23/12/06

BOAS FESTAS

VEDETA DA BOLA deseja a todos os leitores um Natal feliz e um excelente ano de 2007.

MOMENTOS 2006

DEZEMBRO: Ricardo Rocha e Simão marcam os golos da vitória do Benfica em Alvalade (0-2), que permitiu aos encarnados continuarem a sonhar com o título.

MOMENTOS 2006

NOVEMBRO: Ao vencer em Moscovo por 0-2, o F.C.Porto dá o passo decisivo para o apuramento no seu grupo da Champions League.

MOMENTOS 2006

OUTUBRO: Bruno Moraes marca nos últimos segundos do jogo o golo da vitória por 3-2 do F.C.Porto sobre o Benfica no Estádio do Dragão. Os portistas arrancam para uma série de triunfos que lhe garantem a liderança destacada da Liga.

MOMENTOS 2006

SETEMBRO: O Sporting surpreende a Europa vencendo o poderoso Inter de Milão por 1-0 na primeira jornada da Champions League.

MOMENTOS 2006

AGOSTO: Rui Costa regressa finalmente ao seu clube do coração. No primeiro jogo que faz na Luz, com uma exibição esplendorosa, empurra o Benfica para uma vitória por 3-0 sobre o Áustria de Viena, garantindo presença na Champions League. Desafortunadamente o "maestro" não jogaria um minuto sequer na prova em virtude de grave lesão.

MOMENTOS 2006

JULHO: A Itália sagra-se campeã mundial ao derrotar a França no desempate por penáltis. O capitão Cannavaro foi o melhor jogador da competição.

MOMENTOS 2006

JUNHO: Cristiano Ronaldo acaba de marcar o último penálti do desempate frente à Inglaterra nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo. Um país em festa. Uma tarde de sábado inesquecível.

MOMENTOS 2006

MAIO: O Barcelona vence o Arsenal em Paris por 2-1 e sagra-se campeão europeu.

MOMENTOS 2006

ABRIL: Jorginho marca o golo do título a seis minutos do final do decisivo jogo de Alvalade.

MOMENTOS 2006

MARÇO: O Benfica recebe na Luz o Barcelona em jogo dos quartos-de-final da Champions League. Empate 0-0 e uma grande penalidade clara por marcar contra os catalães por mão de Motta na área já na segunda parte.
Os encarnados seriam eliminados em Camp Nou ao perderem por 2-0.

MOMENTOS 2006

FEVEREIRO: Com golos de Simão e Miccoli o Benfica triunfa categoricamente em Anfield Road, afastando da Champions League o Liverpool (detentor do título), depois de já ter ganho na Luz por 1-0.

MOMENTOS 2006

JANEIRO: Contra todas as previsões da altura, o Sporting vence na Luz por 1-3 mantendo-se assim na corrida ao título nacional. Liedson marca dois golos e é a grande figura da partida.

22/12/06

CLASSIFICAÇÃO "REAL" (Actualização)

Com as contas do campeonato finalmente acertadas, a classificação "real" com que iremos dobrar o ano de 2006 fica assim ordenada:

F.C.PORTO 35
Sporting 33
Benfica 31

Parecendo que não, ainda há algumas diferenças face à verdadeira classificação da Liga.

TALUDA DE NATAL

Quem não tenha assistido ao jogo de ontem e apenas saiba o seu resultado final irá seguramente pensar que se tratou de uma vitória fácil e inequívoca do Benfica. Nada mais errado.
De facto, durante muitos períodos da partida, os azuis de Belém comandaram as operações, criaram lances de perigo e proporcionaram a Quim uma das suas melhores exibições da temporada. O Benfica pelo contrário teve toda a sorte do jogo pelo seu lado, marcando golos em quase todas as situações de perigo que criou, e em momentos determinantes da partida, destruindo de forma cruel e a roçar o cinismo, todas as reacções que um estupendo Belenenses parecia inesgotavelmente ser capaz de propor ao jogo.
Foi um grande espectáculo de futebol, talvez o melhor na Luz esta época para competições nacionais. Para isso contribuiu fundamentalmente a atitude dos pupilos de Jorge Jesus, que nunca se remeteram a uma postura de expectativa, assumindo desde cedo que queriam marcar e ganhar. Foram infelizes, mas deixaram sinais muito positivos face à segunda volta que se avizinha.
A exibição do Benfica valeu sobretudo, como se percebe, pela eficácia concretizadora. Nuno Assis e Simão foram as unidades de rendimento mais constante ao longo dos noventa minutos, mas o homem da partida foi inegavelmente o guarda-redes Quim, que numa noite inspiradíssima foi negando, uma, duas, três…cinco vezes, o golo que poderia ter alterado o rumo dos acontecimentos. Nota de destaque também para o mexicano Kikin Fonseca, finalmente reconciliado com os golos, para gáudio de uma plateia na qual tem despertado grande empatia.
O Benfica conseguiu assim cumprir aquilo que se exigia, ou seja manter-se a uma distância que lhe permite ainda sonhar com o título, e continuar a depender apenas de si próprio para alcançar o apuramento directo para a Champions League do próximo ano. Em suma, um Natal tranquilo.
Bruno Paixão teve de tomar algumas decisões difíceis. No lance mais polémico da partida parece-me ter ajuizado bem, pois Gaspar acaba por, de forma pensada ou não, amortecer a bola com o braço. Há contudo também um lance em que Luisão agarra um adversário na área, que devia ter sido sancionado. O árbitro setubalense tem também um estilo que em nada me agrada, pois apita constantemente, interrompendo a partida a qualquer lance mais ríspido, e essa é uma forma de estar que não beneficia os espectáculos.
Pontuações: Quim 5, Nelson 3, Luisão 3, R.Rocha 3, Léo 3, Katsouranis 3, Karagounis 3, Nuno Assis 4, Simão 4, Fonseca 4, Nuno Gomes 3, Manu 3, Beto 3 e João Coimbra 3.
Melhor em campo: claramente Quim.

20/12/06

SER OU PARECER

Quem são afinal os vilões na história da transferência de João Pinto ?
Quando todos apontavam para Veiga, eis que surge esta notícia, que parece levantar um pouco o véu sobre a questão.
À boa maneira do mestre Hitchcock, nem tudo é aquilo que parece, ou acaba da forma a que a alguns daria mais jeito.
Se isto se confirmar, Veiga terá todas as condições para voltar ao Benfica pela porta da frente e com direito a aplausos.

PS: A propósito de justiça, seria curioso imaginar a reacção do Sporting, seus responsáveis e adeptos, ao processo Apito Dourado se em vez de Pinto da Costa e Valentim Loureiro os principais arguidos fossem Luís Filipe Vieira e José Veiga.

ALTURA DE ARRUMAR AS CASAS

Quando se aproxima a reabertura do mercado de transferências, importa olhar os principais plantéis da nossa liga, identificar lacunas e excedentes, propor soluções.

Começando pelo líder F.C.Porto, tem que se dizer que as lacunas não são muitas tal o desempenho da equipa nesta primeira metade de temporada. Com efeito, alguns dos desequilíbrios que o plantel portista parecia apresentar no início da época – designadamente no sector defensivo - foram claramente ultrapassados e hoje quase não se notam. Jogadores como Bosingwa, Bruno Alves, Raul Meireles e Hélder Postiga têm estado muito acima daquilo que deles se esperaria, e se a eles juntarmos o talento de Quaresma, a inteligência de Lucho, a segurança de Pepe e a elasticidade de Helton, temos a base de um líder incontestado e incontestável.
Ainda assim, e tendo em conta que os regressos de Pedro Emanuel e João Paulo poderão suprir a falta de alternativas no centro da defesa - agravada pela iminente saída de Ricardo Costa para o Marselha -, parece-me que para fazer face sobretudo às suas responsabilidades europeias, o F.C.Porto teria muito a ganhar em adquirir um lateral esquerdo de qualidade, preferencialmente capaz de jogar em ambos os corredores. Também na frente de ataque, falando-se da dispensa de Adriano (talvez por motivos extra-futebolísticos), os dragões precisarão de encontrar uma alternativa a Postiga, dada a demora de Sokota em voltar aos relvados e a irregularidade de Bruno Moraes. Hugo Almeida parece neste momento uma hipótese de difícil concretização, mas dinheiro não faltará nos cofres azuis e brancos se tal se revelar necessário.
Quanto a dispensas, para além das saídas referidas Jesualdo tem um lote de elementos que pouco acrescentam à qualidade do plantel. Estou a lembrar-me por exemplo de Ezequias, Sektioui ou Alan.
Tendo alcançado o apuramento para a fase seguinte da Champions League, não me parece lógico que a direcção portista prescinda de Quaresma. Talvez somente no final da época seja a altura indicada para encher os cofres. Agora é altura de pensar no Chelsea, contra o qual todas as armas serão poucas.
A lesão de Anderson retirou-o temporariamente do mercado.

Passando ao Sporting, teremos de ter em atenção que a eliminação das competições europeias, se por um lado causa limitações ao nível da tesouraria, por outro diminui as exigências em qualidade e sobretudo em quantidade. Assim sendo, as necessidades do Sporting resumem-se a um central capaz de suprir as falhas de Polga ou Tonel, e a um ponta-de-lança para emparceirar com Liedson.
Tem-se falado muito no regresso de Fábio Rochenback. Embora o seu perfil se adequasse à equipa, não parece provável que possa ser ultrapassada a enorme barreira financeira entre aquilo que ganha o brasileiro e o que o Sporting – agora sem mais receitas europeias – lhe pode pagar. Só com muito boa vontade das partes o negócio se poderá concretizar.
Quanto a excedentes parece-me que o Sporting poderia deixar partir os inadaptados Farnerud, João Alves (se Rochenback chegasse até poderiam ambos partir) e Carlos Bueno (ou Alecsandro), neste último caso apenas na condição de poder encontrar um substituto.
É possível que a direcção dos leões se veja tentada a realizar mais valias financeiras com a venda de um dos seus talentosos jovens. Se assim for, Miguel Veloso é talvez aquele que menos falta faz a Paulo Bento, embora o comportamento de Nani seja uma incógnita e o seu mercado incontestavelmente maior. Vender João Moutinho ou Liedson seria suicidário.

Os problemas do Benfica de Fernando Santos passam mais pela organização e sistematização do modelo de jogo do que propriamente por falta de jogadores. Observando o plantel benfiquista a primeira ideia que surge é de excesso e não de falta.
Elementos como Marco Ferreira, Diego Souza, os jovens Pedro Correia e João Coimbra, e mesmo Beto, Moretto ou Karyaka, poderiam muito bem ser cedidos, quer para ganharem ritmo de jogo e mostrarem potencialidades (no caso dos mais jovens), quer como moeda de troca em eventuais reforços.
Kikin Fonseca é um caso a analisar em separado. Caso se entenda que a sua adaptação ao futebol europeu ainda se possa revelar muito demorada – e isso tem de ser feito com equipa técnica e jogador -, talvez fosse melhor vendê-lo (ao fim e ao cabo trata-se de um jogador muito caro) e procurar um substituto capaz de render a mais curto prazo. No meu entender julgo que o mexicano ainda não mostrou tudo o que vale, e para já, sem ter feito muitos jogos, ainda é cedo para concluir seja o que for a seu respeito, pelo que seria talvez de o manter até final da época. Mas não conheço ao pormenor as razões do seu menor rendimento, não sabendo assim se se trata apenas de uma questão de ritmo ou algo mais profundo.
Paulo Jorge e Manu são boas opções de banco mas não estão ainda num grau de maturação suficiente para se assumirem como os únicos flanqueadores do Benfica. Neste sentido veria com muito bons olhos um regresso de Geovanni – eventualmente até com um ordenado mais baixo do que aquele que levou a direcção encarnada a não lhe renovar o contrato.
De braços abertos seria também recebido Manuel Fernandes, apesar de todos os mal-entendidos da pré-época, agora reacendidos pelo Portsmouth ao recusar-se a pagar o valor acordado para a transferência. É claro que isto é a voz do adepto, pois as relações do jogador com o corpo médico e com a direcção poderão ser um obstáculo intransponível para um regresso à Luz. Mas que seria um excelente reforço ninguém duvida, para além de se tratar de um dos poucos elementos oriundos das escolas do clube a atingir a equipa principal nos últimos anos.
À excepção destes dois casos, e de um eventual ponta-de-lança no caso de se concluir pela pertinência da venda de Fonseca, não me parece necessária mais nenhuma aquisição.
Vender Simão só mesmo pelos 20 milhões pedidos no verão passado. Agora mais do que nunca o capitão é um elemento essencial à equipa, e a sua saída será um deitar de toalha ao chão de todas as ambições para esta época. Nem me parece que se deva equacionar a alienação do passe de nenhum titular.
Resumindo, se a decisão fosse minha, tentaria fazer regressar Manuel Fernandes e Geovanni, e cederia Diego Souza, Marco Ferreira, Pedro Correia e João Coimbra.

18/12/06

FESTA BRASILEIRA

O Internacional de Porto Alegre fez história ao conseguir pela primeira vez sagrar-se campeão do mundo de clubes, vencendo por 1-0 o favorito Barcelona na final de Yokohama.
Pode-se dizer que os brasileiros tiveram a sorte do jogo, pois durante a maior parte do tempo o Barcelona mostrou-se mais dinâmico e empreendedor. Os catalães desperdiçaram algumas boas ocasiões de golo mas quando já se pensava no prolongamento, um lance de Iarlei (o melhor em campo para VEDETA DA BOLA, que não para a Fifa que elegeu Deco) permitiu a Adriano gelar os corações barcelonistas anotando o único golo da partida numa altura em que já não havia tempo para reagir.
Foi pois uma vitória da eficácia, e que premeia a organização da equipa de Abel Braga, castigando o desperdício do Barcelona.
O Brasil volta pois a levar este troféu, depois do São Paulo ter derrotado o Liverpool no ano transacto. Confirma-se também tratar-se de um estádio talismã para o futebol canarinho, pois foi ali que o “escrete” conquistou o seu último título mundial.

VEDETA DA JORNADA

PEPE: Devo dizer que o central portista me demorou a convencer. A uma robustez física impressionante e a um jogo de cabeça eficaz, parecia juntar alguma dureza de rins e por vezes um deficiente posicionamento. Com Adriaanse evoluiu muito, tornando-se a trave mestra a defesa dos campeões nacionais. Agora também é goleador, assumindo-se definitivamente como candidato à Selecção Nacional e a voos de outras Ligas. Um senhor central !

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Ficam grandes dúvidas sobre a legalidade do golo do Sporting frente à Académica. Tonel salta com Pedro Roma e efectua um movimento com o braço que parece afastar o guardião estudantil do lance.
De qualquer forma, juntando este lance com uma eventual grande penalidade que também ficou por assinalar a favor dos leões, decidi não retirar pontos, embora gostasse de ver os lances noutras perspectivas, pois nenhuma das que tive ocasião de ver é conclusiva.
No Dragão também o primeiro golo portista parece precedido de falta, e a expulsão de Edson algo zelosa. Mas obviamente numa vitória por 4-0, não há correcções pontuais a efectuar.
Na Luz não houve casos.

F.C.PORTO 35
Sporting 33
Benfica 28 (-1 jogo)

OUTRA VEZ...CHAPA TRÊS !

O Benfica foi na partida de sábado frente ao Vitória de Setúbal uma perfeita súmula do que tem sido a sua época. Depois de uma primeira parte confrangedora, a equipa encarnada realizou um segundo período de muito bom nível, chegando uma vez mais à “chapa” três – foi a sétima vitória consecutiva na Luz, apenas uma delas por menos de três golos - ficando a dever a si própria e ao guardião Nelson a possibilidade de um resultado bem mais volumoso.
Na verdade, durante os primeiros quarenta e cinco minutos, o Benfica apresentou-se lento e falho de ideias, displicente e pouco imaginativo, um pouco à semelhança do que havia sido a sua prestação da Figueira da Foz. O Vitória teve então liberdade para dar um ar de sua graça, criando dois lances de perigo para a baliza de Quim. Contudo, numa falha defensiva dos sadinos Nuno Gomes aproveitou para se reconciliar com os golos, abrindo o marcador.
O golo pareceu adormecer mais ainda os encarnados, que se arrastaram indolentemente até ao intervalo naqueles que foram os piores quarenta e cinco minutos de futebol na Luz esta época, sublinhados com alguns assobios vindos das bancadas.
Não se sabe o que se terá passado ao intervalo nas cabines, mas a equipa de Fernando Santos surgiu transfigurada para o segundo tempo. Com Nuno Assis, Nelson, Luisão e sobretudo Simão em grande plano, o Benfica foi criando lances de perigo sucessivamente, empurrando o Vitória para as imediações da sua área, de onde não voltou a sair. Simão e Nuno Assis selaram o resultado com dois excelentes golos, e o mesmo Simão, Fonseca, Nuno Gomes (muito esforçado) e outra vez Nuno Gomes tiveram nos pés e na cabeça ocasiões para concretizarem uma goleada bem mais robusta perante um adversário que mostrou então grandes fragilidades, deixando a ideia de que terá grande dificuldade em escapar aos últimos lugares da tabela.
Em termos individuais, além dos já referidos, gostaria de deixar uma palavra para Kikin Fonseca, que mesmo sem ter marcado ainda qualquer golo com a camisola do Benfica, merece uma grande simpatia do público, que aliás aplaudiu de pé a sua saída. Trata-se de um jogador com bons pés, que sabe jogar, mas que ainda não se encaixou bem no futebol da equipa e denota algumas diferenças de velocidade e ritmo nesta sua adaptação ao futebol europeu. É um elemento esforçado, e no qual parece haver motivo para depositar alguma esperança. Espera-se pois que o mercado de Inverno não traga precipitações.
Nota ainda para a entrada de Manu, outro elemento pouco utilizado mas que pelo que voltou a mostrar tem lugar no plantel, e para a estreia do jovem João Coimbra, sem tempo todavia para grande brilhantismo.
Pontuações: Quim 3, Nelson 3, Luisão 4, R.Rocha 3, Léo 3, Katsouranis 2, Karagounis 3, Nuno Assis 4, Simão 4, Fonseca 3, Nuno Gomes 3, Manu 3, Beto 1 e João Coimbra 1.
Melhor em campo: Como já vem sendo um hábito, Simão Sabrosa.
O árbitro passou despercebido.

16/12/06

CAMINHO ABERTO

Podia ser bem pior. De facto, o sorteio da Taça Uefa que põe os romenos do Dínamo de Bucareste no caminho do Benfica não se revelou muito cruel para o clube da Luz. De um pote de onde podiam ter saído Sevilha, Ajax ou Celta de Vigo, saltou esta equipa romena com poucas estrelas e pouco currículo, e embora o Nancy talvez fosse o adversário mais adequado para os encarnados, pode-se dizer que os maiores perigos passaram claramente ao lado.
Depois do mal fadado sorteio dos quartos-de-final da Champions League da época passada, que impediu o Benfica de sonhar mais alto (como o F.C.Porto fizera dois anos antes), confirma-se assim que esta temporada os encarnados não se podem queixar da fortuna neste tipo de evento (Austria de Viena, Copenhaga...).
Mas atenção ! O Dínamo comanda o seu campeonato com cerca de quinze pontos de avanço (apenas um empate e uma derrota até agora), tem uma equipa fisicamente muito dotada e conseguiu o apuramento com grande facilidade. Recorde-se também que a Roménia ocupa a sétima posição no ranking da Uefa, e que na época passada colocou duas equipas nas meias-finais da competição. Deste modo estamos longe de poder afirmar que a eliminatória esteja ultrapassada. O “melhor” Benfica é favorito, mas não pode haver lugar a facilidades.
O Dínamo equipa de vermelho, dispõe de uma boa dupla de avançados (um deles habitualmente convocado para a selecção: Niculescu) e já jogou com o Benfica na prova, justamente na temporada de 1999-00, vencendo na Luz por 0-1 com um “frango” monumental de Robert Enke - em jogo que recordo particularmente pela copiosa chuva que apanhei em cima durante toda a segunda parte, seguramente uma das maiores bátegas da minha vida em estádios de futebol – e perdendo depois em casa por 0-2, com golos de Chano e Maniche que valeram a passagem ao Benfica, numa prova onde havia de mais tarde encontrar o Celta de Vigo com o desfecho que todos se lembram.
A equipa tipo do Dínamo é a seguinte: Hayeu, Pulhac, Moti, Blay, Radu, Margaritescu, Munteanu, Serban, Cristea, Niculescu e Ganea. Fazem também parte do plantel o angolano Zé Kalanga, o francês Mendy e o sérvio Lerinc.
A primeira mão disputa-se na Luz, e o vencedor da eliminatória defrontará em seguida o vencedor do duelo entre Paris Saint-Germain e AEK de Atenas (justamente a antiga equipa de Fernando Santos).
Perante este panorama, há todos os motivos para uma aposta forte nesta prova, em que parecem estar reunidas todas as condições para chegar longe.

O Sporting de Braga não foi tão afortunado, muito embora a escolha também não fosse muito ampla. Terá pela frente o Parma de Fernando Couto, e dificilmente poderá aspirar a muito mais na prova, até porque caso afaste os italianos terá de defrontar o Feyenoord ou o Tottenham. Só um super Braga poderá passar mais esta fase.

Eis todos os jogos.

UMA FAVA PARA O PORTO

O F.C.Porto não foi feliz no sorteio dos oitavos-de-final da Champions League. É verdade que não havia equipas fáceis, mas seria sem dúvida preferível defrontar por exemplo Valência ou Liverpool do que a equipa de José Mourinho, que para além de ser das mais fortes do mundo é orientada por alguém que conhece demasiado bem os jogadores e as equipas portuguesas e em particular o Porto.
Em futebol tudo é possível, mas tal como aqui disse a propósito do grupo que calhou em sorte ao Sporting na fase anterior, só um milagre colocará a equipa de Jesualdo nos quartos-de-final. É verdade que o F.C.Porto já venceu o Chelsea, mas nessa ocasião a equipa londrina já estava apurada e em regime de poupança.
Nos restantes alinhamentos, destaque para o Liverpool-Barcelona e o Bayern de Munique-Real Madrid.
Confira aqui o resultado completo do sorteio.

15/12/06

ATÉ QUE ENFIM UM SINAL POSITIVO

Eis alguém em que confio. Assim a deixem trabalhar.

14/12/06

VEDETAS DO ANO

Segue animada a votação dos leitores para os melhores do ano.
Na categoria “Jogador Nacional”, o despique entre Simão Sabrosa e João Moutinho vai ao rubro, sendo totalmente imprevisível quem possa vir a vencer. Este duo tem atrás de si a dupla portista Anderson e Ricardo Quaresma.
Quanto às restantes categorias, Cristiano Ronaldo, Paulo Bento e José Mourinho perfilam-se nesta altura como principais favoritos, se bem que o técnico do Chelsea se veja perseguido de perto pelo campeão do mundo Marcelo Lippi.
Podem continuar a votar até ao dia 3 de Janeiro.

ENCONTRO DE CAMPEÕES

Disputa-se no próximo domingo no Japão a final do segundo Mundial de Clubes da FIFA, prova que na temporada passada substituiu a antiga Taça Intercontinental. Estarão frente a frente, à semelhança do que ocorreu no ano transacto, os vencedores da Champions League e da Copa Libertadores, neste caso Barcelona e Internacional de Porto Alegre respectivamente. Pelo caminho ficaram os campeões dos outros continentes, de onde se realça o Al-Ahly do Egipto orientado pelo português Manuel José.
Esta prova ganhou bastante em englobar os campeões de outros continentes, oficializando assim um título que até aí era apenas oficioso. Essa antiga pecha terá contribuído, juntamente com as viagens longas e as dificuldades de calendário, para algum desinteresse da parte dos principais clubes europeus, levando até a que na década de setenta alguns desistissem de participar. Recorde-se que a Taça Intercontinental foi conquistada pelo F.C.Porto duas vezes (1987 ao Peñarol e 2004 ao Once Caldas), e disputada e perdida pelo Benfica por outras duas (1961com o Peñarol e 1962 com o Santos de Pelé).
Para o futuro, e tendo em vista a melhoria da competitividade da prova, julgo que seria aconselhável disputá-la em locais diferentes, e se possível englobar os finalistas vencidos das provas europeia e sul-americana (e/ou o vencedor da Uefa e da Copa Sul-Americana), o que faria aumentar o número dos candidatos ao título. Outra alternativa seria disputá-la de dois em dois anos, envolvendo os campeões do biénio anterior, e limitando assim os danos relativos à difícil calendarização.
Mas para já o que interessa é este Internacional-Barcelona, que tem todas as condições para ser um jogo bem disputado.
De um lado estará um Barça ainda sem Samuel Eto’o e Messi, mas com Ronaldinho Gaúcho (de regresso ao local onde se sagrou campeão mundial de selecções) e Deco a subir de forma e com Gudjohnsen a marcar golos. Do outro surge um Internacional, pouco conhecido para a maioria dos adeptos europeus, mas que tem fama de ser uma equipa bastante bem organizada por Abel Braga (ex técnico do Belenenses), onde se destacam Eller, Índio, Edinho, Alex e a estrela Fernandão, bem como o jovem Alexandre Pato uma das novas coqueluches do futebol canarinho.
Prevê-se um jogo equilibrado, pois embora em termos individuais o Barcelona apresente notável vantagem, é sabida a força com que as equipas sul-americanas se apresentam nesta prova, conquistando grande parte dos títulos. Esta final é transmitida pela Sport Tv no domingo de manhã.

MATAR OS GAFANHOTOS

Hoje o Sp.Braga joga o seu futuro na Taça Uefa diante do Grasshoppers da Suiça. Só a vitória interessa à equipa comandada por Rogério Gonçalves diante de um adversário - treinado pelo nosso velho conhecido Krassimir Balakov - que já nada tem para disputar na competição. Se os bracarenses jogarem ao seu melhor nível – por exemplo aquele com que derrotaram o Benfica – dificilmente deixarão fugir a oportunidade de se apurarem pela primeira vez para fase tão adiantada da prova, onde recorde-se se encontra já o Benfica, depois de ter ficado em terceiro lugar no seu grupo da Champions.
Nos restantes grupos, e de acordo com os resultados de ontem, fica apenas a curiosidade de haver já cinco possíveis adversários para o clube da Luz no sorteio da próxima sexta-feira: Ajax, Celta de Vigo (de muito má memória), Paris St.Germain, Maccabi Haifa e Nancy. Hoje decidem-se os restantes três (Osasuna ou Lens; Tottenham ou D.Bucareste, e Alkmaar ou Sevilha). O panorama podia estar mais suave…

13/12/06

TU, CAROLINA !

Quem lê habitualmente o VEDETA DA BOLA sabe que aqui se trata fundamentalmente do futebol jogado dentro das quatro linhas, dos jogadores, dos treinadores e das equipas. É disso que eu gosto na modalidade e, como não tenho nenhuma obrigação de conquistar audiências, é disso que falo.
No entanto há situações que não podem passar sem um comentário, e parece-me que o livro publicado por Carolina Salgado é inequivocamente uma delas.
Assim sendo, gostaria de deixar cinco notinhas sobre o caso:
1- Acho absolutamente ridícula a cândida tonalidade de surpresa que muitos agora aparentam quanto a factos e situações já conhecidas desde há muito tempo. Os métodos do presidente do F.C.Porto são os mesmos desde os anos 80 (lembram-se de Marinho Neves, do guarda Abel etc), e no que toca ao "tratamento" da arbitragem ficaram bem expressos através das escutas realizadas no âmbito do processo Apito Dourado que, como quase todos os outros na triste justiça portuguesa, estava à beira de cair num buraco escuro, encontrando agora neste livro uma eventual âncora de salvação e de prosseguimento do seu caminho.
2- Não menos ridícula é a forma como alguns agora tentam escamotear a substância das revelações em virtude da pouca credibilidade de quem as faz. Afinal de contas a pouca ou muita respeitabilidade de Carolina Salgado foi-lhe dada pelo próprio Pinto da Costa, que fez dela uma autêntica primeira dama do F.C.Porto com presença no camarote de honra ao lado do presidente, com visita ao Papa e participação nos principais eventos a que o clube aparecia ligado. Por outro lado, à excepção do caso do vereador de Gondomar tudo o que ela diz já se sabia de outras fontes como a Polícia Judiciária ou o Ministério Público. Ou será que só as afirmações de Pinto da Costa e Lourenço Pinto são credíveis?
3- Se a justiça portuguesa é aquilo que sabemos e dela infelizmente não podemos esperar grande coisa, já a justiça desportiva tinha tido mais do que tempo e meios para ir a fundo no caso, se disso tivesse realmente vontade. O F.C.Porto comanda destacadamente a classificação da Liga Portuguesa mas em rigor nem dela deveria ter tomado parte caso as instituições desportivas do nosso país tivessem um pingo de respeito por si próprias e pelas suas leis e regulamentos, a exemplo do que sucedeu em Itália ou sucederia em qualquer país europeu com um mínimo de orgulho. As escutas podem não ter ainda provado matéria criminal mas provaram inequivocamente um comportamento ilícito que devia ter sido sancionado em termos desportivos com desclassificações, perdas de pontos e demissões compulsivas.
4- Importa também reter que a comunicação social desportiva não se sai nada bem nesta fotografia. Escudada numa pseudo fuga ao sensacionalismo (do Público?, do DN? do Expresso?), parece procurar a cada passo branquear com o seu silêncio décadas de corrupção e fraude efectuadas sob o seu nariz. Ao invés de se colocar ao lado dos leitores e adeptos do desporto no sentido de clarificar e denunciar práticas que foram lançando lixo em cima do seu produto de trabalho, fazendo desse modo parte da solução dos problemas, os jornais desportivos (é deles que falo) sempre enveredaram por uma lógica de estranha solidariedade com os mais ocultos poderes e podres do futebol português, tornando-se eles próprios parte do problema. Ainda hoje, depois de todas estas e outras revelações, são frequentes os louvores a figuras como Pinto da Costa e consequentemente à sua forma de vencer, que sendo hoje do conhecimento comum era há muitos anos já do domínio de quem andava pelos bastidores do futebol como muitos dos jornalistas que hoje pretendem hipocritamente evitar o …“sensacionalismo”. Até porque presunção de inocência em matéria criminal (que é necessário respeitar) e mau comportamento ético-desportivo (que é necessário reprovar e punir) são coisas bem distintas.
5- Não adianta esperar que Pinto da Costa se demita como propõe o portista Miguel Sousa Tavares. Por um lado isso seria contrário a toda a lógica da sua actuação ao longo dos anos, que nunca encontrou quaisquer limites éticos à busca dos objectivos que perseguia – ou, dito de outro modo, não se pode esperar vergonha de quem nunca a teve -, por outro e a avaliar por exemplos recentes, é bem provável que o presidente portista saiba bem o que o espera no dia em que abandonar o clube.

VEDETA DA JORNADA

LIEDSON: Depois de um longo período de jejum o matador de Alvalade regressou em grande no Bonfim, anotando dois dos golos da vitória sportinguista. Bem se pode dizer que era por Liedson que o Sporting esperava. Será que chegou a tempo?

CLASSIFICAÇÃO "REAL" (Actualização)

Após o Nacional-F.C.Porto, onde um lance duvidoso sobre Bosingwa não afectou o resultado, a classificação “real” fica então assim ordenada:

F.C.PORTO 32
Sporting 30
Benfica 25 (-1 jogo)

ALGUÉM OS SEGURA ?

Indiferente a todas as incidências que rodeiam o seu presidente, a equipa do F.C.Porto circula a alta velocidade na rota do título.
Ontem na Choupana, após muito sofrimento, os portistas arrecadaram mais três importantes pontos, situando-se já em onze a sua vantagem para o Benfica (com um jogo em atraso) e cinco para o Sporting. Foi apenas aos 89 minutos que Lucho Gonzalez selou o triunfo do Porto, que tendo estado muito tempo em desvantagem acabou por demonstrar a força anímica e física suficientes para tornear mais este obstáculo, prova também do seu inegável estofo competitivo.
Quaresma destacou-se uma vez mais, fazendo designadamente as assistências para os dois golos.

12/12/06

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Faltando ainda jogar o F.C.Porto, o Sporting assumiu à condição a liderança desta tabela.
O destaque para já vai para o erro de Paulo Paraty na Figueira da Foz, ao não ver uma clara mão de um defensor da Naval ainda na primeira parte do jogo com o Benfica.
Até se pode dizer que os encarnados, pelo que jogaram, não merecem, mas em nome da justiça e da verdade teremos que contabilizar os três pontinhos. E a verdade é que, sem erros de arbitragem (ou seja sem o golo de Postiga em fora de jogo com a Académica, e com o penálti assinalado na Figueira), o Benfica poderia estar a apenas 4 pontos da liderança...
Tudo normal portanto...

SPORTING 30
F.C.Porto 29 (-1 jogo)
Benfica 25 (-1 jogo)

11/12/06

NAUFRÁGIO

O Benfica desperdiçou dois pontos na Figueira da Foz e assim comprometeu ainda mais as suas hipóteses de ser campeão nacional.
Os encarnados podem queixar-se de uma grande penalidade não assinalada por Paulo Paraty ainda na primeira parte, mas podem sobretudo queixar-se de si próprios, pois durante quase dois terços do jogo pouco ou nada fizeram para justificar a vitória. A falta de Miccoli e Nuno Gomes fez-se sentir bastante pois nem o esforçado mas inconsequente Fonseca, nem o desastrado Paulo Jorge estiveram particularmente felizes. Também Karagounis nada fez que justificasse a titularidade em detrimento de Nuno Assis.
Durante toda a primeira parte o Benfica repousou, talvez na expectativa de que o jogo tarde ou cedo se acabasse por resolver sozinho (quem sabe como acontecera há quinze dias com o Sporting no mesmo local). A equipa de Fernando Santos foi então um conjunto amorfo, sem chama, sem ideias e muito dependente dos desequilíbrios que Simão fosse capaz de criar.
O jogo foi-se arrastando de forma sonolenta, e assim chegou ao intervalo.
Na segunda parte, depois de um período incaracterístico, os sinos tocaram e o Benfica procurou então fazer pela sua vida. A entrada de Mantorras e sobretudo a saída de um Paulo Jorge completamente desfasado da realidade da equipa e do jogo, deram ao Benfica uma maior acutilância, toda a equipa subiu, arriscando bastante nos contra-ataques dos da casa, e as oportunidades sucederam-se. Foi então a vez de Taborda brilhar na baliza dos figueirenses, e de algum azar impedir o Benfica de concretizar o golo de uma vitória que poderia manter acesa a vela do título.
Em termos individuais há que destacar Simão e Katsouranis, os únicos com um rendimento consentâneo com uma candidatura ao título. Pela negativa já falei de Paulo Jorge, de Kikin que todavia me parece precisar fundamentalmente de ritmo para se poder tornar útil, e de Karagounis.
Sejamos realistas. O Benfica poderá ficar hoje a 11 (onze !!) pontos do F.C.Porto, ainda que com menos um jogo, justamente após uma jornada na qual era lícito depositar alguma esperança de recuperação pontual. Os portistas têm patenteado uma regularidade competitiva a toda a prova, e a partir da segunda volta ainda poderão aparecer “reforçados” com Pedro Emanuel, Anderson e Sokota. Não parece lógico esperar que venham a vacilar o suficiente para permitir veleidades ao Benfica, ou mesmo ao Sporting.
A triste realidade do Benfica é esta: está praticamente afastado do título quando ainda nem chegámos ao natal. As razões para isso são múltiplas, tendo sido algumas delas já aqui tratadas noutros momentos. Desde um deficiente planeamento da época a algum azar, passando também por alguma falta de comando dentro e fora do campo.
Uma coisa é certa, este plantel pode e deve fazer muito mais. Tem a Taça Uefa e a Taça de Portugal para o demonstrar, não esquecendo que o segundo lugar na Liga dá acesso directo à Champions.
Pontuações: Quim 3, Nelson 3, Luisão 3, R.Rocha 3, Léo 3, Petit 3, Katsouranis 4, Karagounis 2, Paulo Jorge 1, Fonseca 2, Simão 4, Mantorras 2 e Nuno Assis 2.
Melhor benfiquista em campo: Simão Sabrosa.

PELOS CAMINHOS DA LIGA

Depois de ter estado na véspera no Restelo para um insípido Belenenses-Sp.Braga, VEDETA DA BOLA deslocou-se a Setúbal para assistir ao jogo entre o Vitória local e o Sporting.
A nota de maior realce vai desde logo para o tremendo frio que se fazia sentir e enregelava os poucos espectadores presentes (incrível como as assistências da nossa liga continuam dramaticamente baixas).
Quanto ao futebol propriamente dito pouco há para contar. Assistiu-se a um jogo muito pobre, com o Sporting a garantir desde muito cedo uma vantagem de 0-2 que liquidou logo aí as hipóteses de uns sadinos muito frágeis e pouco confiantes.
Daí em diante o jogo foi-se arrastando num mar de facilidades para os leões, que não poderiam desejar melhor adversário para cicatrizar as suas mazelas. O Vitória por seu turno, ou melhora muito e se reforça no mercado de Janeiro (terá condições financeiras para isso? ), ou será um seriíssimo candidato à descida de divisão.
Nota ainda para o regresso de Liedson aos golos (logo com dois), e para alguns bons pormenores de Nani.

07/12/06

ADEUS CHAMPIONS, OLÁ UEFA !

Com a Liga dos Campeões para trás, ao Benfica interessa agora focalizar-se na Taça Uefa, uma espécie de segunda divisão do futebol europeu, mas onde, por isso mesmo, as hipóteses de êxito são substancialmente maiores.
Se há dois anos, aquando da sua última participação na prova, a prioridade dos encarnados se situava claramente na conquista do título nacional – motivo pelo qual o Benfica de Trapattoni pouco terá feito para ultrapassar, na ocasião, o CSKA de Moscovo -, neste momento a aposta na Uefa pode e deve ser levada bem a sério, devendo assim aglutinar a equipa e os adeptos de modo a que seja possível uma performance capaz de voltar a colocar os encarnados nos grandes momentos do futebol internacional. O Benfica beneficia nesta altura da experiência de dois anos consecutivos de Champions League, dispõe de um plantel recheado de jogadores internacionais, e se não tem estofo para se bater com grandes tubarões do futebol europeu como ainda ontem se viu em Old Trafford, nesta segunda linha parece reunir todas as condições para brilhar..
A Taça Uefa pode ser uma boa fonte de receitas (sobretudo nas fases finais), mas vale também, e muito, para o ranking europeu de países e de clubes, onde tem precisamente o mesmo significado que as pontuações obtidas na Liga dos Campeões. É uma competição que o Benfica nunca conquistou. Ainda por cima, a situação classificativa no campeonato português não permite grandes optimismos domésticos, até pela força que o F.C.Porto tem vindo a exibir
São pois muitos os motivos para que se aposte forte nesta competição, na qual um sorteio simpático pode abrir com alguma facilidade o caminho a um percurso de grande significado, inclusivamente na história do clube. E quando falo em significado histórico, estou necessariamente a falar de uma presença na final ou mesmo no título.
Pede-se pois que o Benfica se assuma como candidato à vitória na Taça Uefa, e faça aquilo que é necessário para se aproximar o mais possível desse objectivo. Neste sentido importa desde já começar a pensar no sorteio, e naqueles que poderão ser os adversários do Glorioso clube português.
As equipas repescadas da liga milionária (terceiros nos respectivos grupos) encontram-se na próxima eliminatória com os segundos classificados da fase de grupos da Uefa. VEDETA DA BOLA esteve a olhar para as classificações, a verificar a jornada que falta disputar, a fazer contas, e chegou à conclusão que matematicamente o Benfica poderá enfrentar o seguinte conjunto de equipas, justamente as que têm neste momento hipóteses de terminar em segundo lugar nos seus grupos: Hapoel Tel-Aviv, Mladá Boleslav, Tottenham Hotspur, Dínamo de Bucareste, R.C.Lens, Osasuna, Heerenveen, Zulte Waregen, Ajax de Amsterdão, Celta de Vigo, Fenerbahce, Palermo, Eintracht de Frankfurt, Nancy, Blackburn Rovers, AZ Alkmaar, Sevilha e Maccabi Haifa.
Este é pois o lote possível em termos matemáticos, mas se passarmos da objectividade das pontuações às hipóteses futebolísticamente mais expectáveis, teríamos como equipas com maiores probabilidades de integrarem o lote que o Benfica encontrará no sorteio os seguintes oito emblemas: Hapoel, D.Bucareste, Lens, Waregen, Fenerbahce, Nancy, AZ Alkmaar e M.Haifa. Nada mau, sobretudo se estabelecermos a comparação com as equipas que o F.C.Porto tem pela frente na Champions.
Espera-se pois que os jogos da última jornada cumpram de um modo geral a lógica, e afastem deste lote o Sevilha, o Ajax, o Celta, o Tottenham e o Palermo, equipas bem mais problemáticas que as oito atrás referidas.
De amanhã a uma semana teremos o sorteio, e em meados de Fevereiro a primeira-mão da eliminatória.
Que tal um Waregen-Benfica para começar?

RANKING - Liga dos Campeões (actualização)

Chegados ao final da primeira fase da Liga dos Campeões, é altura de actualizar o ranking de sempre da competição.
Realce para a luta entre Milan e Bayern pelo segundo lugar (desempatada a favor dos italianos pelo número de títulos), pela manutenção (para já) do quinto lugar do Benfica, pela ultrapassagem do Ajax pelo Barcelona (que ameaça também fortemente o Glorioso da Luz), e pelo bater à porta do top-ten por parte do F.C.Porto.
Veremos o que decorre da fase eliminatória, onde destes onze clubes só Juventus, Ajax e, infelizmente, Benfica, não poderão mais pontuar.

1º REAL MADRID, 960
2º A C Milan, 627
3º Bayern Munchen, 627
4º Juventus Torino, 529
S.L.Benfica, 490
6º F.C.Barcelona, 475
7º Ajax Amsterdam, 469
8º Manchester United, 451
9º Liverpool F.C., 442
10º F.C.Internazionale, 362
11º F.C.Porto, 340

Critério: vitória 3 pts, empate 1 pt, presença 1 pt, eliminatória passada 1 pt, final 10 pts e título 20 pts.

AINDA DEU PARA SONHAR...

Aconteceu aquilo que se esperava. O Benfica não foi capaz de ultrapassar o enorme obstáculo que tinha pela frente, saindo assim da Champions League sem glória, mas com a honra perfeitamente intacta e com a consciência de ter tido globalmente um desempenho que em nada envergonha o prestígio internacional de que o clube ainda desfruta.
Custa sempre muito perder, e ainda mais neste tipo de competições onde se joga quase a vida, mas o futebol é assim mesmo e também na hora da dor se reveste de enorme beleza. Bem podem agora os encarnados chorar pelos momentos onde esta eliminação se decidiu, pois num exercício subjectivo mas legítimo, uma vitória em Copenhaga ou mesmo sem ela apenas o penálti falhado por Saha em Glasgow teriam sido suficientes para levar o Benfica aos oitavos-de-final. Mas os resultados são fria e objectivamente aquilo que são.
Para este jogo a tarefa era, convenhamos, quase impossível. O Manchester tinha de garantir a sua qualificação – veja-se a propósito as facilidades concedidas nesta jornada pelos já apurados Liverpool, PSV, Lyon, Real Madrid e Milan, e chore-se mais umas lágrimas pelo tal penálti... – e jogava em sua casa. Estaria também mentalmente muito bem preparado para não repetir o falhanço da época transacta quando foi eliminado na Luz.
O Benfica fez o que tinha a fazer. Entrou bem no jogo, deitou água na fervura do ataque inglês que durante toda a primeira parte pouco perigo criou (pelo menos à luz do que se esperaria), e conseguiu mesmo aquilo que parecia mais difícil: colocar-se em vantagem num estupendo golo de Nelson. Foi tempo para sonhar.
Até final da primeira parte pareceu ser possível reviver a epopeia de Anfield Road em Março passado, pois a equipa da Luz revelava uma grande entreajuda e coesão enquanto o Manchester dava já sinais de alguma ansiedade. Mas eis então que surgiu um golpe demasiado duro para um conjunto de homens que necessitava de toda a sorte deste mundo e do outro: já em período de descontos, num lance de bola parada, Vidic restabeleceu a igualdade, que neste caso representava nova vantagem para a experiente equipa inglesa.
O Benfica perdeu nesse momento a confiança que revelara em todos os primeiros quarenta e cinco minutos, e nunca mais acreditou na sua felicidade. Logo no início da segunda parte se verificou que o jogo mudaria de feição e que dificilmente o Benfica encontraria oportunidade de o voltar de novo a seu favor. De facto aquele golo, para além da influência anímica sobre ambas as equipas, condicionou fortemente a estratégia que Fernando Santos poderia aplicar para a segunda parte. O Benfica fechar-se-ia, o Manchester teria que arriscar e abrir espaços atrás, através dos quais Simão e Miccoli teriam oportunidades de construir lances de perigo. Com 1-1 no marcador nada disso seria mais possível.
Ainda assim os encarnados lutaram sempre com as armas de que dispunham, e mesmo depois do 2-1, dois lances de génio de Simão – melhor benfiquista em campo – levaram algum sobressalto até às imediações da baliza de Vandersar. O jogo ficou bastante aberto e ou o Benfica fazia o 2-2 e relançava o jogo, ou o Manchester marcava e acabava com ele. Não surpreende que tenha sido a equipa mais forte e mais tranquila a conseguir marcar mais uma vez, fechando assim a porta a qualquer possibilidade dos benfiquistas.
Apesar da derrota, tem de se dizer que o Benfica sai da Liga dos Campeões de cabeça bem erguida. Teve algum azar em momentos cruciais do grupo (o tal penálti...), e não se pode dizer que tenha estado mal em nenhum dos seis jogos, nem mesmo quando saiu derrotado de Glasgow por um 3-0 manifestamente exagerado. Acabou por levar a sua luta até ao último jogo, onde chegou a estar em vantagem. Não era obrigado a mais.
Venha a Taça Uefa, e já agora alguma sorte num sorteio que poderá pôr diante dos encarnados equipas como o Feyenoord, Bayer Leverkusen, Palermo ou Tottenham, mas também o Waregen, o Hapoel, o Nancy ou o Maccabi Haifa. Embora esta prova não tenha, nem de perto, o brilho da Champions, também é verdade que as hipótese de nela chegar longe são bem menos remotas.
Siga a Europa !
Viva o Benfica!

Em termos individuais há que destacar a excelente exibição de Simão, que não merecia de todo sair da Liga dos Campeões, bem como a prestação de Ricardo Rocha que está de facto em grande forma. Nélson marcou um golo fantástico, mas fica ligado ao terceiro golo britânico, enquanto Katsouranis depois de uma primeira parte onde sobressaiu pelo rigor no auxílio defensivo a Nelson, borrou por completo a pintura no lance do segundo golo onde pareceu perfeitamente adormecido e permitiu a Giggs cabecear à vontade para o fundo da baliza de Quim. Léo esteve num dia infeliz, sendo ultrapassado inúmeras vezes com uma facilidade que não lhe é nada habitual, Nuno Gomes confirmou o seu mau momento falhando também a cobertura defensiva no primeiro e decisivo golo, e Miccoli, em quem se depositavam muitas esperanças, pareceu limitado fisicamente, acabando por pedir a sua substituição.
Pontuações: Quim 3, Nelson 3, Luisão 3, Ricardo Rocha 4, Léo 2, Petit 3, Nuno Assis 3, Katsouranis 2, Simão 4, Miccoli 2, Nuno Gomes 2, Karagounis 1 e Paulo Jorge 1.
Melhor benfiquista em campo: Simão Sabrosa (à beira da nota 5).
O árbitro alemão não se deixou notar.

O NULO QUE SE ESPERAVA

Conforme ficara aqui escrito na antevisão da jornada, F.C.Porto e Arsenal fizeram o resultado que toda a gente esperava.
A Liga dos Campeões movimenta verdadeiras fortunas, demasiado significativas para se deixarem fugir em nome de um romântico apelo do desportivismo mais ingénuo.
Obviamente que podendo empatar os dois, empatariam os dois. Já aconteceu em Mundiais em Europeus (no Euro 2004 até um curioso 2-2 entre vizinhos nórdicos que precisavam precisamente desse 2-2), e acontecerá sempre que se estiver a tratar de futebol profissional ao mais alto nível.
Nada disto belisca a justiça do apuramento portista, que demonstrou no momento chave (em Moscovo) que merecia estar entre a elite do futebol europeu. Um muito frágil Hamburgo também ajudou, mas as duas vitórias fora da equipa de Jesualdo mostram um Porto a querer renascer para as lides europeias.Entre Chelsea, Bayern, Liverpool, Valencia, Lyon, Manchester e Milan venha o diabo e escolha. Todavia Valencia e Liverpool parecem ser aqueles com quem as hipótese dos portistas vão um pouco mais além.

06/12/06

QUE DEUS ESTEJA CONVOSCO !

AI OS RUSSOS...

Um ano e meio depois do duplo desaire que começou a desenhar o fim da era Peseiro no Sporting, o fantasma dos russos voltou a assolar Alvalade. Mais uma vez uma equipa moscovita vestida de vermelho afasta os leões da Uefa em sua própria casa, mais uma vez por 1-3, mais uma vez poucos dias depois de uma derrota frente ao Benfica.
A história de futebol tem de facto múltiplas curiosidades destas, e já agora aproveito para manifestar uma vez mais a esperança que hoje em Old Trafford se dê também a coincidência de o Benfica, um ano depois, voltar a eliminar o gigante inglês – pode bem ser novamente por 2-1…- mas isto são contas de outro rosário.
Olhando ao jogo de ontem, o que se torna evidente é que a equipa de Paulo Bento se encontra em crise física e anímica bastante acentuada, restando saber se momentânea e ultrapassável, se duradoura e comprometedora do que resta de temporada.
Num jogo em sua casa, perante um adversário longe de se poder considerar inacessível e perante o qual o empate bastava, sofrer dois golos no primeiro quarto de hora é próprio de uma equipa tremendamente intranquila e de cabeça perdida. Quem reler a antevisão aqui feita à jornada europeia não poderá dizer que isso fosse totalmente inesperado.
A grande juventude de alguns dos elementos chave do plantel leonino poderia explicar esta realidade, mas não poderemos esquecer ao invés que, por exemplo, o F.C.Porto tem uma média de idades ainda mais baixa e tem dado mostras de grande maturidade competitiva em todos os momentos chave da temporada. Parece-me que falta a este Sporting um líder, uma voz de comando, que Moutinho terá certamente condições de ser no futuro, mas não pode ainda ser no presente. Parece-me também que se criou na opinião pública e em particular junto dos sportinguistas a ideia errada que Paulo Bento tinha à sua disposição um grande plantel. Na verdade, não só as aquisições do Sporting para esta época nada trouxeram à equipa (de Bueno a Farnerud, de Paredes a Alecsandro) como alguns dos seus valorosos jovens estão ainda num patamar de evolução e maturação futebolística bem abaixo das exigências de uma competição como a Liga dos Campeões, e estou-me a lembrar por exemplo de Miguel Veloso, Yannick Djaló, Ronny, ou mesmo Nani. Afigura-se por isso pacífico que uma incursão no mercado de Inverno é neste momento aconselhável, isto caso o Sporting tencione recuperar os cinco pontos que leva de atraso do F.C.Porto e manter-se à frente do Benfica. Veremos também, por outro lado, até que ponto esta derrota irá pesar nos cofres de Alvalade, se irá ainda permitir algum investimento ou obrigar a desinvestimentos.
Ao contrário das derrotas de 2005, estas surgem a meio de uma temporada onde o Sporting ainda mantém grandes esperanças de conquista de títulos, algo que não consegue vai para cinco épocas. Para isso vai ter de haver também uma profunda e rápida reflexão interna sobre outros aspectos, nomeadamente se a gestão do esforço físico do plantel terá sido bem equacionada por um jovem técnico que fez este verão a sua primeira pré-temporada à frente de uma equipa profissional.
Para já o estado de graça de Paulo Bento terminou, e pelo que se conhece do reino do leão, vai ter de passar algum tempo e algumas vitórias até ser possível sarar estas feridas.

05/12/06

OUTRA VEZ !

Faz agora precisamente um ano estava o Benfica em vésperas de receber na Luz o Manchester United para ai decidir a sua passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Só a vitória interessava. Sabemos o que aconteceu: uma noite inesquecível com Geovanni e Beto a marcarem os golos de um triunfo (2-1) para a história - foi a única vitória nos seis jogos disputados frente aos Red Devils para a Taça/Liga dos Campeões, com quem o Benfica inclusivamente jogou uma final em Wembley, em pleno Maio de 68.
Um ano depois repete-se a história, com a nuance de a partida decisiva se realizar em Old Trafford. Também só a vitória permite seguir em frente na Champions, embora desta vez o terceiro lugar e a repescagem para a Uefa estejam, como mínimo, assegurados.
Importa lembrar que há um ano atrás o Benfica tinha menos dois pontos do que agora, muito embora o grande equilíbrio num grupo com muitos empates lhe permitisse chegar à última ronda em condições de apuramento e apurar-se. Desta feita um super Celtic baralhou as contas do grupo, apurando-se ao fim de cinco jogos e deixando Manchester e Benfica a discutirem a outra vaga.
É preciso deixar bem claro que a missão do Benfica é extraordinariamente difícil. Já no ano passado o era, mas o facto de a partida decisiva se disputar desta vez na casa do adversário, a quem basta o empate, representa um acréscimo de dificuldade que muito dificilmente este Benfica, ainda que confiante com a vitória em Alvalade, poderá tornear. Além do mais, jogos como aquele da Luz não se repetem muitas vezes na vida, e do Manchester poder-se-á esperar tudo menos facilidades.
As maiores hipóteses que os encarnados teriam de seguir em frente na competição, ter-se-ão esfumado nos pés de Saha, ao falhar uma grande penalidade em Glasgow no último minuto do Celtic-Manchester, que a ser concretizada deixava o Benfica em muito melhores condições de apuramento. Agora nada há a fazer senão tentar vencer.
Como o fazer ?
Nem sempre a necessidade de ganhar deve limitar o futebol de uma equipa a uma opção meramente atacante. Julgo que quando um conjunto é assumidamente inferior a outro – e só por cegueira clubista se poderá negar a ampla superioridade dos ingleses -, a melhor estratégia passa antes de mais por tentar impedi-lo de jogar. É isso que o Benfica terá de fazer primeiro, eventualmente um pouco à semelhança do que fez nalguns momentos do jogo de Alvalade, salvaguardando as devidas distâncias (o Manchester não é, infelizmente, o Sporting). Depois há que confiar no contra-ataque, onde Miccoli e Simão poderão fazer abanar a mediana estrutura defensiva da equipa de Alex Ferguson.
Não me parece pois que o Benfica deva abordar o jogo de uma forma excessivamente audaz – que neste caso seria um tanto fanfarrona – mesmo tendo de o vencer. Deve pelo contrário optar por uma abordagem calculista, por cortar o ritmo do jogo, e sorrateiramente esperar por uma oportunidade. O jogo tem noventa minutos, e ao longo deles de certo surgirão alguns espaços no meio campo contrário, por onde tentar aproveitar um momento de felicidade.
O principal perigo desta equipa, líder destacada da Premier League, vem das alas, onde evoluem o nosso bem conhecido Cristiano Ronaldo e o renascido galês Ryan Giggs. É por eles que passa todo o processo ofensivo da equipa, segundo me foi dado a observar nos seus últimos jogos domésticos. Com franqueza não sei muito bem o que possam fazer Nelson e Léo contra aqueles dois “monstros” do futebol europeu que não seja esperar que estejam em noite infeliz, sobretudo o português, em super-forma. Resta também acreditar que as compensações de Katsouranis e Nuno Assis não apresentem deficiências – em Alvalade estiveram perfeitos, mas não esqueçamos que os leões jogaram sem extremos.
A solução Nuno Gomes parece ser pertinente para o vértice mais adiantado do losango intermédio. De facto a velocidade e liberdade de Simão são fundamentais enquanto que uma presença de Nuno Gomes na área contrária faria dele um jogador a menos, engolido pelos gigantes Ferdinand e Vidic -não me espantaria até que o ponta-de-lança ficasse no banco e cedesse o seu lugar a Karagounis.
Mas por mais voltas que se dê, por melhores estratégias que se pondere, a verdade é que todas as possibilidades do Benfica voltar a fazer história nesta prova se resumem a uma só palavra: sorte!
É dela que o Benfica precisa, e em abundância, para sobreviver a um verdadeiro inferno por onde terá que passar, e para o qual ainda não tem manifestamente argumentos.
É ela que se deseja, sabendo-se que uma vitória em Manchester será absolutamente heróica, e trará a nação benfiquista de volta ao céu.

As equipas deverão alinhar da seguinte forma:
Manchester United – Vandersar, Neville, Ferdinad, Vidic, Heinze, Carrick, Scholes, Ronaldo, Giggs, Saha e Rooney.
Benfica – Quim, Nelson, Luisão, Ricardo Rocha, Léo, Petit, Katsouranis, Nuno Assis, Nuno Gomes, Simão e Miccoli.

AS PORTAS DA EUROPA

O Sporting tem um difícil teste à sua força mental, ao receber os russos do Spartak, necessitando de pelo menos um empate para prosseguir a temporada internacional (na Uefa), dias depois de ter sido inapelavelmente derrotado em casa pelo eterno rival.
Trata-se de um jogo de risco máximo para os leões, quer pelo momento em que surge, quer pelo desencantamento causado pela impossibilidade de seguir na Champions, quer ainda pela habitual frieza competitiva dos homens de leste.
É um jogo em que o Sporting terá de jogar nos limites, e não se sabe se os seus jovens jogadores estarão mentalizados para essa necessidade. Os russos não vêm passear a Lisboa, e podem muito bem aproveitar a debilidade anímica dos comandados de Paulo Bento.
Veremos se o Sporting será capaz de responder a este difícil desafio, deixando desde já a nota de que seria de todo injusto que não se classificassem para a Taça Uefa.

Por outro lado, o F.C.Porto não vai certamente desperdiçar a hipótese de seguir em frente na prova que há pouco mais de dois anos venceu. Ao Arsenal basta um empate, tal como aos Dragões, e ou me engano muito ou será precisamente esse o resultado do jogo.
Os portistas conquistaram a qualificação em Moscovo, e não será em sua casa, perante um Arsenal desfalcado da sua grande estrela Thierry Henry, que irão comprometer aquilo que tão brilhantemente conseguiu edificar.

Nos restantes grupos as atenções estarão centradas em Camp Nou, onde o campeão Barcelona terá de vencer o líder da Bundesliga Werder Bremen para não ficar desde já de fora da liga milionária, algo que faria a Europa abrir a boca de espanto. Os catalães não se têm entendido com a falta de Samuel Eto’o, e agora também de Messi, deixando-se de forma surpreendente chegar à ultima jornada fortemente pressionados.
Não me parece todavia crível que Ronaldinho, Deco e companhia deixem de colocar as coisas no sítio, e não conduzam o Barca ao apuramento.

03/12/06

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Numa jornada em que os casos (dois lances duvidosos na área de Benfica e Sporting) não interferiram nos resultados, a classificação não sofreu correcções.

F.C.PORTO 29
Sporting 27
Benfica 22 (-1 jogo)

VEDETA DA JORNADA

RICARDO ROCHA: Por ter sido o melhor em campo no jogo grande da jornada, ao central benfiquista assenta bem a distinção.
Quaresma com uma exibição soberba também não desmereceria o destaque da jornada.

DRAGÃO IMPARÁVEL

O F.C.Porto continua firme no comando da tabela classificativa da Liga Portuguesa após bater no seu estádio o Boavista por 2-0 no derby da cidade invicta.
Os Dragões, mesmo sem Anderson, mesmo utilizando recorrentemente jogadores como Bosingwa, Bruno Alves, Cech, Bruno Moraes, João Paulo, Sektioui, Jorginho, Alan ou Fucile, todos de qualidade individual pouco mais que mediana e longe de se poderem considerar figuras de primeiro plano, lá vão trilhando o seu caminho, um impressionante caminho de solidez, eficácia e vitórias. A equipa de Jesualdo assenta a sua liderança numa atitude competitiva sem impar no futebol português – regularidade a toda a prova e nada de facilidades -, apimentada com o talento de Quaresma, a liderança de Lucho, os golos do ressuscitado Postiga e a segurança de Pepe e Helton.
Muito deste F.C.Porto vem já da época transacta. O mal amado Co Adriaanse teve indiscutível mérito na forma como lançou jogadores até então sem grande estatuto -foram os casos de Paulo Assunção, Pepe, Helton e Raul Meireles – e como tornou o futebol de Quaresma bem mais eficaz que antes da sua chegada. O rigor competitivo da equipa tem também em parte a sua marca, pois foi desde meados da temporada passada que o F.C.Porto passou a exibir uma regularidade que se não via a qualquer equipa nacional desde os tempos de José Mourinho, que lhe deu o título e lhe permite manter neste momento uma folgada liderança. Dos últimos 33 jogos para competições nacionais (período correspondente ao ano civil de 2006), os portistas venceram 28, o que dá uma impressionante marca de mais de 84 % de sucesso. Veremos daqui em diante de entre Benfica e Sporting quem poderá estar em melhores condições para tentar a aproximação aos portistas. A avaliar pelo derby de sexta-feira o Benfica parece neste momento bem mais forte. Mas com um Porto assim, as notícias não são boas para os grandes da capital.