, Juventus e Inter de Milão foram os outros eliminados da ronda, nenhum deles por equipas melhores que o Barça, pelo que este resultado não deslustra minimamente o Benfica, nem apaga a sua brilhante participação europeia.
Aguarda-se que na próxima época se possa, pelo menos, repetir este desempenho, o que seria fantástico quer em termos de prestígio, quer também no aspecto financeiro.
Espera-se também que os benfiquistas possam dar uma enorme manifestação de apoio à sua equipa, quando no próximo domingo à tarde receberem o Marítimo na Luz. Julgo que estes jogadores merecem ver o estádio cheio.

UM A UM

Não foi um jogo propício a grandes brilhantismos, mas ainda assim há que destacar alguns elementos. Eis os benfiquistas individualmente de um a cinco, e ainda breves notas sobre os catalães e equipa de arbitragem

MORETTO (4) Grande exibição do gigante brasileiro. Foi talvez o jogo em que exibiu maior segurança desde que está no Benfica, começando por defender um penalty do melhor jogador do mundo – o que certamente lhe deu enorme confiança – e voltando a brilhar opondo-se tenazmente a remate de Van Bommel perto do final da primeira parte. Em toda a segunda parte esteve sempre seguro, e nos golos pouco podia fazer. O melhor benfiquista em campo.
RICARDO ROCHA (3) Muito bem em quase todo o jogo, mas deixando a sensação de que podia ter feito algo mais no primeiro golo, em que deixou Ronaldinho rematar sem oposição dentro da área encarnada. Ainda assim nota positiva.
LUISÃO (4) Mais uma excelente exibição do grande central brasileiro. Foi o comandante da defesa, estando sempre presente, mesmo quando outros falhavam. Limpou todo o jogo aéreo, e nos golos não tem qualquer responsabilidade.
ANDERSON (2) Ao contrário do seu parceiro do lado, esteve directamente envolvido nos dois golos, e se no primeiro há que dar mérito ao excelente trabalho de Eto’o, que o deixou pregado ao relvado, já no segundo se trata de um duplo erro de central brasileiro, primeiro devolvendo a bola a Ronaldinho, e depois falhando a intercepção do seu passe.
LEO (2) Um dos jogos mais fracos que fez com a camisola do Benfica. Teve uma inacreditável falha que quase permitiu o segundo golo ao Barça ainda na primeira parte, e no restante tempo esteve sempre algo ausente, quer a atacar, onde não existiu, quer mesmo a defender, onde teve grandes dificuldades em fechar a sua zona de acção.
PETIT (2) Irreconhecível o grande médio benfiquista. Começou logo mal, cometendo uma grande penalidade tão evidente quanto escusada, e pelo tempo fora nunca deixou de evidenciar uma tremenda desinspiração. Muitos passes falhados, más intercepções, e a culminar, uma perda de bola infantil da qual resultou o segundo golo catalão. O enorme Petit de muitas outras ocasiões não esteve em Camp Nou.
BETO (2) Até começou bem o jogo, recuperando bolas e passando-as com critério. Após um primeiro quarto de hora de grande qualidade “borrou a pintura”, perdendo ingenuamente a bola que resultou no primeiro golo do Barcelona. Não mais se encontrou, sendo ao longo do jogo, mais o Beto dos frequentes assobios na Luz, do que o Beto melhor em campo no jogo da primeira mão.
MANUEL FERNANDES (3) Foi o melhor benfiquista da primeira parte, a par de Moretto, ocupando muito bem os espaços e sendo dos poucos capazes de controlar a posse de bola e temporizar o jogo. No segundo tempo decaiu um pouco, mas ainda assim a sua substituição foi algo supreendente. Nota positiva, à beira do “quatro”.
SIMÃO (3) Foi um jogo sobretudo infeliz do capitão. Esforçou-se muito, correu, foi capaz de criar algum perigo na zona defensiva catalã, resistindo à dura e constante pressão do meio campo defensivo adversário. Teve nos pés a glória, e a sua falha vai ficar a marcar este jogo e esta eliminatória. Não merecia.
MICCOLI (4) Num jogo tremendamente ingrato para o italiano, sozinho no ataque e com pouquíssimas bolas a chegarem lá, Miccoli foi ainda assim capaz de ser um elemento em foco, e cada vez que dispôs de bola e algum espaço, foi capaz de pôr em sentido a defesa do Barça. O passe a desmarcar Simão no lance da melhor oportunidade do Benfica, é simplesmente magistral, e ainda teve alguns pormenores de grande qualidade, não sendo por ele que o Benfica caiu.
GEOVANNI (2) Exibição muito apagada do extremo brasileiro, devolvido à sua posição tradicional. Não pareceu nas melhores condições físicas, o que é uma atenuante, mas a sua substituição só pecou por tardia.
KARAGOUNIS (4) Entrou mais uma vez muito bem na equipa, deixando no ar a ideia de que só devido a problemas físicos não caberá no onze encarnado. O seu fortíssimo remate, defendido com dificuldade por Valdés a quatro minutos do fim, podia ter marcado a sua época na Luz. Mexeu com o meio campo, dando-lhe critério na posse e circulação de bola, contribuindo para afastar o jogo de perto da área encarnada.
MARCEL (1) Não terá sido o melhor cenário para se exigir um bom desempenho ao brasileiro. Entrou perto do fim, numa fase de desespero, e pouco podia fazer. Ainda fez um bom remate à baliza.
ROBERT (1) Não trouxe nada de novo ao jogo, como vem infelizmente sendo hábito.

No Barcelona destacaram-se Eto’o (o melhor em campo), um golo e uma assistência preciosa, Iniesta, Van Bommel, e Puyol, para além de Victor Valdés, com pouco trabalho, mas sempre muito seguro. Ronaldinho fez uma exibição bem razoável, mas curta para aquilo que dele sempre se espera.

O árbitro não teve influência no resultado - ao contrário do que sucedera com o seu colega inglês no jogo de Lisboa - mas ainda assim pareceu aplicar critérios distintos em diversas faltas a meio campo, empurrando o Benfica para trás, justamente quando a equipa portuguesa dava mostras de querer assumir o jogo. Não beneficiou o espectáculo, interrompendo-o constantemente, e distribuindo cartões por tudo e por nada, mas sempre aos jogadores benfiquistas. Uma má arbitragem.
O penalty é tão claro quanto o da primeira mão. Nou Camp é que não é a Luz...

VEDETA DO JOGO : Samuel Eto’o

05/04/06

SEM MEDO !

Quando estamos apenas a algumas horas da batalha de Nou Camp, o nervoso miudinho começa a invadir o corpo e a alma dos benfiquistas. Afinal, trata-se de um momento que se pode transformar na mais retumbante glória.
Embora pouco seja exigível aos jogadores do Benfica, a verdade é que, chegados aqui, todos esperamos ainda mais qualquer coisinha. Depois do que já foi alcançado, todos acreditamos firmememnte em que seja possível mais uma proeza.
Se o Benfica for eliminado, apesar da excelente campanha, restará o amargo travo de uma época quase em branco. Se resistir ao Barça, sairá de Nou Camp sobre nuvens, como um dos legítimos pretendentes ao ceptro europeu e com a época absolutamente salva.
Em rigor, não se pode falar em momento histórico. É a décima sexta vez que Benfica disputa os quartos de final, e se os ultrapassar, será a décima vez que estará numas meias finais. Algo natural portanto, não fossem onze os anos que nos separam da última destas ocasiões.
Trata-se pois, isso sim, de um regresso a um glorioso passado que parecia cada vez mais difícil de repetir, e que volta agora ao horizonte dos benfiquistas. Saberemos mais logo até que ponto.
Não é fácil a missão.
É um lugar comum falar em concentração total, auto-confiança e sorte. Elas são sempre imprescindíveis, e seguramente que as duas primeiras estarão presentes em Barcelona, enquanto a terceira só aparece quando e a quem quer.
Que pode então o Benfica fazer mais do que simplesmente esperar pela sentença dos deuses?
Quer-me parecer que estrategicamente a abordagem a este jogo deve ser ligeiramente diferente da de Liverpool, ou da primeira mão destes quartos. Aí o Benfica jogou no erro do adversário, deixando a este a iniciativa de jogo, confiando na sua forte e alta defesa e no seu rápido contra-ataque. Julgo que em Nou Camp o Benfica terá de ser mais afirmativo.
Ao contrário do Liverpool (ou o próprio Manchester United), pouco imaginativo na fase de construção, e algo repetitivo no bombear de bolas para a área contrária – a que Luisão e Anderson respondem na perfeição – o Barça é de uma extrema criatividade ofensiva, os seus avançados são tremendamente tecnicistas e móveis, capazes de criar desequilíbrios e situações de concretização.
Assim sendo, o Benfica não se pode remeter a uma toada estritamente defensiva permitindo que a bola se mantenha muito tempo junto da sua área, pois só por milagre seria dessa forma capaz de evitar o golo, tal a qualidade individual e colectiva dos atacantes catalães, sua mobilidade e eficácia. Os encarnados devem ao invés, procurar sair sempre que possível com a bola controlada para situações de ataque, afastando o jogo da sua área, subindo a sua linha defensiva uns vinte metros, e tentando circular a bola o mais que lhes seja possível, irritando o adversário e o público, nunca deixando de “mostrar os dentes”, se me é permitida a expressão.
Na verdade não me custa a acreditar que o Barcelona venha a ser incapaz de marcar dois golos, mas parece impossível crer que não marque pelo menos um. Logo, é determinante o Benfica ser capaz de criar perigo, pois 1-1 ou 2-2 serão melhores que 0-0, e ao contrário do jogo de Anfield Road, a equipa portuguesa não parte em vantagem.
É imprescindível voltar a anular Ronaldinho e Deco, mas há que dar maior atenção aos espaços criados pela ausência de Ricardo Rocha sempre que tenha de acompanhar o astro brasileiro para a zona central do terreno.
No miolo de terreno talvez não fosse de descartar a utilização de Karagounis (em vez de um Geovanni longe do seu melhor), elemento capaz de temporizar o jogo, manter a posse de bola, lançar o ataque e ainda rematar de meia distância. Com Karagounis, Beto, Manuel Fernandes e Petit o Benfica marcaria uma inegável superioridade numérica na zona nevrálgica do terreno, superioridade essa imprescindível para a manutenção e circulação da bola longe da sua baliza, garantido maior facilidade nas transições, enervando o adversário, não o deixando empolgar, pressionando o seu desfalcado meio campo defensivo, e procurando uma oportunidade para marcar. No fundo, tratar-se-ia de reforçar o meio campo para jogar mais ao ataque, o que podendo parecer paradoxal, não o é. Resta saber que condição física apresenta o grego, pois este jogo vai ser de uma intensidade tremenda, e só alguém no seu melhor a ele pode resistir com êxito.
Deste modo o meu onze seria o seguinte: Moretto, Ricardo Rocha, Anderson, Luisão, Léo, Petit, Manuel Fernandes, Beto (desta vez a fechar na direita), Karagounis, Miccoli e Simão
O Barça seguramente que alinhará do seguinte modo: Valdés, Belletti, Puyol, Oleguer, Van Bronkhorst, Iniesta, Van Bommel, Deco, Larsson, Eto’o e Ronaldinho.
Tenho confiança no Benfica.
Acho que já provou ser equipa para as grandes ocasiões (com um plantel pouco dado a um patamar de rendimento regular, mas capaz do mais cintilante brilhantismo, logo grandemente talhado para este tipo de competições), e como disse Koeman, eles só têm duas pernas (embora quanto a braços possam existir algumas diferenças como vimos na primeira mão), ao que eu posso acrescentar que são apenas onze.
Estes combates de David contra Golias, pendem muitas vezes para os Davides. Basta passar um olhar sobre os sites dos principais jornais catalães para perceber que por aqueles lados ninguém tem a menor dúvida que o Barcelona seguirá em frente. O optimismo chega ao ponto de quase se preocuparem mais com o Milan-Lyon, de onde sairá, dizem eles, o próximo adversário do Barça. Existe mesmo um inquérito onde quase cinquenta por cento das respostas apontava para uma goleada (e evidentemente a quase totalidade para a passagem da eliminatória).
Se este sentimento fosse extensível ao plantel "azulgrana", estaria certo de que o Benfica teria fortes hipóteses de seguir em frente. Mas normalmente as grandes equipas, e o Barcelona é das maiores, são imunes a este tipo de sentimentos sobranceiros. De qualquer forma, os homens não são máquinas, e há sempre algo que fica do ruído exterior.
Acredito que Lubos Michel possa ser um árbitro isento, ao contrário do que foi o seu colega inglês na primeira mão.
Faltam noventa minutos, e tudo pode acontecer.
Sem medo, à conquista da Europa !
Força Campeões ! Que Deus esteja convosco !
Viva o Benfica !
Viva Portugal !

RESTAM SEIS

Enganei-me quanto ao Villareal (quem desdenhava do grupo de apuramento do Benfica tem agora uma bos resposta), mas a verdade é que sobram só seis.
Uma destas equipas vai ser campeã europeia 2005-2006:

MILAN
VILLAREAL
JUVENTUS
ARSENAL
BARCELONA
BENFICA

04/04/06

No VEDETA DA BOLA os prognosticos são feitos antes dos jogos.
Assim sendo e, modéstia à parte, num acto de coragem, aventuro-me a adiantar quais os enfrentamentos que prevejo para as meias finais da Liga dos Campeões:

ARSENAL vs INTER
MILAN vs BENFICA

É só !

03/04/06

BOAS NOTÍCIAS

É já seguro que o Barcelona não vai poder contar na quarta feira com Motta, Edmilson, Marquez, Xavi, Messi e Silvinho.
Para esta partida foi nomeado um dos melhores árbitros do mundo, o eslovaco Lubos Michel, o que parece garantir alguma isenção. Mas, convém sempre esperar para ver...

A MONOTONIA CONTINUA

Mais um fim de semana de pleno dos três grandes, o que se tem vindo a tornar frequente neste monótono campeonato.
Há cinco jornadas que Sporting e F.C.Porto não sofrem sequer um golo, em parte por mérito próprio (sobretudo o Sporting denota uma segurança notável no seu processo defensivo), mas sobretudo devido a uma generalizada incapacidade de uma grande quantidade de equipas, a maioria delas envolvidas na angustiante luta pela manutenção, cuja ansiedade, falta de soluções, ou ambas as coisas, tolhem a imaginação e impedem de dar uma réplica normal.
Foi assim com o F.C.Porto, perante um Gil Vicente demasiado cortês e inofensivo, que ainda por cima se viu subtraído de dois elementos, terminando o jogo a tentar, de forma penosa, evitar a goleada.
Já o Sporting teve desta vez pela frente um obstáculo mais difícil, pois durante quase todo o jogo se sentiu que ia ser doloroso para a equipa de Paulo Bento conseguir arrancar os três pontos, perante um V.Guimarães muito aguerrido e lutador.
Num jogo, tremendamente importante, entre duas equipas sem extremos, não se poderia esperar um grande espectáculo de futebol. Viu-se sobretudo uma luta no interior do meio campo, intensa e feroz, da qual saiu vencedor aquele que conseguiu lidar melhor com a pressão e cometer menos erros.
Os leões voltaram a esperar pacientemente pelo erro do adversário para desferir o golpe mortal, e sem fazer um jogo vistoso acabaram por justificar a vitória. Liedson uma vez mais resolveu, quando o empate (que não servia a ninguém) já ameaçava ambas as equipas.
Agora, em termos de título, tudo se decidirá em Alvalade no próximo sábado. À primeira vista, não vejo como o F.C.Porto de Adriaanse seja capaz de ultrapassar este Sporting rigoroso, cínico e eficaz de Paulo Bento. Portanto o favoritismo para este jogo está muito claro nas minhas ideias. Mas ainda haverá tempo de falar mais desse jogo.
O Benfica, cada vez mais longe da renovação do título (até tem ganho os seus jogos, mas isso não lhe chega), tinha também um difícil compromisso no Restelo. Não propriamente pela força da equipa do Belenenses, que é mais um dos muitos aflitos, mas pela eventual desmotivação, ou simples precaução, dos jogadores encarnados em vésperas de um jogo absolutamente determinante para toda uma temporada.
A vida tem destas coisas, e com precaução ou sem ela, Nuno Gomes, que vinha a fazer uma época muito positiva, viu-se arredado do jogo de Nou Camp - As coisas acontecem quando têm mesmo de acontecer, mas não pude deixar de recordar a lesão de Diamantino em 1988, nas vésperas da final de Estugarda com o PSV, depois de o Benfica, então também já afastado do título, ter andado a jogar com as reservas durante semanas a fio, por precaução, e Toni decidiu rotinar a equipa principal no jogo anterior à final.
No sábado, quando José Pedro marcou o golo azul, pairou no ar um cheiro de uma derrota anunciada. Mas este Belenenses é mesmo bastante frágil e, em pouco tempo, Miccoli com um excelente apontamento, e depois Karagounis, deram a volta definitiva a um pobre e triste jogo, mais um, nesta triste liga. Na segunda parte assitiu-se à poupança de esforços benfiquista e à total incapacidade do Belenenses em lhe criar problemas.
Salvou-se assim para os encarnados o aspecto moral, que as vitórias transportam sempre consigo, e ainda o sonho de poder chegar, pelo menos, ao segundo lugar e à qualificação directa para a próxima Liga dos Campeões.

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Alguns casos, mas sobretudo muitos protestos, marcaram este fim de semana.
Em Guimarães ficou por marcar um penalty para cada lado, por faltas respectivamente sobre Saganowski e Koke. No golo anulado a Liedson nada a dizer.
No Restelo, Couceiro fez mais um dos números a que já nos vai habituando, sobretudo desde a sua passagem pelo Porto, com os quais parece pretender constantemente imitar um outro José, mas tal como quase sempre acontece, caindo na recorrente regra de as imitações acabarem por se tornar ridículas caricaturas dos originais.
Estive na Luz a assitir a um Benfica-Belenenses em Novembro último, no qual o árbitro não viu uma falta clara sobre Nuno Assis dentro da área do Belenenses, e também nessa ocasião Couceiro teve cara suficiente para ser capaz de passar a conferência de imprensa toda a falar da arbitragem.
Por outro lado, eu próprio também assisti no Restelo ao Belenenses-Sporting do início da segunda volta, e nesse jogo recordo-me uma clara grande penalidade não assinalada a favor da equipa da casa, por controlo de bola com a mão de Polga dentro da área, mas aí não me lembro de ouvir uma palavra sobre o assunto a José Couceiro, vá lá saber-se porquê.
Neste sábado, outra vez frente ao Benfica, por ser frente ao Benfica, ou por começar a ver a sua vida a andar para trás, reagiu novamente de forma absolutamente absurda em relação à arbitragem de Pedro Henriques, que já se sabe ser árbitro de deixar jogar (como fez em entrada sobre Simão logo aos seis minutos, ou no lance da lesão de Nuno Gomes), afirmando existirem duas penalidades máximas por marcar, como se se tratasse da mais cristalina das evidências.
Pretendeu seguramente aproveitar o mediatismo do jogo com o Benfica para fazer o papel do triste perseguido, de modo a criar um clima mais favorável para os próximos e decisivos jogos (Mourinho faz normalmente isto, mas diga-se que com muito maior requinte...). Só que desta vez o tiro saiu-lhe pela culatra. Num dos lances protestados, o interveniente directo José Pedro, inquirido pelos jornalistas no final do jogo, respondeu com um lapidar “qual lance ? com Petit ? não me lembro !”.
Não vale portanto a pena perder muito tempo a analisar essa jogada.
No outro lance polémico, um toque de bola na omoplata de Manduca, admite-se qualquer interpretação. Não me custa retirar dois pontos ao Benfica.
No estádio do Dragão, pareceu-me correcta a decisão de Paulo Baptista de assinalar penalty na mão do defesa gilista, e não me recordo de outros casos significativos.

A classificação “real” do VEDETA fica então assim ordenada:

F.C.PORTO 66
Benfica 62
Sporting 56

VEDETA DA JORNADA

LIEDSON: Fez uma vez mais a diferença, resolvendo uma situação que se estava a tornar bastante complicada. É inquestionavelmente o melhor ponta de lança a jogar em Portugal, fazendo uso de uma mobilidade notável, de uma extrema eficácia goleadora e de uma condição física sempre em alta rotação. Nunca se lesionou, corre quilómetros por jogo, marca golos decisivos com uma impressionante frieza nos momentos de concretização. Depois de Peyroteo, Yazalde, Jordão, Manuel Fernandes, Acosta, Jardel, temos agora este levezinho, pronto a continuar a tradição de grandes goleadores para os lados de Alvalade. Todos os referidos forma artesãos de títulos a partir dos seus golos. Será este o ano de Liedson ?