31/03/11

UM CICLO DE EQUILÍBRIO

Desde o Verão de 2008, Benfica e FC Porto têm-se, grosso modo, equivalido em termos de peso relativo no desporto português, e em particular no futebol. Depois de um período totalmente dominado pelo Benfica (décadas de sessenta e setenta), de um período de equilíbrio entre ambos (década de oitenta), de um período de domínio portista (década de noventa e início de século), parecemos estar novamente perante uma fase de equilíbrio, que, mais ano menos ano, pode até dar origem a nova inversão de ciclo (ou não).
Este campeonato será para o FC Porto, mas se o próximo for para o Benfica podemos ter uma sequência Porto-Benfica-Porto-Benfica, que trará à memória os sete anos seguidos de alternância (entre 1985 e 1992), ou os nove títulos (exactamente os mesmos) para cada um dos clubes entre 1975 e 1995. Como o campeonato não é tudo, a Taça de Portugal e Taça da Liga, que o Benfica pode conquistar, são também elas factores a ter em conta, bem como as vitórias nas modalidades (Andebol e Hóquei inclinados para o FC Porto, Futsal e Volei para Benfica, e Basquetebol a discutir entre ambos no play-off). Mais do que tudo isto, o eventual desfecho favorável da Liga Europa para um ou outro, poderá fazer pender o prato da balança, aí sim, de forma bastante vincada. O que importa menos é mesmo o resultado do próximo domingo (embora também em jogos as equipas estejam empatadas, com 3 vitórias para cada lado desde 2008).

OPORTUNIDADE HISTÓRICA

"Após uma noite de sofrimento em Paris, o Benfica atingiu, pelo segundo ano consecutivo, e pela quarta vez nas últimas seis temporadas, os quartos-de-final de uma competição europeia. A entrada nos oito melhores da Liga Europa trouxe naturalmente uma grande alegria à família benfiquista espalhada pelo mundo, e muito particularmente aos emigrantes portugueses de Paris, que puderam presenciar in loco mais um triunfo internacional do seu clube. Vivendo o Benfica à distância, muitos desses compatriotas são um enorme testemunho de amor clubista, e bem merecem que o emblema da sua paixão lhes leve o sabor das vitórias até bem perto do local onde vivem e trabalham. Ultrapassada esta etapa, há que olhar em diante, e perceber que o sonho de uma conquista internacional se está a tornar cada vez mais nítido. A Liga Europa apresenta-se este ano particularmente aberta, e uma presença na final de Dublin, tratando-se naturalmente uma empreitada ainda muito difícil, parece ser um objectivo inteiramente à altura da excelência que a nossa equipa já foi capaz de demonstrar. O sorteio dos quartos-de-final pôs-nos pela frente o PSV Eindhoven, líder da Liga Holandesa, e invicto na corrente época europeia, o que constitui, desde logo, um cartão de visita respeitável. Trata-se de uma equipa forte, com uma veia goleadora notável (72 golos em 25 jogos do seu campeonato), com um plantel recheado de juventude, e de capacidade atlética. É um adversário que não nos traz boas recordações – aquela final de 1988 foi talvez o momento mais triste que o futebol me proporcionou em toda a vida -, mas não é, de todo, inultrapassável. O melhor Benfica, o Benfica que venceu, por exemplo, no Dragão e em Estugarda, será com certeza capaz de disputar esta eliminatória de forma bastante afirmativa, e conseguir o desejado passaporte para as meias-finais, mantendo o sonho de pé. Entre os adversários que o sorteio poderia proporcionar, o equilíbrio era a nota dominante. Pessoalmente, apenas desejava evitar as equipas portuguesas ainda em prova, não só pelo seu valor desportivo, mas sobretudo devido a toda pressão que, inevitavelmente, iríamos ter de suportar dentro e fora dos campos. Gosto que as competições europeias tragam bons jogos de futebol. Não gosto de guerras, nem de terrorismo. Se olharmos para o ranking da UEFA, os dois clubes constantes do quadro dos quartos-de-final com melhor posicionamento são justamente FC Porto e Benfica, seguindo-se este PSV Eindhoven (sendo também estes os únicos antigos campeões europeus em prova). Ou seja, até à grande final de Dublin, temos já a certeza de não encontrar pelo caminho nenhum adversário teoricamente mais forte do que nós (PSV, Sp.Braga e Dínamo de Kiev têm, todos eles, um ranking inferior ao do Benfica), o que de nada valendo se não tiver a correspondente tradução no relvado, não deixa contudo de constituir um precioso sinal quanto ao zelo a emprestar a esta caminhada, e um forte estímulo para acreditarmos que é mesmo possível fazer história. O Benfica está, de facto, perante a possibilidade real de voltar, 49 anos depois, a erguer um troféu europeu. Não creio que tenha existido, nas últimas duas décadas, oportunidade tão clara para romper o maldito jejum imposto pelas profecias de Bela Guttmann, e devolver o Benfica ao seu destino de força universal. Não sabemos se poderão aparecer, no futuro próximo, muitas ocasiões como esta. E até a infeliz circunstância de nos terem afastado da discussão do título doméstico nos empurra para os braços do sonho europeu. Esta oportunidade justifica pois uma aposta total e absoluta. É preciso congregar todas as forças, dos dirigentes aos roupeiros, dos jogadores aos adeptos, para levarmos o Benfica à final da Liga Europa, caminho que terá necessariamente de começar por esta eliminatória frente ao PSV. Espera-se pois que o melhor Benfica da temporada, com toda a energia, com toda a alma, esteja em campo no próximo dia 7 de Abril, quando tiver lugar a primeira-mão da eliminatória com a equipa holandesa. Espera-se também que os sócios e adeptos correspondam à chamada, enchendo o Estádio da Luz, e fazendo reviver as grandes noites europeias do passado, pois isso será ajuda preciosa ao desempenho dos atletas em campo. Nenhum benfiquista com menos de 50 anos de idade viu José Águas erguer a Taça dos Campeões. Para todas estas gerações, o próximo dia 18 de Maio poderá significar a maior alegria desportiva de uma vida. Essa é uma responsabilidade a que a equipa de Jorge Jesus não pode fugir, sabendo-se que no futebol não há vencedores antecipados, e que também não existem campeões sem sorte. Vencer a Liga Europa não pode ser uma exigência, mas terá de ser um pedido. Um pedido forte e sentido. Uma súplica, de todos aqueles que anseiam por uma grande conquista internacional capaz de emparelhar com aquelas que os nossos pais e avós nos contaram, e com as quais nos encantaram o espírito."
LF no jornal "O Benfica" de 25/03/2011

O EQUILÍBRIO POSSÍVEL

"Um breve olhar sobre as contas do primeiro semestre da temporada 2010-2011, permite concluir que o Benfica, apesar da profunda crise financeira, económica e social que o país atravessa, vai mantendo os seus equilíbrios estáveis, reforçando inclusivamente a sua situação económica e patrimonial. O resultado líquido apresentado é positivo – tal significa desde logo uma melhoria face ao período homólogo dos últimos dois anos -, o que se torna particularmente relevante se atendermos ao facto de não estarem consideradas as mais-valias provenientes das vendas de Di Maria (valor ainda reflectido nas contas de 2009-2010), e de David Luíz (a englobar no próximo semestre), e se tomarmos em conta os custos financeiros decorrentes da subida de taxas de juro e “spreads” bancários, aspecto que afectou toda a actividade económica do país, e ao qual, naturalmente, o clube não pôde, também ele, escapar. Para o lucro alcançado muito contribuiu a presença da equipa na Champions League (que rendeu cerca de 10 milhões de euros em prémios, mesmo sem que nela tenhamos atingido sucesso desportivo digno de nota), o que demonstra a importância vital de integrarmos, ano após ano, esta competição – que é um verdadeiro desfile de grandezas e riquezas, ou não lhe chamassem a Liga “milionária”. Estarmos presentes na principal montra do futebol europeu é algo que teremos sempre de garantir, pois além da valorização que permite aos atletas, a sua relevância nas demonstrações financeiras é assinalável, podendo, por si só, fazer toda a diferença nos números finais. É bastante provável que Portugal volte em breve a colocar dois clubes directamente na fase de grupos da prova, o que, a confirmar-se, será uma preciosa ajuda àquele desiderato. Com a entrada directa do segundo classificado do campeonato português, as hipóteses de marcarmos presença frequente na elite europeia - há que o reconhecer - sobem consideravelmente, o que nos deixa, pelo menos no plano financeiro, bastante mais salvaguardados face às torpes influências do sistema, dos árbitros, dos fiscais-de-linha, das bolas de golfe, e de todas as falcatruas que rodeiam o futebol português. É pena que as receitas de bilheteira tenham, neste período, registado uma quebra significativa (quase 20%, mesmo tomando em consideração um acréscimo na venda de lugares cativos). Sem negligenciar as consequências naturais da crise generalizada, tal ter-se-á devido, em larga medida, às condicionantes da fase inicial da temporada, o que demonstra bem quanto arbitragens como as de Olegário Benquerença (em Guimarães), Pedro Proença (na Choupana) ou Cosme Machado (com a Académica na Luz) nos penalizaram, logo de entrada, também a este nível. É de realçar e lembrar, a propósito, a importância da presença maciça dos benfiquistas no estádio mesmo quando as coisas não correm de feição, pois, para além do apoio à equipa, essa participação é também imprescindível ao equilíbrio financeiro da instituição que amamos. Não é aceitável que um clube de expressão meramente regional, como o FC Porto, consiga gerar um maior fluxo de receitas de bilheteira que aquele que é o maior clube do mundo em número de associados. Neste aspecto, é dos benfiquistas, e em particular dos sócios, a palavra final. A crise obriga a sacrifícios, mas também a opções, e entre manter, por exemplo, as mensalidades de canais televisivos que se servem de nós, precisam de nós, mas nada fazem para nos agradecer, ou ir mais vezes ao estádio apoiar a nossa equipa ao vivo, a escolha afigura-se óbvia. Falando de televisão, há que lamentar uma vez mais a total desproporcionalidade entre as audiências que a popularidade do Benfica origina, e o pouco que nos é pago por elas. A principal arma do nosso clube reside na gigantesca massa adepta que semanalmente o vive e o segue, muitas vezes à distância. Se essa força não é traduzida, nem reconhecida, em termos de receitas efectivas, será lícito pensar que podemos até estar perante um caso de concorrência desleal. Este é hoje, sem dúvida, o aspecto mais penalizador para a realidade económico-financeira do nosso clube. Mas 2013 chegará depressa, e então, dada a capacidade negocial já muitas vezes evidenciada pelos nossos dirigentes, em particular pelo presidente Luís Filipe Vieira, poderemos estar certos de que nada mais será como antes. O Benfica verá, enfim, reconhecida, sob o ponto de vista televisivo, a sua grandeza, e o futuro entrará, radioso, pelas nossas portas. Para já, pode pois dizer-se que, dadas as circunstâncias externas, o Benfica está de boa saúde, e em condições de dar o salto para um novo tempo na sua vida."
LF no jornal "O Benfica" de 18/03/2011

UM GIGANTE!

"Devo confessar que, num primeiro momento, a contratação de Roberto não me entusiasmou particularmente. Por se tratar de um jovem, por não actuar num clube de primeira grandeza, não o conhecia suficientemente bem. Parecia-me também que não era de um guarda-redes que o Benfica mais precisava naquela altura, além de o elevado custo da transferência fazer aumentar os riscos. Os primeiros tempos de Roberto na Luz não ajudaram a dissipar as dúvidas. Algumas exibições menos conseguidas lançaram-no para o banco dos réus, e muitos tentaram responsabilizá-lo pelo mau início de época do Benfica (procurando iludir a perseguição de que fomos alvo por parte de certas arbitragens). A verdade é que, volvidos poucos meses, o guarda-redes espanhol tornou-se uma das grandes figuras da nossa equipa. Descontando um ou outro momento menos feliz, Roberto tem justificado amplamente a contratação, mostrando-se um gigante na baliza, e prometendo ainda mais para o futuro. Não esqueçamos que se trata de um jogador com grande margem de progressão, sobretudo atendendo à posição específica que ocupa – na qual a experiência é mãe da perfeição. Recordo que o grande e saudoso Manuel Bento aos 24 anos (idade com que Roberto chegou à Luz) ainda andava pelo Barreirense, e só muito mais tarde viria a tornar-se naquilo que foi: um dos melhores guarda-redes portugueses de todos os tempos. Acresce que Roberto já demonstrou uma característica que ninguém de boa fé lhe poderá negar: é senhor de uma força mental assinalável, através da qual lhe foi possível resistir à campanha negra que certa comunicação social lançou sobre ele naquela fase inicial da temporada – a qual, diga-se, os benfiquistas ajudaram a combater, pois mesmo aqueles que, como eu, não tinham ainda certezas quanto à sua capacidade, nunca deixaram de o apoiar nos momentos mais difíceis. Hoje ninguém duvida que Roberto é um guarda-redes para o futuro. Debaixo dos postes já é quase intransponível. No jogo aéreo vai certamente melhorar com o tempo."

LF no jornal "O Benfica" de 25/03/2011

29/03/11

2011-12 NO HORIZONTE

O médio brasileiro Bruno César é a mais recente contratação benfiquista para a próxima temporada. Ao contrário do que sucedia num passado recente, hoje o Benfica trabalha com bastante antecedência, sendo já possível (ainda estamos em Março) esboçar o quadro de jogadores que Jorge Jesus terá ao seu dispor em Julho próximo. Vejamos:

ENTRADAS: Daniel Wass (Brondby), Bruno César (Corinthians), Nolito (Barcelona), Matic (Chelsea), Nuno Coelho (Académica) e Rodrigo Mora (Defensor)

POSSÍVEIS AQUISIÇÕES: Taiwo e Salvio (este já no clube por empréstimo)

POSSÍVEIS REGRESSOS DE EMPRÉSTIMOS: Urreta, Rodrigo, Fábio Faria, Miguel Vítor, David Simão e Nélson Oliveira

PERMANÊNCIAS PROVÁVEIS: Roberto, Júlio César, Moreira, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, Jardel, César Peixoto, Airton, Gaitán, Ruben Amorim, Carlos Martins, Saviola, Kardec e Jara

VENDA QUASE CERTA: Fábio Coentrão

VENDAS POSSIVEIS: Javi Garcia, Cardozo, Aimar, Yebda e Eder Luís

POSSÍVEIS EMPRÉSTIMOS: Roderick, Carole, Fernandez e Felipe Menezes

FIM DE CONTRATO: Nuno Gomes, Luís Filipe e Weldon


EVENTUAL PLANTEL*: Roberto - Julio César - Moreira / Maxi Pereira - Luisão - Sidnei - Taiwo - Wass - Jardel - Miguel Vítor - Fábio Faria - César Peixoto / Matic - Salvio - Bruno César - Gaitán - Airton - Ruben Amorim - Carlos Martins - Urreta - Nuno Coelho / Cardozo - Saviola - Mora - Jara - Kardec - Nolito - Rodrigo

*Considerando as vendas de Fábio Coentrão, Javi Garcia e Aimar, com um encaixe total próximo dos 50 milhões de euros

28/03/11

VOCÊ DECIDE!

Os leitores de VEDETA DA BOLA podem escolher, a partir de hoje, e até ao fim de Abril, aquele que é, para cada um de vós, o melhor jogador da Liga Portuguesa. São dadas 25 opções. É só votar, aqui ao lado. Podem também comentar, discutir e protestar.

DE PERNAS PARA O AR

Em criança tinha medo do Sporting. Na adolescência passei à antipatia. Mais tarde limitei-me á indiferença. Hoje sinto pena. Quando se pensava que o clube iria realmente começar a resolver os seus problemas, quando se esperava que pudesse sair do acto eleitoral uma liderança reforçada e inequívoca, eis que o Sporting nos proporciona um dos espectáculos mais degradantes a que assisti num clube de futebol – e já tenho a minha dose, inclusivamente ao vivo, desde os tempos de Vale e Azevedo. Não sei como vai ser possível a Godinho Lopes exercer o seu mandato com uma significativa maioria de sócios contra ele (os de Bruno Carvalho, mas também os de Dias Ferreira e Abrantes Mendes, pelo menos), ou com uma mesa de Assembleia-Geral necessariamente hostil, dadas as trocas de insultos em que a campanha foi fértil. Foi penoso ver um presidente acabado de eleger a fugir da ira dos próprios associados, sob enorme aparato de segurança. Foi grotesco ouvir as declarações de Rogério Alves (acredito que agora finalmente se cale), completamente desfasadas de tudo o que, na realidade, se estava a passar. Tudo isto depois da stand-up comedy proporcionada por Paulo Futre, e da tolerância de Eduardo Barroso para com a eventual lavagem de dinheiro do candidato da lista que integrava (ampla matéria para os humoristas da nossa praça…). Tudo isto num clube onde os sócios correspondentes não podem votar, onde para votar é necessário ir a Alvalade, e onde a contagem parece ser feita boletim a boletim, com os resultados que estão à vista. Com a derrota no Futebol de Praia, com a derrota no Andebol, com a lesão grave do João Pereira na Selecção, com a vitória do Sp.Braga em Olhão, ao fim-de-semana sportinguista restou o triunfo no dérbi de Juniores, parco paliativo para tão profunda e acentuada crise.

A DESTEMPO

Já aqui o disse: não entendo, nem concordo, com calendários internacionais que forçam jogos de selecção no momento em que as competições de clubes estão tão acesas. Mais do que prejudicar o clube A ou clube B, creio que é o próprio futebol que sai a perder com este anti-climax total. Concentrar as partidas internacionais em Maio/Junho (à semelhança das fases finais) seria, no meu ponto de vista, a solução. Os dez ou onze jogos que uma selecção faz por ano cabem perfeitamente num mês, ou num mês e meio, e a atenção dos adeptos (e dos …jogadores) estaria aí seguramente mais estimulada. Em ano de fase final poder-se-ia abrir um espaço adicional em Janeiro (por exemplo), de modo a finalizar as qualificações – que por sua vez talvez não devessem obrigar as principais selecções a jogos com Luxemburgo, San Marino ou Ilhas Faróe. Diz isto quem, como eu, é um amante dos jogos das selecções, e em particular da Selecção Nacional. Diz isto quem, ainda assim, não conseguiu arranjar disposição para perder hora e meia a ver um jogo a feijões com o Chile, que só para Paulo Bento terá tido algum interesse ou significado. Em Junho, sim. Aí estarei na Luz a apoiar a equipa rumo ao Euro. E ninguém me tira da cabeça que estes jogos, disputados nas semanas imediatamente anteriores ao confronto com a Noruega, teriam muito mais utilidade e interesse.

25/03/11

BENFICA: A MAIOR FORÇA DO DESPORTO EUROPEU

Atente-se ao seguinte exercício.
Comecemos por verificar quais os clubes que permanecem nas competições europeias de Futebol:
Vejamos agora as outras modalidades, começando aleatoriamente pelo Futsal:Agora o Andebol:E depois o Hóquei em Patins:E ainda o Basquetebol:E, para terminar, o Voleibol:Como se vê, grande parte destas competições está já em fases bastante adiantadas.
Desafio agora o leitor a contar os nomes dos clubes que surgem por três vezes em todas elas.
Pronto, está bem, eu respondo: nenhum clube aparece três vezes nos quadros.
Agora vejamos se algum aparece por quatro vezes.
.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?
Sim! Há dois clubes que figuram em quatro competições. Quais? Barcelona e…BENFICA!
Mas se o Barcelona mantém essas quatro participações desde o início da época, o Benfica tinha, há apenas um mês atrás, ainda mais uma (a quinta), pois o Basquetebol foi entretanto eliminado da Challenge Cup depois de ter disputado 14 jogos, e ter ultrapassado duas fases, derrotando cinco adversários.
Lembremos também que três atletas do Benfica conquistaram medalhas nas últimas Olimpíadas (duas delas de Ouro), sem falar nos títulos e vice-títulos europeus e mundiais de Nelson Évora ou Telma Monteiro, por exemplo. Escusado será recordar o campeonato europeu de Futsal, conquistado em Abril de 2010.
Qual é então o clube mais ecléctico da Europa?
Deixo a resposta à vossa consideração, bem como à de alguns candidatos à presidência do Sporting, que julgam viver ainda no tempo de Joaquim Agostinho e Carlos Lopes, e a alguns portistas, que se satisfazem com vitórias pontuais num ou noutro jogo, mas nem imaginam o que é competir em tantas frentes simultaneamente, sempre com fortes ambições.

VAI JOGAR NA TUA TERRA!

Como sabem, não sou fã de Carlos Queiroz, e considero a sua passagem pela Selecção Nacional um acidente. Mas as palavras de Pepe acerca dele são inqualificáveis, e definem o carácter (neste caso a falta dele) de quem as profere.
Em primeiro lugar porque a gratidão é um valor que prezo, e só por essa via poderei entender a convocatória do jogador para o último Mundial (único na sua carreira), depois de uma pausa prolongada.
Em segundo, porque não cabe aos jogadores pronunciarem-se sobre aspectos que os transcendem, muito menos sobre processos que envolvem a entidade que, pelo menos enquanto internacionais, os tutela.
Em terceiro, porque Pepe nem sequer é português, e, no meu ponto de vista, está a mais num grupo onde nunca devia sequer ter entrado. Já que ninguém o tira de lá, ao menos que se cale.

23/03/11

CRIMES E CASTIGOS

De um lado:
DIRIGENTES DO BENFICA AGREDIDOS NAS ANTAS Abril de 1991
-Impune
PRODUTO TÓXICO NO BALNEÁRIO DO BENFICA NAS ANTAS Abril de 1991
-Impune
CARRO DE CARLOS VALENTE APEDREJADO Abril de 1991
-Impune
AGRESSÃO A CARLOS PINHÃO EM AVEIRO 1993
-Impune
AGRESSÃO A MARINHO NEVES 1996
-Impune
REPÓRTERES DA RTP AGREDIDOS NAS ANTAS 1997
-Impune
AGRESSÃO A RICARDO BEXIGA NO PORTO 2004
-Impune
AMEAÇAS TELEFÓNICAS A JOSÉ MOURINHO Maio de 2004
-Impune
CUSPIDELA SOBRE MOURINHO EM STANFORD BRIDGE Outubro de 2004
-Impune
FESTEJOS DO TÍTULO VIOLENTAMENTE IMPEDIDOS NA AVENIDA DOS ALIADOS Maio de 2005
-Impune
AMEAÇAS A COSTINHA Dezembro de 2005
-Impune
AMEAÇAS A DERLEI Dezembro de 2005
-Impune
ATENTADO A CO ADRIAANSE NO OLIVAL 2006
-Impune
PETARDO NA CABEÇA DE PEDRO AFONSO EM FÂNZERES 2006
-Impune
CONFISSÕES DE VÁRIOS CRIMES NO LIVRO "O LIDER" 2007
-Impune
CÃO DE RUI MOREIRA ABATIDO 2008
-Impune
AMEAÇAS DE TIRO NO JOELHO A PAULO ASSUNÇÃO 2008
-Impune
DISTÚRBIOS EM JOGO DE BASQUETEBOL EM MATOSINHOS 2008
-Impune
PETARDOS LANÇADOS SOBRE ADEPTOS DO BENFICA NA LUZ 2008
-Impune
AGRESSÃO A CRISTIAN RODRIGUEZ 2009
-Impune
FÁBIO COENTRÃO ATINGIDO À ESTALADA NO DRAGÃO 2009
-Impune
ESPERA E AGRESSÃO A RUI SANTOS NUM PARQUE DE ESTACIONAMENTO 2009
-Impune
AMEAÇAS TELEFÓNICAS A MANUEL DOS SANTOS 2010
-Impune
OITO CASAS DO BENFICA VANDALIZADAS PELO PAÍS Maio de 2010
-Impune
EMBOSCADAS NA A1 AO AUTOCARRO DO BENFICA Maio de 2010
-Impune
AUTOCARRO APEDREJADO NO DRAGÃO Maio de 2010
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO DRAGÃO Maio de 2010
-Impune
JORGE JESUS ATINGIDO POR ISQUEIRO NA CARA Maio de 2010
-Impune
DUAS BENFIQUISTAS AGREDIDAS NAS IMEDIAÇÕES DO DRAGÃO Maio de 2010
-Impune
FESTEJOS VIOLENTAMENTE IMPEDIDOS NO PORTO E EM BRAGA Maio de 2010
-Impune
CARRO DA TVI ATINGIDO 2010
-Impune
AUTOCARRO DO BENFICA APEDREJADO NO DRAGÃO Novembro de 2010
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO DRAGÃO Novembro de 2010
-Impune
ROBERTO ATINGIDO NAS COSTAS Novembro de 2010
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO DRAGÃO Fevereiro de 2011
-Impune
EQUIPA DE VOLEIBOL APEDREJADA À SAÍDA DE GUIMARÃES 2011
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO AXA Março de 2011
-Impune
CARDOZO ATINGIDO NO JOELHO Março de 2011
-Impune
CARLOS MARTINS ATINGIDO NA CABEÇA Março de 2011
-Impune
AGRESSÃO RUI GOMES DA SILVA NA FOZ Março de 2011
-Impune
EMBOSCADAS NA A41 APÓS JOGO COM O PAÇOS DE FERREIRA Março de 2011
-Impune
Do outro lado:
VERY LIGHT ATINGE FATALMENTE ADEPTO DO SPORTING NO JAMOR Junho de 1996
-O autor, Hugo Inácio, foi condenado e detido
EQUIPA DE HÓQUEI AGREDIDA NA LUZ 1997
-Vários membros dos No Name Boys condenados e detidos
AUTOCARRO VAZIO INCENDIADO 2008
-Vários membros dos No Name Boys condenados e detidos
FISCAL-DE-LINHA AGREDIDO NA LUZ Setembro de 2008
-Diabo de Gaia impedido de ir ao futebol durante um ano
CARRO DE PINTO DA COSTA ATINGIDO Janeiro de 2010
-Impune
CASA DE COIMBRA APEDREJADA Março de 2011
-Impune
CONCLUSÃO: Se a violência não tem cor (e, pelo que se vê, tem pelo menos uma tonalidade e uma região claramente dominantes), a impunidade parece ser exclusiva de alguns. A diferença entre a civilização e a barbárie está na forma como o crime é punido. E quando se deixa alguém em liberdade só porque é estupidamente recusado o principal meio de prova existente (como aconteceu com Pinto da Costa no Apito Dourado), está a dar-se o sinal de partida para o "vale tudo" que se vê acima.

A PROPÓSITO DE VIOLÊNCIA

Este animal já estará detido?

22/03/11

UM BANDO, UM CHEFE

A história repetiu-se.
Vai repetir-se outra, e outra, e outra vez. Vai repetir-se enquanto o clima de impunidade que grassa no futebol, e no próprio país, prevalecer sobre a lei e a segurança dos cidadãos. Vai repetir-se enquanto os criminosos não forem punidos, e continuarem, por entre “finas ironias”, a gozar com o estado de direito e a rir-se de todos nós.
Branco é, galinha o põe. Pedra é, Super Dragão a atira. E o chefe da caixa, e do bando, continua a apreciar o panorama, passando por cima de tudo o que são princípios, leis, regras ou comportamentos basilares, em nome de vitórias, e mais vitórias, que removam os seus recalcados complexos provincianos.
Prisão era o lugar apropriado para esta teia de crime que, a partir de bares de alterne, casinos clandestinos e outras capelas de sub-mundo, tomou o FC Porto de assalto há cerca de trinta anos. Prisão era o mínimo que se exigia para quem, além de dividir tão pequeno país, além de adulterar resultados desportivos a seu bel-prazer, além de instigar ao ódio e à violência com contínuas e reiteradas provocações, ainda patrocina, por entre omissões e actos, um clima de guerrilha terrorista que ninguém sabe onde, ou como, poderá parar. Prisão era, aliás, onde já estaria Pinto da Costa, se meios de prova evidentes e factuais não fossem desconsiderados e ignorados por tribunais especializados em não incomodar delinquentes.
Sejamos realistas quanto à natureza da espécie humana. O problema não é o crime. Ele sempre exibirá as suas garras. Os Joe Bonannos, os Lucky Lucianos, os Pintos da Costa, os Al Capones irão sempre aparecer. O problema está na impunidade. É ela que nos separa das sociedades mais desenvolvidas, e a avaliar pelo que se passa com as forças policiais, e com os próprios tribunais, sobretudo a norte do país, as coisas não parecem tender a melhorar, mas antes a caminhar no sentido do que de mais tenebroso aprendemos com os livros e filmes sobre a máfia siciliana.
É altura de dizer basta. A brincadeira está a ir longe demais. Isto já não é futebol, nem arbitragem, nem fruta, nem apitos dourados. Isto é terrorismo, e tem de ser extorquido deste Norte que continua a envergonhar-se a si próprio.
A comunicação social tem um papel importante a desempenhar. Não pode ignorar olimpicamente o que se passa, nem confundir isenção com branqueamento. Não pode continuar a tratar de forma igual aquilo que é diferente. Não pode continuar a tolerar um gangster como Jorge Nuno Pinto da Costa - nem numa sociedade que se quer minimamente asseada, nem, por maioria de razão, num desporto que deixa de fazer sentido se não cultivar alguma decência.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Só o respeito pelos leitores, e o desejo de manter o arquivo para memória futura, me obriga a ainda falar de arbitragens num campeonato que já está há muito decidido por elas.
Nada do que se possa passar daqui em diante vai alterar aquilo que foram os desempenhos de Cosme Machado, Pedro Proença, Jorge Sousa e Olegário Benquerença nas primeiras jornadas, e que permitiram ao FC Porto ganhar um avanço pontual e uma força moral que não mais perdeu. Foi aí que o campeonato ficou decidido. Poderia ter sido decidido no mesmo sentido, sem essas influências externas? Nunca o saberemos. E, pela minha parte, gostaria de o ter sabido.

SPORTING-U.LEIRIA
Tanto quanto pude ver, foi um jogo sem casos, sem golos, e sem… futebol.
Resultado Real: 0-0 (a condizer)

FC PORTO-ACADÉMICA
O lance de Rolando, logo aos 2 minutos, é dos penáltis mais claros da temporada. Como aqui já disse, foi o sexto penálti por assinalar contra o FC Porto neste campeonato. Não sei que mais palavras utilizar.
Como seria o jogo com esse eventual golo? Nunca o saberemos. E, pela minha parte, gostaria de o ter sabido.
Resultado Real: 3-2

PAÇOS-BENFICA
O primeiro erro do árbitro foi a tolerância que teve para com Cohene no lance do penálti. Uma agressão sem bola justificava expulsão, e o jogador ainda ficou mais de meia-hora em campo.
O segundo foi a marcação da falta de onde resulta o golo pacense, a qual não existiu.
Resultado Real: 0-5

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 63
FC Porto 62
Sporting 30

O top-erro também segue sem alterações:
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

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UM DESPORTISTA!

Sportinguista, mas sempre respeitador. Convicto, mas sempre profissional. Artur Agostinho foi uma figura simpática para a esmagadora maioria dos portugueses, em particular para os adeptos do futebol.

PURA DIVERSÃO

Meia hora em alta voltagem, e mais dois golos de Nuno Gomes. Assim se poderia resumir, numa linha, tudo o que de relevante se passou na partida de Paços de Ferreira, onde pouco mais estava em jogo do que o brio profissional dos jogadores, e a preparação dos próximos compromissos.
Jorge Jesus decidiu, desta vez, poupar apenas quatro jogadores. Não entraram no onze Fábio Coentrão, Carlos Martins e Sálvio - todos convocados para as selecções, e dois deles em risco de quinto amarelo - para além de Sidnei, este eventualmente por motivos físicos. Atendendo apenas ao cansaço, eu teria resguardado mais alguns habituais titulares, pois o resultado deste jogo não tinha qualquer relevância. Mas se entrarmos em linha de conta com factores como a manutenção do ritmo e dos estados de alerta competitivos, deixo de me sentir em condições de expressar qualquer opinião, limitando-me a manifestar a minha confiança na comprovada sabedoria do técnico encarnado. Por alguma coisa é ele que se senta no banco, e não eu ou qualquer outro adepto.
Com ou sem poupanças, a verdade é que o Benfica entrou em campo de forma avassaladora, e em menos de meia-hora já vencia por 0-3. Esse período foi, aliás, dos mais brilhantes que vimos esta época a qualquer equipa portuguesa, e quando Gaitán assinou a obra-prima que foi o terceiro golo, o resultado até se afigurava escasso para tão eloquente domínio.
O Paços de Ferreira sentia-se claramente limitado no seu meio-campo (todos os titulares castigados), e uma grande penalidade tão evidente quanto desnecessária logo a abrir o jogo não o ajudou em nada. Só perto do final da primeira parte se viu um cheirinho daquilo que tem sido a excelente temporada do conjunto de Rui Vitória. Deu para reduzir distâncias, deu para assustar Roberto, mas foi novamente Javier Cohene (autor do penálti), expulso com segundo amarelo, a enterrar de vez as esperanças da sua equipa.
Obviamente que da segunda parte não se poderia esperar a mesma qualidade de jogo. O Benfica sentiu-se confortável com a vantagem, enquanto que o Paços, a perder por dois golos de diferença, e em inferioridade numérica, percebeu que dificilmente iria retirar alguma coisa da partida. O cruzamento entre estes dois aspectos fez adormecer o jogo, e nada mais parecia poder vir a acontecer, até entrar Nuno Gomes.
A eficácia do veterano avançado benfiquista tem sido notável. Em pouquíssimos minutos de utilização leva já seis golos na temporada, assemelhando o seu desempenho àquilo que, em tempos, se passava com as entradas de Pedro Mantorras. Compreendo Jorge Jesus quando diz que os golos são justamente resultado do momento em que entra em campo, e acredito que, jogando de início, diante de linhas defensivas concentradas, frescas e pressionantes, o avançado não revelasse a mesma pontaria. Seja como for, a sua experiência, e a confiança que deve sentir neste momento, justificam claramente mais oportunidades, e creio que dadas as circunstâncias da temporada, essas oportunidades podem perfeitamente surgir, por exemplo, nos jogos do campeonato que faltam disputar - libertando Saviola e Cardozo para a frente europeia.
Nuno Gomes foi naturalmente a individualidade de maior destaque na noite, mas Gaitán, com uma primeira parte soberba, deve ter impressionado o técnico do PSV que se sentava nas bancadas.
Soares Dias esteve mal ao não expulsar Cohene no lance do penálti (trata-se de uma agressão sem bola), mas no que restou do jogo não teve muito que fazer.
A próxima jornada pode decidir o que ainda resta: título matematicamente entregue ao FC Porto (em caso de derrota), ou, em alternativa, Champions matematicamente garantida para o Benfica (em caso de empate), e, eventualmente, quebra da invencibilidade da equipa portista (em caso de vitória). Devo dizer desde já que não me interessa absolutamente nada o local onde o FC Porto vai comemorar o título, e que me interessa muito pouco se o vai fazer sem derrotas ou não. Todo o meu pensamento está já direccionado para o jogo do dia 7 frente ao PSV, e é apenas a Liga Europa, a Taça de Portugal e a Taça da Liga que me preocupam. Até sugeria que Villas-Boas e Jesus promovessem uma espécie de pacto, de forma a cada um deles poupar no clássico, por exemplo, seis dos onze jogadores mais utilizados no campeonato. Ficava toda a gente a ganhar.

21/03/11

5 ANOS, 5 POSTS

Não são necessariamente os melhores, nem os mais marcantes. São apenas ilustrações daquilo que foi o caminho percorrido nestes 5 anos:

ATRÁS DE UMA BOLA / Junho de 2006 (antes do Mundial 2006)

CRUEL DESTINO / Abril de 2007 (após eliminação da Taça UEFA pelo Espanyol)

20 ANOS DE MENTIRA DE A a Z / Abril de 2008 (sobre arbitragem e sistema)

PROVAVELMENTE O MOMENTO MAIS SABOROSO DO ANO / Março de 2009 (após vitória na Taça da Liga 2008-09)

EU BENFIQUISTA ME CONFESSO / Maio de 2010 (dias antes do último jogo do campeonato 2009-10)

UM DIA ESPECIAL

Hoje é um dia especial aqui na casa.
Cumprem-se 5 anos desde o dia em que VEDETA DA BOLA nasceu.
Confesso que, no momento em que decidi criar este espaço, não me passou pela cabeça, nem levemente, que cinco anos depois ainda aqui estaria a comemorar.
Começou como uma brincadeira, e pouco a pouco foi-se tornando numa quase necessidade. VEDETA DA BOLA é hoje, tenho de admitir, um elemento importante da minha relação com o futebol.
A relevância que este espaço tem actualmente não se compara à semi-clandestinidade em que deu os seus primeiros passos. Os 500 leitores mensais, abriram alas para os cerca de 20 mil que agora visitam o blogue, num processo de crescimento que ainda não parou. O grau de responsabilidade caminha, obviamente, em paralelo.
Não gosto de fazer previsões, pelo que não faço ideia de quanto tempo mais poderá durar esta aventura. Como único editor, as circunstâncias que rodeiam a minha vida pessoal, familiar e profissional, ditarão o futuro. Mas enquanto houver possibilidades de continuar, cá estarei.
Como os últimos são muitas vezes os primeiros, não posso deixar de aproveitar a ocasião para agradecer a todos os leitores a participação que tem feito do VEDETA um espaço de referência na blogosfera. São, por isso, vocês que estão de parabéns.

GERIR O PLANTEL

Parece-me importante poupar, nesta partida, os jogadores convocados para as suas selecções. Os outros precisam de manter o ritmo.

ACIMA DA LEI

Com tantos penáltis por marcar contra o FC Porto, a sensação que fica é que os próprios jogadores portistas já sabem que podem fazer faltas à vontade dentro da área, que nada será assinalado.
Eis os que me vêm à cabeça no imediato:
3ª JORNADA - Rasteira de Álvaro Pereira a avançado do Rio Ave
4ª JORNADA - Empurrão de Belluschi a Paulo César do Sp.Braga
5ª JORNADA - Corte com a mão de Rolando na Choupana
7ª JORNADA - Puxão de camisola de Fucile a jogador do Guimarães
21ª JORNADA - Carga de Otamendi a avançado do Olhanense
24ª JORNADA - Corte com a mão de Rolando com a Académica

18/03/11

SÃO ESTES:

Os jogadores:
O estádio:
A táctica:
A história:
Mais algumas notas:

-O PSV é líder do seu campeonato, e apresenta uma impressionante média de mais de três golos marcados por jogo, com várias goleadas (até um 10-0 ao Feyenoord) a compor a estatística.
-É a melhor equipa holandesa da actualidade, e, à excepção do brasileiro Marcelo, todos os seus titulares são internacionais A pelos respectivos países.
-O plantel é muito jovem, e fortíssimo fisicamente. A média de alturas dos onze habituais titulares atinge 1,89m.
-O melhor marcador da equipa é o extremo-esquerdo húngaro Dzsudzsak, com 15 golos.
- O treinador é o holandês de 48 anos Fred Rutten, que já orientou o Twente e o Schalke 04.
- Em suma, é um adversário forte e difícil, mas a escolha não era muita. A minha preferência relativamente ao também holandês Twente prende-se com o nome, que impede encarar a eliminatória com qualquer tipo de facilitismos (e o conjunto de Preud’homme, de nome muito menos sonante, está a apenas um ponto do PSV no campeonato, sendo igualmente uma equipa complicada de defrontar).

MELHOR ERA DIFÍCIL

PSV era precisamente o adversário que eu queria. Apenas lamento que a decisão não seja na Luz. O alinhamento das meias-finais (Sp.Braga ou D.Kiev) também é bastante agradável.

QUARTOS PARA TODOS

Em seis anos, esta é a quarta vez (!) que o Benfica chega aos quartos-de-final de uma competição europeia, o que não deixa de ser um dado interessante.
Barcelona (na Champions), Espanyol e Liverpool (na UEFA/Europa) foram os verdugos dos encarnados nas anteriores ocasiões, impedindo maiores ambições.
Nesse período, o FC Porto chega agora pela segunda vez a esta fase de uma prova (a outra foi na Champions, caindo frente ao Manchester United), e o Sp.Braga pela primeira. Desde 2005, o Sporting esteve também por uma vez nuns quartos-de-final europeus – em 2007-08, sendo então eliminado pelo Glasgow Rangers.
Em termos de balanço histórico total, a superioridade do Benfica é esmagadora. Mas há vários clubes portugueses que já chegaram a quartos-de-final internacionais, como se vê pelo quadro seguinte:

PRÍNCIPES DA FELICIDADE

Há momentos em que é necessário separar a paixão do adepto da frieza que se espera do analista. O jogo de Paris é um deles. O adepto rejubila de alegria, enche-se de orgulho e sonha com a final. O analista é obrigado a pensar que a noite podia (e talvez devesse) ter sido mais tranquila.

Na verdade, o Benfica não fez uma grande exibição. Tem, genericamente, melhores jogadores que o Paris St-Germain, mas deixou que essa realidade permanecesse oculta durante grande parte do jogo – e, já agora, da eliminatória. A forma rápida e afirmativa como os parisienses entraram em campo, pareceu surpreender a equipa encarnada, que durante largos minutos se viu e se desejou para travar as incursões de Nenê, pela esquerda, e Chantôme e Bodmer, por todo o lado. Os alas encarnados – sem conseguirem esconder um profundo desgaste físico - pouco participavam no processo defensivo, e, sobretudo, Maxi Pereira ficava entregue ás feras, expondo com isso também os centrais.

Quando Gaitán marcou (num lance de contra-ataque), o Benfica não justificava a vantagem. Pensou-se contudo que esse golo pudesse inverter os dados da partida, mas a incisiva reacção do PSG desmentiu rapidamente a ideia. O empate trouxe alguma justiça àquilo que se passava em campo, e até final da primeira parte ainda houve oportunidade para a equipa francesa se colocar em vantagem no jogo, e em igualdade na eliminatória.

Asegunda parte benfiquista foi francamente melhor. Seria difícil ao PSG manter o ritmo endiabrado com que tinha posto em sentido a equipa de Jorge Jesus durante quase todo o primeiro tempo. Por outro lado, o Benfica foi capaz de se unir, subir as linhas, e procurar o golo que garantisse a tranquilidade. Sobretudo com Carlos Martins em campo, viu-se uma equipa muito mais serena, dominadora, e segura daquilo que tinha nas mãos. Mas o golo da tranquilidade não surgiu, e os últimos quinze minutos voltaram a trazer o Paris-St-Germain para perto da baliza de Roberto, sendo então este a brilhar a grande altura (como, de resto, já havia feito na primeira parte). Os minutos finais foram de grande sofrimento, e – voltando à ideia inicial – a sensação que ficou é que esse sofrimento podia ter sido evitado, ou, pelo menos, atenuado. O apito final do árbitro escocês soou como um alívio para os benfiquistas. Os quartos-de-final estavam garantidos, depois de dois jogos de grande intensidade e emoção. Nem sempre bem jogados, mas onde a alma vencedora nunca faltou. Como melhor equipa, o Benfica mereceu passar.

As principais figuras da equipa encarnada foram Roberto, Fábio Coentrão (que energia!!!) e Luisão (mau grado ter sido batido no lance do golo francês). Negativamente há que realçar a triste exibição de Saviola (apenas um golo nos últimos 16 jogos), e a notória quebra física de Sálvio. O árbitro não teve muito que fazer, e nas decisões que teve de tomar esteve globalmente bem.

Agora venha uma equipa holandesa. Mas para sonhar com a final o Benfica terá de recuperar os índices físicos e exibicionais do mês de Fevereiro, quando empolgou o país com um futebol espectacular. Acredito que até ao dia 7 de Abril haja tempo para isso.


PS1: É pena que no “Euromilhões” eu não consiga normalmente revelar a mesma destreza, mas o palpite que fiz para o jogo e para o resultado foi absolutamente certeiro. Aliás, num passatempo que mantenho com mais dois amigos (e leitores), e que se traduz em apostas para todos os jogos da Liga, valendo depois um jantar anual, confesso que desde 2004 apenas paguei por uma vez. Sabedoria? Talvez não. Sorte? Talvez sim, ou não estivéssemos a falar de futebol.


PS2: Independentemente dos estados de alma que a qualificação de FC Porto e Sp.Braga tenham provocado aos benfiquistas, a verdade é que os pontos conseguidos para Portugal no ranking beneficiam todos. Para entrar directamente na Champions 2012-2013 bastará ao Benfica o segundo lugar, o que, pelo menos no plano financeiro, não é desprezível.

17/03/11

FAÇA-SE LUZ!

Paris é, de entre o que conheço da Europa e do Mundo, a minha cidade de eleição. É pois com redobrada pena que não estarei lá hoje a apoiar o Benfica.
Devo dizer, no entanto, que o meu apoio não irá fazer muita falta. Milhares de portugueses irão pintar o Parque dos Príncipes de vermelho, e a equipa não poderá certamente queixar-se do ambiente.
A algumas horas do início do jogo, estou moderadamente optimista. O adversário é respeitável, mas acredito que o Benfica lhe é superior, e que possa demonstrá-lo em campo.
Uma eliminação nesta fase, perante um quadro de possibilidades de sucesso europeu tão aberto, seria uma tremenda desilusão. Não uma vergonha, mas uma tristeza. Uma profunda tristeza.
Assim como a eventual passagem desta eliminatória será para mim uma alegria. Uma enorme alegria, a merecer comemoração à medida.
Julgo que o Benfica vai marcar golos, e acredito até que ganhe o jogo. Mas não aprecio algumas declarações que tenho ouvido acerca de idas à final, erguer troféus e romper o jejum internacional. Um passo de cada vez, e o primeiro será ultrapassar esta eliminatória. Por agora é só isso que me preocupa.
No relvado espero uma equipa fresca, confiante e ambiciosa, mas não demasiado exposta. O Benfica parte em vantagem, e não perderá nada em deixar o PSG assumir as despesas iniciais do jogo, procurando, em contra-ataque, os espaços de que necessita para marcar. Obviamente que isto é a opinião de um adepto de bancada (neste caso de sofá), que não conhece em rigor a equipa adversária, nem tem responsabilidades de decidir coisa nenhuma. Jorge Jesus saberá o que fazer, e, da minha parte, só quero é ver a eliminatória passada.
Temo a arbitragem. O Benfica tem sido sistematicamente prejudicado também nos jogos internacionais (Barcelona, Espanyol, Nápoles, Marselha, PSG, para citar os jogos que me vêm à cabeça), e em plena pátria de Michel Platini é de desconfiar que a tendência se mantenha. Veremos.
A única dúvida na equipa inicial reside entre Carlos Martins e Aimar. Suponho que Jesus irá optar pelo primeiro, fazendo entrar o segundo na última meia-hora. É apenas um palpite.
Já que falo em palpites, aqui vai o do resultado: empate 1-1, e bate-bate coração...

HISTÓRICO

16/03/11

VERGONHA É OUTRA COISA

O comentador e músico (?) Miguel Guedes está a tornar-se um case-study.
O rapaz mente, inventa, insinua, deturpa, fazendo a festa sozinho, provavelmente no intuito de abafar as vozes portistas que defendiam a ausência de representação do clube no programa no pós-Rui Moreira - esse sim, um homem que defendia as suas cores com alguns excessos, mas sempre com grande dignidade.
Não conto perder muito mais tempo a desmascarar as suas perturbações de espírito. Dizer que o Benfica tem feito uma temporada europeia “vergonhosa” (cito), parece-me, no entanto, idiotice a mais para poder passar em claro.
O Benfica é a única equipa dos oitavos-de-final da Liga Europa que conta por vitórias os jogos disputados na competição, com a particularidade de ter enfrentado até agora apenas adversários do chamado “big-five”- no caso uma alemã e uma francesa. É verdade que a Liga dos Campeões não correu bem, mas recordo que ainda assim os encarnados fizeram seis pontos, só perderam em casa quando o apuramento já era impossível, e a única equipa que triunfou na Luz (o Schalke) já está qualificada para os quartos-de-final dessa prova.
Mas, voltando à Liga Europa (de onde o FC Porto não saiu), vejamos então o quadro de percentagem de vitórias de todos os clubes ainda em competição:
“Vergonhoso”, como se percebe…

UM REGALO!

Dois espectáculos verdadeiramente deslumbrantes provaram esta noite que as eliminatórias da Liga dos Campeões – mais do que Mundiais e Europeus, mais do que as previsíveis fases de grupos, ou até que as calculistas finais – são os momentos de gala do desporto-rei, aqueles onde a qualidade e intensidade de jogo atinge níveis mais elevados, sobretudo quando se trata de segundas-mãos, em que o risco, para um ou outro lado, se torna obrigatório.
O ritmo extremamente veloz, a exuberância técnica das grandes estrelas e a perfeição táctica dos magos do treino, levam estes jogos aos limites, conferindo-lhes um brilhantismo único no mundo. Com estádios a abarrotar, com cânticos constantes nas bancadas, com rostos de dramatismo em relvados exemplarmente tratados, e com fantástica realização televisiva que os leva ao mundo, é nestas alturas que o espectáculo do futebol atinge o seu top, acima do qual não existe mais nada.
O Manchester United-Marselha já havia sido um grande jogo - fruto da audácia dos franceses que conseguiram discutir a eliminatória até ao apito final, e só devido a alguma ineficácia na sua frente de ataque a deixaram fugir. Mas o Bayern-Inter que se lhe seguiu (em HD foi transmitido em diferido) terá sido porventura a melhor partida de futebol a que assisti nesta temporada.
Foi pena que a equipa de arbitragem portuguesa, dirigida por Pedro Proença, não tenha estado à altura da ocasião, e tenha passado noventa minutos a empurrar o Bayern para trás (começando desde cedo, com a validação de um golo em fora-de-jogo). Bem sei que a senhora Merkel não tem feito muito por cativar as nossas simpatias, mas futebol é futebol, e a fantástica equipa de Schweinsteiger, Robben, Ribery e Muller não merecia tão discriminatório tratamento. Eu que prefiro claramente alemães a italianos, e que de entre estes apenas tolero o…Milan, não fiquei lá muito feliz com o resultado, ainda que a emoção e o regalo com que assisti ao jogo tenham compensado amplamente a pequena mágoa final.
Independentemente de gostos e preferências, o Bayern teve oportunidades para chegar ao intervalo a golear, após 45 minutos de futebol esmagador. Quem, a este nível, tanto desperdiça, está normalmente condenado. Foi o que aconteceu na ponta final do jogo, onde um Inter de grande coração conseguiu dar a volta ao jogo e à eliminatória com o brilhantismo digno de um verdadeiro campeão europeu. Quando Proença apitou pela última vez, até eu, refastelado no meu sofá, estava cansado de tanta velocidade e de tanto ritmo. Mas seria bem capaz de estar ali a noite toda a deleitar-me com o delicioso prato que emanava do ecrã.
Futebol assim não é jogo, nem desporto. É bailado e poesia.

15/03/11

CHAMPIONS 2011-12: um esboço dos possíveis adversários

A posição do Benfica no campeonato está definida. Vai terminar em segundo lugar, acedendo à 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
Importa pois averiguar, desde já, que tipo de adversários poderá apanhar pela frente, ainda que alguns campeonatos apresentem, nesta fase da época, elevados graus de incerteza.
É desde já seguro que o Benfica irá ser cabeça-de-série nessa pré-eliminatória, havendo fortes hipóteses de também o vir a ser no play-off que se lhe segue, se para ele se apurar.
Mas vejamos primeiro o que pode acontecer na ronda inicial, designadamente que clubes estão em condições de figurar no quadro dessa fase, de acordo com o ranking dos países no final da época passada (aquele que conta para o efeito), e com as classificações actuais dos respectivos campeonatos nacionais:Como se vê pela coluna da direita, nenhum dos emblemas em causa tem um ranking superior ao do Benfica (que ainda pode ser melhorado na Liga Europa), pelo que o estatuto de cabeça-de-série está assegurado para esta fase. O mesmo acontece com Dínamo de Kiev, Panathinaikos, e qualquer das equipas holandesas que se apure (embora no caso do Twente existam hipóteses académicas de assim não ser). O quinto cabeça-de-série poderá ser o Fenerbahce, se se apurar; o Anderlecht, idem; ou - se nenhum destes dois integrar o quadro - o Rubin Kazan. Todos os outros estão fora da possibilidade de usufruir desse estatuto.
Assim sendo, é possível fazer desde já um esboço dos cinco possíveis adversários do Benfica nessa 3ª pré-eliminatória. São eles:Caso ultrapasse esta fase, o Benfica disputará então o play-off, onde já figuram as equipas dos cinco países melhor classificados no ranking (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França). Aqui há muito mais dúvidas, pois além dos campeonatos estarem ainda muito indefinidos, não se sabe, obviamente, quais os clubes que transitam da 3ª pré-eliminatória, sendo portanto mais difícil hierarquizá-los a todos.
É possível todavia perceber que o Benfica só não será cabeça-de-série com uma combinação que junte nesta fase: Chelsea ou Tottenham, Roma, Bayern de Munique, Lyon e Valência (ou Villarreal, no caso deste conseguir ultrapassar o Benfica no ranking de clubes durante a corrente Liga Europa). Se o lote dos qualificados do chamado “big-five” fugir a esta combinação, o Benfica será cabeça-de-série. Ou seja, basta uma destas equipas não constar dos apurados (ou por ter ficado fora, ou por ter conseguido entrada directa), e serão os encarnados que a ele ascenderão de imediato.
Vejamos como está o panorama entre estes cinco países melhor colocados no ranking:Acontecerá pois, como diria La Palisse, uma de duas coisas: ou o Benfica não é cabeça-de-série (no caso que mencionei), ou é cabeça-de-série. Se não for, terá pela frente justamente uma daquelas fortíssimas equipas, o que dificulta muito a sua caminhada para a fase de grupos. Se for (basta que entre Manchester City, Lazio, Udinese, Rennes, Hannover, Marselha, ou Villarreal, este último sob reserva, um deles faça parte do play-off), poderá encontrar então qualquer um dos clubes constantes do quadro da 3ª pré-eliminatória, para além naturalmente daquele, ou daqueles, que sobrar dos "big-five" (e que constam do parêntesis atrás).
Partindo do princípio, moderadamente optimista, de que o Benfica será cabeça-de-série também nesta fase, os possíveis adversários seriam então os seguintes:
Como se vê, há muitas hipóteses em cima da mesa. Mas convenhamos que, com um bocadinho de sorte, o Benfica poderá mesmo estar na próxima edição da Champions. E, diga-se, bem merece lá estar.

ESPREITANDO À JANELA DO VIZINHO

Segue-se um breve olhar sobre os candidatos às eleições do Sporting:
Godinho Lopes – Por mais que o queira evitar, cheira a continuidade que tresanda. É um novo Bettencourt, que provavelmente (e apesar da perspicácia de Carlos Freitas) deixaria os clubes rivais tranquilos durante mais alguns anos. A sua lista é um autêntico saco de gatos, mas, para além da banca, tem também a comunicação social a empurrá-lo para a vitória (a capa de hoje de “A Bola” é elucidativa). Por isso, até ver, e dado o tradicional conservadorismo dos sportinguistas, continua a ser o principal favorito.
Bruno Carvalho – É a grande surpresa destas eleições, pois saltou do quase anonimato para um despique aceso pela presidência. Só ele pode dificultar a vida a Godinho Lopes.
Tem juventude, ambição e um discurso fluído. Representa, pelo menos na aparência, o sentido de mudança que muitos sportinguistas desejam.
Fala-se agora em dinheiro russo sujo, como se houvesse dinheiro russo limpo, e como se a fortuna de Abramovich, por exemplo, fosse toda ela imaculada de ilegalidades, branqueamentos e corrupção.
A avaliar pela postura e pelos meios financeiros, parece ser o candidato mais capaz de refundar o Sporting.
Dias Ferreira – Surpreende-me que não figure como um dos favoritos, e que não atraia maiores índices de popularidade atrás de si. Tem o estigma de ter pertencido aos órgãos sociais, e terá cometido um erro de palmatória ao anunciar Paulo Futre (maldito entre muitos sportinguistas desde que jogou no Benfica) como homem forte para o futebol. Mas o seu sportinguismo e a experiência de dirigente que acumulou, justificariam mais apoios.
Pedro Baltazar – É o maior accionista privado da SAD, o que evidencia um conforto financeiro assinalável. Está dentro dos problemas do clube, é bem-falante, mas falta-lhe qualquer coisa. Talvez autenticidade. Talvez coerência e orientação. Tem poucas hipóteses de ganhar, e nem me admiro que acabe por desistir, possivelmente em favor de Godinho Lopes.
Abrantes Mendes – Esteve mal no debate, deixando cair a mascara de alguma impreparação. Não tem apoios, nem dinheiro, nem popularidade. É um mero out-sider.

O CRIME TEM ROSTO

Qualquer pessoa bem formada, fosse qual fosse a cor clubista, condenaria veementemente a cobarde agressão feita pelos Super Dragões ao Dr. Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica.
Pinto da Costa, como é hábito, não só não se demarcou do acto, como até o aplaudiu, pois é precisamente um aplauso o que se depreende das suas cínicas palavras. Mais do que um aplauso, creio que será mesmo uma confissão de culpa. Senão de uma culpa objectiva (algo que nem me espantaria particularmente), pelo menos da culpa moral de mais uma acção terrorista, cometida á imagem e semelhança das que, noutros tempos, vitimaram Carlos Pinhão, Marinho Neves, Ricardo Bexiga, Co Adriaanse, Paulo Assunção e muitos outros.
Pinto da Costa trouxe para o futebol um clima constante de guerrilha, ódio, violência, hostilidade, cinismo, provocação, arrogância e crime, o qual tem sido bebido por massas estupidificadas e carneirizadas em torno de vitórias a qualquer preço. Por mais que ganhe, não consegue libertar-se dos complexos provincianos que o fazem sentir-se, ainda assim, inferior. Ele, melhor do que ninguém, sabe como e porque ganha. Ele, melhor que ninguém, conhece os verdadeiros “méritos” das suas vitórias. Daí tanto ódio, daí tanto cinismo, daí tanta provocação. Daí tanto crime, a coberto da impunidade que o sistema de justiça lhe garantiu, ao ignorar ostensivamente aquilo que toda a gente leu e ouviu.
Criminosos sempre existiram. Tal como os sismos, as tempestades ou as doenças, é algo que faz parte do mundo. O que não é natural é que a comunicação social portuguesa continue a ter medo de dizer a verdade, e de tratar esses criminosos como eles devem ser tratados. Não se pode confundir isenção com branqueamento, e Pinto da Costa não pode continuar a ser objecto de uma tolerância ilimitada, como se a sua inimputabilidade fosse algo que os portugueses tivessem de suportar como castigo.

OBSESSÕES, CADA UM TOMA AS QUE QUER

André Villas-Boas afirmou heroicamente que, na época passada, o Benfica tinha a obsessão de vencer o campeonato na casa do rival. É mentira!
Há umas semanas atrás, o comentador Miguel Guedes dizia que o único objectivo do Benfica na presente temporada era a conquista do título, sem o qual a mesma seria um fracasso total. Outra mentira!
Se há coisa que me irrita, é ver portistas a teorizar acerca daquilo que o Benfica pretende, daquilo que o Benfica gosta, daquilo que o Benfica prefere, daquilo que o Benfica sente, sem qualquer conhecimento de causa.
Não sei se é obsessão para o FC Porto conquistar o título na Luz (acredito, sim, que, no ano passado, houvesse por lá a firme obsessão de evitar que o Benfica fosse campeão no Dragão, pelo menos a avaliar pelo clima de intimidação que foi criado para o efeito). Para mim, enquanto benfiquista, e estou certo que para a esmagadora maioria dos adeptos do Benfica, era então praticamente indiferente ser campeão no Dragão, em Olhão ou no Funchal. E até posso confessar, com honestidade, que gostei bastante mais de festejar em casa, com o Rio Ave, onde pude ir ao estádio tranquilamente com o meu filho, sem estar sujeito a qualquer acção terrorista.
Quanto aos objectivos desta época, quem me lê sabe que há muitos meses tirei o campeonato do pensamento. Desde os 5-0 do Dragão que não mais acreditei no título (há registos), e se há sonho que tenho é antes o de uma presença na final da Liga Europa, como também aqui já confessei mais de uma vez.
Espero pois que tanto Villas-Boas, como Miguel Guedes, ou outros, façam a justiça de deixar os benfiquistas pensar por si próprios, não lhe colocando ideias que não têm, nem obsessões que – por muito prazer que lhes dessem alimentar – só existem nas suas cabeças.
E já agora, aproveito para dizer que quero, obviamente, que o Benfica ganhe o jogo com o FC Porto (como quero que o Benfica ganhe todos os jogos em que participa), mas estou-me perfeitamente nas tintas para saber em que jornada o título vai ficar matematicamente resolvido.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Com o campeonato resolvido há muito por benquerenças e xistras, daqui em diante qualquer má arbitragem perderá relevância e significado.
É natural que nos últimos jogos o Benfica venha a ser beneficiado (de preferência de forma escandalosa), e o FC Porto prejudicado, para com isso dissimular tudo o que se passou desde o início, e retirar força às razões de indignação benfiquista. Quem vê atentamente futebol há mais de trinta anos, percebe como as coisas se fazem, e sabe também que, infelizmente, este campeonato – como outros – será um dia apenas uma estatística, na qual ninguém contestará o vencedor.
Um penálti por assinalar a favor do FC Porto (estreia absoluta nesta edição da Liga) talvez represente o princípio desta etapa final. Aconteceu em Leiria.

RIO AVE-SPORTING
Não vi o jogo, nem tomei conhecimento de qualquer polémica de arbitragem.
Resultado Real: 0-0

BENFICA-PORTIMONENSE
Já escrevi que as principais decisões de Paulo Baptista me pareceram acertadas. A mão de Roderick é sobre a linha, e no golo do Benfica não existe qualquer falta clara, pelo que em ambos os lances dou o benefício da dúvida ao juiz.
O cartão amarelo a César Peixoto é que foi absolutamente caricato. Mas a verdade é que ao longo do campeonato, houve muitos como este.
A propósito, deixo aqui uma reflexão: será que daqui em diante os cartões vão privilegiar os jogadores suplentes, de modo a impedir a rotatividade da equipa, e perturbar a preparação das outras provas (por exemplo a Taça de Portugal, onde ainda sobrevive a equipa do sistema)? Para já, os últimos quatro foram para Airton, Menezes (em Braga), e agora Peixoto e Roderick.
Resultado Real: 1-1

U.LEIRIA-FC PORTO
Como já disse houve um penálti por assinalar a favor do FC Porto. Palpita-me que até ao fim do campeonato irão surgir, aqui e ali, cirurgicamente, mais alguns. Quem tenha vivido o futebol dos anos noventa percebe o que estou a dizer.
No outro lance reclamado, o defesa leiriense desvia primeiro a bola, pelo que não há razão para grande penalidade – embora o princípio de acção, na dúvida, fosse aqui o mesmo.
O penálti assinalado não deixou margem para dúvidas nem hesitações.
Resultado Real: 0-3

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 60
FC Porto 59
Sporting 29

É natural que, mais jornada menos jornada, até a própria classificação real aqui elaborada mostre o FC Porto em primeiro lugar. Como é fácil perceber, isso não poderá iludir a forma como aqui se chegou. Desde Braga o campeonato já não conta, e até aí foram as arbitragens que o decidiram – a favor dos mesmos de sempre.

O top-erro também segue sem alterações:
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

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14/03/11

...E VIVÓ VELHO

Quem olhar para o post imediatamente abaixo deste, perceberá facilmente que a minha opinião acerca da abordagem a este jogo coincidia quase integralmente com a que Jorge Jesus acabou por expressar na equipa que fez entrar em campo. A 11 pontos do FC Porto, com 15 de vantagem sobre o Sporting, o campeonato do Benfica está concluído, e de todos os jogos que faltam ainda disputar apenas um deles me interessará verdadeiramente vencer. Dos outros espero somente a gestão da vantagem face ao terceiro classificado, e o evitar de lesões ou cansaço desnecessário, sobretudo se o sonho da Liga Europa for permanecendo vivo.
Nesta medida, o empate frente ao Portimonense não só não me surpreendeu, como pouco me incomodou. Até a possibilidade do FC Porto comemorar o título na Luz pode ser entendida como uma última oportunidade para polir o orgulho, dando algum sal àquilo que já não tem qualquer sabor.
Do onze inicial eu teria, numa primeira análise, preferido poupar também Aimar e Jara. Mas entendo que se existem jogadores a necessitar de descanso, outros há que precisam de mais ritmo. Pablo Aimar esteve lesionado, e sem treinar durante alguns dias, ao passo que Franco Jara só ultimamente se tem afirmado como uma opção primeira na frente de ataque da equipa. Terão sido essas as razões pelas quais Jorge Jesus os fez alinhar (as mesmas que, de resto, levaram Gaitán e Sálvio a entrar para a segunda parte), e não quaisquer outras relacionadas com eventual preocupação despertada pelo Portimonense – ou não tivesse ele substituído a linha defensiva inteirinha.
Quando se fazem tantas alterações, não se pode esperar que a equipa renda como habitualmente. Os suplentes não estão tão bem como os titulares (por algum motivo não o são), não têm o mesmo ritmo, nem a mesma confiança, e todos os mecanismos trabalhados ao longo da época se sentam, também eles, na bancada. Este tipo de jogos permite normalmente avaliar alguns desempenhos individuais, mas não a performance global do conjunto, mau grado o melhor em campo ter acabado por ser o guarda-redes do Portimonense – o que atesta, pelo menos, a vontade dos jogadores do Benfica em ganhar o jogo.
Diga-se então que Carole deixou boas indicações sob o ponto de vista ofensivo (terá de trabalhar mais as transições defensivas), enquanto Luís Filipe e César Peixoto mostraram que podem ter sua utilidade. Pelo contrário, Kardec foi, uma vez mais, totalmente inoperante, ao passo que o jovem Roderick acabou por cometer um erro crasso que não pode deixar de ensombrar a sua exibição.
Mas o homem da noite, entre os benfiquistas, foi o capitão Nuno Gomes, que uma vez mais (a terceira vez na temporada) entrou para quase imediatamente facturar. Não vou alimentar a discussão em torno da sua maior ou menor utilização – Jorge Jesus terá os seus motivos. Não posso todavia deixar de enaltecer o seu brio profissional, quer na forma como trabalha (de outro modo não revelaria tamanha eficácia), quer sobretudo pelo comportamento absolutamente exemplar que tem demonstrado, mesmo passando por uma situação que decerto não será do seu agrado. Palmas pois para ele.
Falta falar do árbitro, para dizer que nos lances mais polémicos – mão de Roderick dentro ou fora da área, e alegada falta de Nuno Gomes no golo do empate – há que lhe dar o benefício da dúvida. O cartão amarelo a César Peixoto foi injustificado, pois o benfiquista sofre mesmo falta, que daria um livre perigoso. Não recordo qualquer outro erro ao longo dos noventa minutos.
Havia um ano que o Benfica não empatava qualquer jogo. Aconteceu agora, e se voltasse a acontecer na próxima quinta-feira também não seria nada mau.

11/03/11

NADA DE BRINCADEIRAS!

Onze para receber o Portimonense, a pensar naquilo que realmente interessa: Paris

COMPONENTE PATRIÓTICA EM GRANDE

Com três vitórias em três jogos, Portugal cimentou a sua posição no ranking da Uefa. Tudo indica pois que em 2012-13, o futebol português volte a poder colocar três equipas na Champions League, duas delas directamente. Rivalidades à parte, este será um aspecto não negligenciável para cada um dos principais clubes lusos, nomeadamente sob o ponto de vista financeiro.

À MÃO DE SEMEAR

EQUIPAS PRATICAMENTE APURADAS: FC Porto, Twente, Dinamo de Kiev, Villarreal e Spartak de Moscovo
ELIMINATÓRIAS EM ABERTO: Paris Saint-Germain/Benfica ; Liverpool/Sp.Braga e Glasgow Rangers/PSV Eindhoven
Como se vê, sobretudo depois da iminente eliminação de três dos principais candidatos (Manchester City, Zenit e Bayer Leverkusen), esta edição da Liga Europa está mais aberta do que nunca.
Se o Benfica ultrapassar a equipa francesa, e voltar a jogar o futebol que encantou o país em Janeiro e Fevereiro, quase seria capaz de afirmar que os principais favoritos a este troféu europeu serão...Benfica e FC Porto.
Esta é pois uma oportunidade de ouro, que não pode, de modo algum, ser desperdiçada. Mais do que um sonho, conquistar a Liga Europa deve ser um objectivo!

DESGASTE MÁXIMO, RESULTADO MÍNIMO

Escrevi há um par de semanas atrás que apreciava o esforço do Benfica no campeonato (embora já nessa altura me parecesse inglório), desde que o mesmo não afectasse as condições da equipa nas provas que podia efectivamente vencer. A avaliar pelo que se viu neste jogo, tal não terá sido inteiramente assegurado.
A primeira meia-hora do Benfica foi assustadora. Passes transviados, dificuldades nos duelos individuais, pouca capacidade de pressão, jogadores estáticos e dados à marcação, tudo, afinal, o que caracteriza uma equipa cansada. Quase se poderia dizer que o Benfica entrou nesta eliminatória de gatas, o que não é aceitável, justamente no momento, e na competição, onde mais se deveria exigir dos jogadores.
Não entendo nada de preparação física, mas custa-me a engolir que o Benfica tenha esticado todas as cordas para vencer Marítimo, V.Guimarães ou V.Setúbal, num campeonato há muito resolvido “nas estrelas”, e chegasse a um momento de grande decisão internacional neste estado. Se isto acontece por qualquer inesperada fatalidade científica que desconheço, peço desde já perdão pela minha análise. Se, pelo contrário, se sabia de antemão que poderia acontecer, então não posso deixar de condenar a gestão do plantel feita (ou não feita) por Jorge Jesus. Aliás, já no ano passado custei a perceber algumas decisões do técnico encarnado quanto a este aspecto particular. Ele, e outros especialistas, dizem frequentemente que o desgaste físico é um mito. Eu, que como muitos adeptos de futebol nada percebo do assunto, sei apenas pelo que vejo no campo que talvez não seja bem assim. E sei também, porque está à vista de todos, que parte significativa dos jogadores do Benfica – nomeadamente o contingente argentino - não têm o perfil atlético, por exemplo, dos do FC Porto, obrigando naturalmente a maiores cuidados na gestão da sua utilização. Com o campeonato perdido há tanto tempo, chegar a um jogo destes com cinco titulares afectados por mialgias de esforço é algo que me custa bastante a aceitar e perceber. Veremos como entrará a equipa encarnada no Parque dos Príncipes. Se houver tempo para, numa semana, regressar aos índices físicos exibidos, por exemplo, no jogo da Taça de Portugal no Estádio do Dragão, ou no jogo de Alvalade, então o Benfica tem fortes hipóteses de passar esta eliminatória. Se voltarmos a ver uma equipa escondida de si própria como sucedeu na primeira parte desta partida (sobretudo, como disse, nos primeiros trinta minutos), então espera-se uma noite de sofrimento, e, provavelmente, de desilusão.
O Paris Saint-Germain não é uma equipa fácil. Tem um bom guarda-redes, e pratica um futebol cínico (no saudável sentido da palavra), recolhendo as suas linhas, especulando com o jogo, e lançando, quando menos se espera, contra-ataques rapidíssimos e fulminantes, sobretudo a partir da velocidade e classe da sua principal unidade, o ala brasileiro Nenê.
O cruzamento de uma equipa fresca e veloz nas transições, com um colectivo desgastado e desinspirado, resultou em minutos de grande sobressalto para o Benfica, e só alguma sorte impediu que a eliminatória ficasse logo ali sentenciada a favor dos franceses.
Afortunadamente, mais com o coração do que com as pernas, os encarnados ainda foram a tempo de virar o resultado, alcançando uma vitória justa. A questão acima mencionada ditará se suficiente.
É verdade que o resultado poderia, ainda assim, ter sido mais amplo, não fosse a cegueira de um árbitro checo sem categoria. Já não bastava o que se passa intramuros…
Tal leva-me também a reflectir acerca dos motivos pelos quais as equipas portuguesas são frequentemente penalizadas pelas arbitragens internacionais, mesmo as de leste, tidas tradicionalmente como caseiras. Sobretudo o Benfica, que foi eliminado dois anos consecutivos por erros grosseiros a favorecer equipas espanholas (na altura, Barcelona e Espanyol), e agora foi claramente prejudicado diante de uma equipa francesa (membro do chamado G14), o que me faz também lembrar de dois nomes: Angel Vilar e Michel Platini. Aliás, o Barcelona (membro desse mesmo G14) tem sido um caso invulgar de proteccionismo das arbitragens, como se viu nessa eliminatória com o Benfica em 2006, mas também dois anos mais tarde com o Chelsea (que não faz parte do G14), e ainda esta terça-feira com o Arsenal (que também não foi fundador desse extinto movimento).
G14 à parte, talvez um célebre Portugal-Holanda do Mundial 2006 tenha tido também o seu peso. Talvez subsistam ainda resquícios do Portugal-França do Euro 2000, ou, quem sabe, do caso João Pinto na Coreia, ou mesmo de Saltillo. Também não ajudarão a fama de simulador que a dada altura Cristiano Ronaldo granjeou, bem como certas declarações e comportamentos de José Mourinho. A guerra das associações, ou o próprio Apito Dourado (pagando neste caso o justo pelo pecador) são outro caminho possível. O que é certo é que, também a nível europeu, se nota (ainda que de forma menos marcada e mais subliminar) alguma hostilidade para com o Benfica.
Falta falar dos jogadores. Falta falar sobretudo de Maxi Pereira, para quem – esse sim - o cansaço não existe mesmo. Foi o melhor em campo, e até se armou em goleador.
Aimar e Jara também entraram bem no jogo, sendo os principais responsáveis pelos melhores minutos do Benfica, e aqueles que, afinal, valeram a vitória. Carlos Martins, Javi Garcia e Roberto também estiveram em plano apreciável.
Pelo contrário, Sidnei teve uma noite para esquecer, e só com alguma felicidade escapou a ficar na história pelos piores motivos (algumas das suas falhas não deram golo por mero acaso). Sálvio, Gaitán, Saviola e Cardozo são os exemplos mais paradigmáticos do desgaste da equipa, e pese embora o seu inegável esforço, andaram sempre muito longe do brilhantismo que noutras ocasiões foram capazes de oferecer à equipa.
Agora segue-se mais uma semana de angústia. A Liga Europa está extremamente aberta, e tanto Benfica como FC Porto estão entre os principais favoritos a conquistá-la. Perder essa possibilidade em nome do desgaste causado por vitória inócuas sobre o Marítimo ou o Vitória de Guimarães, seria demasiado duro de roer para a família benfiquista. Que em Paris se faça Luz.