26/06/13

UM ANO DE ECLECTISMO

Apesar de ter terminado com uma derrota (no Futsal), a temporada das modalidades benfiquistas terá de se considerar, uma vez mais, amplamente positiva.
Começámos com a inédita conquista de 5 Supertaças, todas as relativas às modalidades de pavilhão. Acrescentámos-lhes dois troféus oficiais de Basquetebol (António Pratas e Hugo dos Santos). Terminámos com a conquista dos títulos nacionais de Basquetebol, Voleibol e Atletismo, e com um improvável, saborosíssimo, e também inédito, título europeu de Hóquei. Em Futsal e Andebol fomos vice-campeões.
Feito o balanço, em número total de troféus ultrapassámos o já imponente pecúlio do ano anterior. Em termos de Campeonatos Nacionais obtivemos menos um (numa matemática simplista, Futsal pelo Voleibol, menos o Hóquei), mas “trocámo-lo” por uma importante Liga Europeia. Ou seja, se 2011-12 havia sido uma época histórica para o eclectismo encarnado, 2012-13 não lhe ficou atrás. Bem pelo contrário.
Na última meia-dúzia de anos o Benfica ganhou quase tudo o que havia para ganhar, em praticamente todas as principais modalidades em que participa. Foi Campeão Europeu em duas delas (Futsal e Hóquei), chegou a finais europeias noutras tantas (Andebol e Futebol). Foi Campeão Nacional em todas. Conquistou Taças e Supertaças. Trouxe adeptos aos pavilhões. Deu audiências televisivas.
Os tempos que se avizinham não são fáceis. A crise económica sente-se a todos os níveis, e o desinvestimento em algumas modalidades torna-se imperioso para salvaguardar o futuro das mesmas, e manter o Clube na rota que o fez sair do buraco em que se encontrava mergulhado há pouco mais de uma década.
Não seremos os únicos a fazê-lo: FC Portos, Sportingues, e, sobretudo, Ovarenses, Oliveirenses, ABC’s ou Espinhos, terão igualmente de reduzir custos. Talvez seja difícil repetirmos, no imediato, glórias internacionais como a do Atlântico, em 2010, ou a do Dragão, em 2013. Mas, por cá, certamente continuaremos a jogar e a vencer. Com menos meios, mas com a mesma Mística.

162 LAMENTOS

Golo do Benfica! Marcou, com o número sete, Óscar….,Óscar…”
Este é o som que nos habituámos a ouvir, com frequência, na instalação sonora do Estádio da Luz. Este é o som que tem acompanhado os nossos principais momentos de euforia. Segundo a imprensa, é possível que não o voltemos a ouvir.
Se muitos benfiquistas há que, com inteira justiça, lamentam a despedida de Aimar, permitir-me-ão que – caso venha a confirmar-se - lamente também eu a perda daquele que é, de longe, o maior goleador encarnado do Século XXI, e, seguramente, o jogador que mais vezes me fez levantar da cadeira ao longo dos últimos 6 anos.
Cardozo marcou 162 golos vestindo o Manto Sagrado (quase 200, se contarmos jogos particulares). É, na minha modesta opinião, o melhor ponta-de-lança do Benfica desde os tempos de Magnusson. Aos 30 anos, será doloroso vê-lo partir por uma simples e fria cotação de mercado – valor substancialmente abaixo daquilo que já representa na história desportiva do nosso Clube, e da importância que ainda tem para a equipa.
Dir-me-ão que foi ele próprio a abrir a porta da saída. É verdade. Não é aceitável que um profissional desrespeite a figura do seu líder. Mas devo também dizer que, enquanto adepto sofredor, engulo com maior dificuldade imagens de atletas sorridentes e passivos na hora da derrota, do que reacções a quente de quem não gosta de perder – afinal de contas semelhantes às de muitos benfiquistas que, naquela tarde, se deslocaram ao Jamor.
Nunca tive contacto directo com um balneário de uma equipa profissional de futebol. Não sei até que ponto tal tipo de atitude é tolerada na escuridão dos bastidores. Ainda menos se ela foi meramente extemporânea, ou antes corolário de algo já latente. Em suma, não consigo avaliar, com rigor, a gravidade do caso.
Mesmo sabendo que nem Eusébio foi insubstituível, espero e desejo, porém, que sejam esgotadas todas as hipóteses de manter um jogador que, juntamente com Luisão e Maxi, é uma das grandes referências do Benfica dos novos tempos.

HISTÓRIA E... HISTORIETAS

1. Por motivos de força maior, na passada semana não me foi possível partilhar este espaço com os estimados leitores. Nunca é tarde, porém, para relembrar, e enaltecer, a extraordinária conquista da Liga Europeia de Hóquei em Patins, ocorrida há quase quinze dias, mas ainda bem presente na nossa memória, e no nosso orgulho.
Tratou-se, porventura, do momento mais alto e significativo em mais de um século de eclectismo benfiquista. É verdade que também comemorámos um título europeu de Futsal, mas em Lisboa. É verdade que Nélson Évora foi campeão olímpico, mas vestindo as cores do país. No caso do Hóquei, fomos campeões contra todas as circunstâncias, contra todas as adversidades, contra todas as previsões, e em pleno recinto do nosso grande rival, numa histórica final entre clubes portugueses.
Tudo estava devidamente preparado para outros festejarem. Mas fomos nós, com crença, e, direi mesmo, com heroísmo, que trouxemos um troféu que ainda não constava na vasta colecção encarnada. Por variadíssimas razões, nunca esquecerei esta vitória, que leva o Benfica ao topo da Europa, numa modalidade que me é tão querida.
2. As últimas semanas foram também marcadas por definições no comando técnico das principais equipas portuguesas de futebol. No Benfica, saúde-se a coragem de Luís Filipe Vieira ao reconduzir um treinador que nada venceu, mas que tão bem trabalhou a equipa, e tão perto nos deixou da glória. É este o caminho certo, e não aquele para o qual certa comunicação social, sem pingo de inocência, nos queria empurrar. No FC Porto, anote-se a contratação do treinador que orientou o respectivo adversário, na partida que decidiu o título nacional. A tal, some-se a disponibilização do estádio a esse mesmo clube para os jogos internacionais, e a contratação de (pelo menos) um dos seus principais jogadores. Não são insinuações. São factos, que cada um poderá interpretar como muito bem entender. Espero, contudo, que, depois disto, não venham mais falar-nos de Jardéis ou Djaninys.